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20/09/2014

"Classificados Poéticos" de Roseana Murray

Troco um fusca branco
por um cavalo cor de vento
um cavalo mais veloz que o pensamento
Quero que ele me leve pra bem longe 
e que galope ao deus-dará
que já me cansei deste engarrafamento...
O verbo "trocar" vem na primeira pessoa do singular, marcando o estado emotivo, o envolvimento direto da autora. Ela compartilha o seu desejo de seguir sem destino, desabafa sua insatisfação com os problemas diários e expõe a sua vontade de mudança.

A aliteração e a assonância surgem trazendo um efeito sonoro e refletindo a vibração de sentimentos. Destacando a passagem "e que galope ao deus-dará", vamos experimentar no primeiro momento, a impressão de que ela não está preocupada para aonde vai e como vai viver, o simples fato da mudança já é suficiente. Analisando o termo: "deus-dará", vamos perceber a relação entre a escolha e o efeito. Estilisticamente temos o uso do "D" servindo para reproduzir um som de passos pesados e ainda o uso do "A" reforçando as batidas bem audíveis. Sendo assim, "deus-dará" remete ao som do galopar do cavalo.

Os termos "vento" e "veloz" sugerem sonoridade de caráter contínuo. Podemos comparar à sensação de corrente de ar quando alguém passa correndo muito próximo de nós, dependendo da velocidade temos a percepção do vento, como uma espécie de sopro mais forte. Assim ocorre no texto, as palavras parecem bailar no ar. Quanto à utilização da anáfora, em: "um cavalo cor de vento", "um cavalo mais veloz que pensamento", serve para destacar o elemento principal, o que de certa forma, não acontece no anúncio comum do jornal, que evita repetir palavras, para não onerá-lo. Fonte

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