Licensa

26/04/2015

Saudade - Kátia Simone Menegat

Lembrar das coisas ruins, das que me fizeram sofrer, dos sonhos não realizados, eu não queria. Para que sofrer com coisas inúteis, como o acidente que sofremos há muitos anos, a mentira que nos contaram, como quando nos difamaram? Eu não queria.

Se eu pudesse, esqueceria daquele amor não correspondido, das brigas que me fizeram sofrer, das pessoas que por mim passaram e causaram muitos estragos. Lembrar, eu não queria. 
Mas por que, então? Porque guardamos um espaço em nossa mente e coração para a imagem de quem não gostamos, de quem desprezamos, de quem não queremos ouvir falar? Por que ainda memorizamos seus rostos, e também os acontecimento passados e tão nocivos ao nosso presente, que só nos fazem sofrer? Sinceramente, eu não queria. 
As lembranças que ficam não podem ser apagadas, embora muitas vezes as tentamos mascarar. E aquela pessoa, aquele acontecimento, aquilo que queríamos esquecer vai estar sempre lá, mesmo que não a queiramos. E eu, realmente, não os queria. 
Mas a memória tem seu valor, e é isso que faz com que lembremos das coisas boas que vivemos, apesar dos acontecimento ruins; das pessoas maravilhosas que encontramos, apesar daquelas com quem nos desencontramos; e dos momentos preciosos pelos quais passamos, apesar daqueles que apenas passaram por nós. 
Mesmo que haja o mau, haverá sempre o bom a ser lembrado, e mesmo que existam coisas que queríamos esquecer, sem o que lembramos, quem haveríamos de ser? Sem nossas lembrança, esqueceríamos de muitas coisas, mas mais do que isso,desconheceríamos o significado de uma coisa que nos faz crescer,idealizar, sonhar e sorrir: a saudade. 
Dizer que não quero lembrar é, então, dizer que não a queria.

Nenhum comentário:

Postar um comentário