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07/02/2015

Hipocrisia - Poesia Sufi

Yahia, filho de Iskandar, nos faz o seguinte relato:
“Eu passava minhas noites na casa do Sufi Anwar Ali Jan. Os presentes que lhe davam os visitantes, serviam para comprar a comida que ele oferecia cada noite à seus convidados antes do momento da meditação.
Ele não permitia a ninguém de se aproximar dele; se sentava em um canto, e sua mão ia de sua cuia à boca. Numerosos visitantes observavam: “Este homem é arrogante e carece de humildade, pois se senta separado de seus convidados.”
Cada noite eu me aproximava um pouco mais dele e logo pude ver que, embora ele fizesse todos os gestos de quem levava comida à boca, ele não tinha nada em sua cuia.
Por fim não pude refrear minha curiosidade e lhe disse:
“Qual é a razão de teu estranho comportamento? Porque tu fazes de conta que comes e deixas as pessoas pretenderem que tu és arrogante enquanto que em realidade tu és modesto e frugal e não quer nem perturbar nem lhes causar vergonha, ó tu o mais excelente dos homens?”
Ele respondeu:
- É melhor que eles pensem que eu careço de modéstia, pelas aparências, do que me acharem virtuoso, se fiando somente às aparências. Não há pecado maior que atribuir mérito sobre as aparências. Agir desta forma, é insultar a presença da virtude interior e real, imaginando que ela não existe para ser percebida. Os homens de exterior julgam pelo exterior, mas pelo menos eles não contaminam o interior”.

Do livro "O Buscador da Verdade" de Idries Shah

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