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25/11/2014

O velhinho visita a fazenda - Por Carlos Ribeiro

Em 60 anos de carreira, calcula-se que ele tenha escrito mais de 15.000 crônicas, das quais 600 ganharam reedição em livros. Nos textos, pôde trabalhar temas caros a ele, como as casas, o tempo, a figura feminina. “E o que revelam as casas de Rubem Braga do próprio Rubem Braga? O que dizem do homem que as sente e do escritor que as registra? Já se disse algo sobre isto: a consciência do tempo, a percepção histórica, a recordação dos mortos e das ternuras findas, enfim, todo esse conjunto de elementos que remetem a uma melancolia do tempo perdido tão comum aos escritores que viveram, no século XX, a transição de uma sociedade ainda fortemente agrária para uma sociedade industrial, na qual coexistiam e ainda coexistem o arcaico e o moderno. Pode-se dizer que, de certa forma, a casa significa, para o cronista, um elo fundamental entre o passado e o futuro. Uma espécie de linha do tempo sem a qual tudo cai no esquecimento”, escreve Carlos Ribeiro no prefácio do livro.

É um velhinho de ar humilde, que tem sua casa em um subúrbio do Rio; ninguém dá nada por ele. Vale, entretanto, muitas centenas de milhares de cruzados — pois não é certo que o homem vale pelo que tem?

Gosta de viajar pelo interior do Estado do Rio, às vezes até Minas ou Espírito Santo — sempre de ônibus ou de trem. Conversa devagarinho com as pessoas que vai encontrando, gosta de falar sobre lavoura — “diz que a safra de milho este ano está muito grande, não é? O preço já caiu para um terço…”

Sua conversa agrada; ele quer saber quantos alqueires tem aquela fazenda — “muita mata? e o gado?” — e vai-se informando, sabendo das coisas. Não se interessa pelas fazendas prósperas; adora histórias de fazendeiros que estão estragando a propriedade, viúvas roubadas pelo administrador, metidas em negócios na cidade — e de repente se interessa por uma fazenda. Fonte

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