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02/08/2014

A escola de pedra - Por Rosi Martendal

Há algum tempo, ouvi uma história relacionada à educação denominada “A escola de vidro”, em que havia uma separação, uma fragmentação entre a vida fora e a vida dentro do vidro/escola. Talvez por preguiça, falta de tempo e de lembrar mesmo de pesquisar, nunca tive o texto nas mãos, porém algumas alunas me contaram várias vezes. Digo isso porque hoje as barreiras de vidro que separavam a escola do mundo real estão aos poucos caindo.
Porém, há algo que vem me preocupando, um aspecto que tenho notado em minha segunda profissão: coordenadora de concursos públicos. Já que tais concursos, em sua grande maioria, ocorrem em escolas das redes estadual ou municipal, posso falar com certeza o que tem sido lugar-comum: a transformação de pátios gramados, hortas, árvores e da própria natureza em cimento. Cimento, sim. Os pátios viraram calçadões de cimento, que, segundo alguns dizem, torna a limpeza mais fácil e o ambiente com aparência mais limpa. 
Nestes tempos em que se discute, reflete e debate o meio ambiente e se criam diversas políticas relacionadas ao tema, como podem os profissionais da educação, seus gestores, a comunidade, as escolas e os órgãos ambientais aceitar tamanha transformação?
Isso já é falado há algum tempo. Existe um conceito que define essa transformação, que os estudiosos chamam de reificação. “Reificar significa, genericamente, converter um conceito ou pessoa em coisa, materializar, também é conhecida como coisificação (BRÜGGER, p.3).”
Pois é, com a reificação do meio ambiente nas escolas, onde ficam os tempos em que se davam aulas embaixo de árvores, nos jardins da escola, nos pátios gramados?
Com tudo isso, muitos que se dizem educadores ainda se perguntam por que há revolta dos alunos em sala, falta de atenção às aulas, por que os alunos não querem mais aprender e se distraem com facilidade. Imagine se existisse um ambiente agradável, e não uma caixa quadrada cheia de carteiras e alunos. Não ficaria mais fácil ser aluno e menos difícil lidar com o processo de ensino-aprendizagem?
Sabe o que parece? Parece que o cimento que vem envolvendo o ambiente escolar também tem envolvido o coração daqueles que lidam com a educação de maneira direta ou indireta.
Nesse sentido, sou uma romântica em relação à educação, tal qual Rubem Alves, acreditando que a escola será um local de ensino e de aprendizagem com gosto, com vontade e com o coração no lugar do cimento que vem tomando conta dela.
Consultora educacional, pedagoga, especialista em didática: fundamentos teóricos da prática pedagógica, e em informática educativa. Está cursando especialização em mídia na educação. 

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