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17/12/2014

A ALMA DA MATA © DORA BRISA

A alma desata 
Um grito engasgado, 
Na boca da mata, 
Terreno sagrado... 

Suspiro contido, 
Respiração ofegante, 
Nenhum ruído... 
Só o instante... 

A mata sagrada 
Convida o caminhante 
A seguir a luz da estrada, 
Ainda que vacilante... 

Em passo incerto, 
Adentra a mata... 
A luz, cada vez mais perto... 
A alma se dilata... 

O humano ficou para trás, 
Feito lembrança... 
Silenciosa, a mata faz 
Brincar a criança... 

Mata - mistério, 
segredos, 
cemitério 
de todos os medos... 

O mundo já não existe mais... 
Só troncos, folhas - Vida! 
...E muita paz 
Na alma agradecida... 

Mata - que tanto bem nos faz, 
Companhia segura, 
Nos desvenda 
A vida mais pura... 

Por entre as árvores seguimos 
Os passos dos Donos da mata... 
Seguros, nosso caminho abrimos 
Na consciência que se desata... 

Brisa suave nos faz continuar... 
De mãos dadas, 
Eles insistem em nos mostrar 
A seguir suas pegadas... 

E lá vamos nós, 
Seguros mata adentro... 
Escutando sempre a voz 
Das folhas, da cascata, do vento... 
Poesia integrante da I Antologia Poética A Voz da Poesia - 2008, pag. 148
Fonte(s) do(s) áudio(s):
Declamadora: Rosany Costa
Gentilmente autorizada à Voz da Poesia a publicação do arquivo de áudio © Todos os direitos reservados

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