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21/06/2014

Quadrilha - Drummond

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

O poema Quadrilha faz parte do primeiro volume lírico de Drummond intitulado Alguma Poesia de 1930. É, por excelência, um livro modernista. 
Este poema é um epigrama, ou seja, uma composição breve e “picante” chamada também, pelos modernistas de “poema piada”. O registro linguístico é coloquial, aproximando-se da narração, da prosa. Possui uma elasticidade no ritmo e o esquema métrico é irregular. O poema tem uma única estrofe e é uma radiografia da hipocrisia mundana. O tom é brincalhão. Na leitura de Francisco Achcar, o poema apresenta uma serialização de desencontros amorosos, através de associações ligadas aos nomes próprios. Organizam-se em dois grupos que se opõem mutuamente: um composto pelos prenomes detentores da ação de amar e frustrados na ação de casar, e Lili com J. Pinto Fernandes, frustrados na ação de amar e detentores da ação de casar. 
No grupo dos prenomes associam-se qualidades como intimidade, pessoalidade, amor e não casamento e, no grupo de Lili e J. Pinto Fernandes associam-se qualidades de não-intimidade, não-amor e casamento.
No texto aparecem três pares hipoteticamente vinculados entre si devido à negação reversa do não-amor de um dos casais da sequência de personagens envolvidos na trama. O único par verdadeiro é Lili e J.Pinto Fernandez e com este desfecho restabelece a conclusão de que o Amor não imperou, não se concretiza em nenhuma relação apesar da presença teimosa do verbo amava nos três primeiros versos do poema. Fonte

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