Licensa

03/11/2016

Sobre a escola ...

A famosa frase: “quando se abre uma escola, fecha-se uma prisão”, atribuída a Vitor Hugo, poderia ser uma verdade se as escolas fossem mais divertidas que os shoppings, mais penetrantes que os zoológicos, tão respeitosas quanto os altares das igrejas, ou mais desejosas do que as férias. Se assim fossem, as escolas não teriam divisões de classes e séries, os alunos seriam livres para formarem sua própria turma, como nas brincadeiras de rua. Na escola que fecha prisões, os alunos escolheriam seus professores como escolhem seus amigos. Por isso, os professores, teriam nomes mais afetuosos: tutores. Os estudos seriam pesquisas de seus interesses particulares. Dentro dessas pesquisas, os tutores orientariam o grupo ou, individualmente, cada aluno, como num programa de mestrado ou doutorado. Além disso, o tutor, aproveitando a pesquisa, encaixaria nela as matérias curriculares correspondentes e outras mais avançadas, de acordo com a caminhada do aluno. Para as escolas fecharem as prisões é preciso não só muito livro, mas muita provocação à leitura. Os alunos por si só teriam o livre desejo de buscarem nos livros a base de suas pesquisas, sem nenhuma opressão. Seriam autônomos colhendo conhecimentos da internet, de especialistas, da família e de outras fontes, até a conclusão da pesquisa.
Escolas assim jamais aprisionariam um aluno na sala de aula, diante de uma lousa, quietos, aprendendo sem interesse e impositivamente. Para ficar melhor, as notas seriam abolidas, afinal, quem marca pessoas com números e letras são os presídios. As notas seriam grandes relatórios do ser total de cada aluno, feitas não só pelos tutores, mas por psicólogos preventivos, amigos, pais e pelo próprio aluno. Todavia, essa escola seria um lugar onde todos os alunos teriam responsabilidades individuais, para melhorar cada vez mais o ambiente. O bullying ali não teria espaço, porque haveria uma assembleia só de alunos composta por prefeito, vice-prefeito e dois vereadores, a fim de organizarem, opinarem, reclamarem, criarem leis e projetos para escola. Essa escola deveria visitar os pais dos alunos semanalmente em suas casas. Além disso, atenderia regularmente na própria escola cada pai e mãe, a fim de ouvir e direcionar suas vidas. As famílias seriam tão presentes que se reuniriam todas num domingo por mês, passando o dia todo na escola. Nesse dia, elas celebrariam a graça e o mistério de uma pequena escola fechar tantas “prisões”. Tudo isso poderia ser um sonho, uma tese, uma alucinação, ou, simplesmente a Escola Maria Peregrina. Fonte