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17/02/2015

Homenagem a Tomie Ohtake

101 anos e nenhuma vontade de parar de fazer arte. Tomie Ohtake disse uma vez que não sentia o peso da idade. “Ainda eu não estou sentindo nada de 100 anos. Nem percebi ainda”, contava a artista.
Só mesmo a morte conseguiu parar a artista plástica, uma trabalhadora incansável. Ela ensinou aos filhos que arte não deve ser privilégio de quem pode mais.
Que tipo de legado? A dedicação pela arte, acreditar que a arte ajuda uma cidade, a população. Então, uma arte para todos, não só para uma elite, mas para toda a população”, acredita o arquiteto Rui Ohtake.
Ricardo Ohtake, presidente do instituto que leva o nome da mãe, e que é um cartão postal de São Paulo, promete que em abril vamos poder ver trabalhos inéditos de Tomie.
No último ano, ela fez muitas pinturas e aí a gente achou que seria uma grande exposição”, conta Ricardo Ohtake, filho da artista.
A história de Tomie Ohtake tem muito a ver com a história de São Paulo. Imigrante, deixou o Japão e adotou São Paulo como a cidade do coração. A ligação que a artista tinha com a cidade não termina com a morte dela.
As obras de Tomie estão espalhadas por São Paulo para quem quiser ver. Uma delas fica no auditório dentro do Parque do Ibirapuera.
A dona de casa baixinha e suave que saiu de Kioto e adotou o bairro da Mooca aprendeu a pintar aos 40 anos e virou uma fera no abstracionismo, na gravura e na escultura.
A Tomie traz como contribuição para a arte brasileira essa capacidade de articular, o Oriente e o Ocidente, o gestual e o geométrico”, aponta Miguel Chaia, professor da PUC.
Ela usa metal, ela usa concreto, são obras pesadas, mas aparentemente elas são leves, elas flutuam”, analisa Cauê Alves, professor da Escola de Belas Artes.
Em japonês, Ohtake quer dizer “bambu forte”. É um paradoxo com a obra de Dona Tomie. Se topar com algo criado por ela, e isso não é difícil, aí sim você vai se sentir entrando em um tempo da delicadeza. Fonte

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