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01/12/2014

A TRISTEZA DAS MÃOS

Mãos tristes, sulcadas de rugas, 
Que choram em silêncio a dor de envelhecer... 

Pensar que já foram a alma festiva, 
A graça inocente dum berço, num lar. 
Frágeis mãozinhas, de dedos rosados, 
Brincando com a vida. 
Rainhas de um mundo de legenda, 
Maleável e submisso ao seu comando. 

Pálidas mãos, sulcadas de renúncias! 

Mãos que foram jovens, belas e triunfais, 
Confiantes em si mesmas, todo-poderosas, 
Capazes de curvar a fronte mais altiva, 
E de alterar o curso eterno das estrelas. 

Tímidas mãos, que se apagam na sombra! 

Mãos feitas de luz, doces mãos liriais. 
Companheiras intrépidas e leais, 
Solícitas e compreensivas. 
Cheias de incentivo e paciência, 
Misericordiosas mãos maternais. 

Velhas mãos solitárias, 
Como dói recordar!

© HELENA KOLODY 
In Paisagem Interior, 1941 
Nota: 
Poesia dedicada a seu pai, no seu primeiro livro.

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