Licensa

22/06/2014

ENTRE SER EDUCADOR E POPULISTA - Por Hamilton Werneck

O educador é quem se apresenta como uma autoridade em sala de aula, seja pela sua competência ao ensinar, seja enquanto envolve os alunos no processo de aprender usando linguagem adequada, seja pelos conhecimentos que apresenta e pela atitude, esta envolvendo os aspectos afetivos.
Nós não lidamos com pregos, martelos, chaves de fenda e parafusos, nós lidamos com gente em fase de formação.
Os alunos, em nossas aulas, observam nossas atitudes e as copiam. O professor, sendo uma autoridade constituída pela escola e aceita pelas famílias é o representante legítimo para continuar o processo de educação que as famílias não conseguem abarcar numa sociedade em transformações e acelerações.

Freinet: Fonte de inspiração para ser professor Por Emilia Cipriano

Se não encontrarmos respostas adequadas a todas as questões sobre educação, continuaremos a forjar almas de escravos em nossos aprendizes.” 
Célestin Freinet
A Pedagogia Freinet está centrada em quatro grandes princípios: afetividade, comunicação/documentação, autonomia e cooperação. Em sua obra destacamos afetividade como exercício que desenvolve a capacidade de um sujeito em se deixar afetar pelo outro, a comunicação dialógica integrando conhecimentos e relações,autonomia e cooperação que se complementam entre si para a construção do ser social.

21/06/2014

Quadrilha - Drummond

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

O poema Quadrilha faz parte do primeiro volume lírico de Drummond intitulado Alguma Poesia de 1930. É, por excelência, um livro modernista. 
Este poema é um epigrama, ou seja, uma composição breve e “picante” chamada também, pelos modernistas de “poema piada”. O registro linguístico é coloquial, aproximando-se da narração, da prosa. Possui uma elasticidade no ritmo e o esquema métrico é irregular. O poema tem uma única estrofe e é uma radiografia da hipocrisia mundana. O tom é brincalhão. Na leitura de Francisco Achcar, o poema apresenta uma serialização de desencontros amorosos, através de associações ligadas aos nomes próprios. Organizam-se em dois grupos que se opõem mutuamente: um composto pelos prenomes detentores da ação de amar e frustrados na ação de casar, e Lili com J. Pinto Fernandes, frustrados na ação de amar e detentores da ação de casar. 
No grupo dos prenomes associam-se qualidades como intimidade, pessoalidade, amor e não casamento e, no grupo de Lili e J. Pinto Fernandes associam-se qualidades de não-intimidade, não-amor e casamento.
No texto aparecem três pares hipoteticamente vinculados entre si devido à negação reversa do não-amor de um dos casais da sequência de personagens envolvidos na trama. O único par verdadeiro é Lili e J.Pinto Fernandez e com este desfecho restabelece a conclusão de que o Amor não imperou, não se concretiza em nenhuma relação apesar da presença teimosa do verbo amava nos três primeiros versos do poema. Fonte

Zé Wilker, Zé de Abreu e outros "Josés" recitam Drummond

Em comemoração aos seus 110 anos, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) é tema da Festa Literária Internacional de Paraty 2012, e também recebe homenagens de José de Abreu, José Wilker, José Mayer, José Celso e Paulo José. A pedido do UOL os atores recitaram o poema "E Agora, José?", que virou tema de muitos brasileiros e marca a fase social do poeta. Produção de Adriana de Barros, Amanda Serra e Beatriz Sartorio. Edição de Imagem: Rodrigo Bozzi Leia Mais Sobre Drummond

Fracasso - Adalgisa Nery

O vazio faz-se entre a dissonância do aflito e do manso,
Faz-se no sono e no acordar da mente,
Faz-se no riso imotivado e no pranto recolhido.
O vazio faz-se na aura da vitória e no excesso da fartura,
No supremo instante do amor e no momento que o precede.
O vazio faz-se nas vísceras,
Na procura do querer sem rumo,
No monólogo da língua virgem,
No ocaso ainda não formado
E na visão que não nos pertence.
O vazio faz-se entre fezes e urina
Com a proliferação dos homens
Que a força dos vazios desconsolos vence.

20/06/2014

Semeando quem leio

A literatura, porque se dirige ao coração, à inteligência, à imaginação e até aos sentidos, toma o homem por todos os lados; toca por isso em todos os interesses, todas as ideias, todos os sentimentos; influi no indivíduo como na sociedade, na família como na praça pública; dispõe os espíritos; determina certas correntes de opinião; combate ou abre caminho a certas tendências; e não é muito dizer que é ela quem prepara o berço aonde se há-de receber esse misterioso filho do tempo - o futuro.


Antero de Quental 
In Prosas da Época de Coimbra, 1982 
Org. Sá da Costa

Dígrafo - Por RUBEM ALVES

A literatura, como o corpo da pessoa amada, não é objeto de conhecimento científico; é objeto de prazer
Uma das minhas alegrias são as cartas que recebo das crianças. Escrevem-me a propósito de meus livros infantis. Alegro-me sabendo que esses livros, além de dar prazer, fazem as crianças pensar. As crianças me entendem. Meu filósofo mais querido, Nietzsche, escrevia para adultos eruditos, e eles não o entendiam. Desanimado com a estupidez dos adultos, ele escreveu: "Gosto de me assentar aqui, onde as crianças brincam, ao lado da parede em ruínas, entre espinhos e papoulas vermelhas. Para as crianças, sou ainda um sábio; e também para os espinhos e as papoulas vermelhas". Os adultos não o entendiam porque ele escrevia como criança.
Pois eu recebi carta de um menininho. Não vou revelar o nome dele para não comprometê-lo perante a professora. Li a cartinha dele tantas vezes que já a sei de cor. Transcrevo: "Prezado Rubem (...). Li o seu livro "O Patinho que Não Aprendeu a Voar'. Eu gostei, porque aprendi que liberdade é fazer o que se quer muito mesmo. Escreva para mim. E eu tenho uma professora demais. Com todos os livros que a gente lê, ela manda fazer ditados, encontrar palavras com dígrafo, encontro consonantal e encontro vocálico".
Minha alegria inicial foi interrompida por um estremecimento de horror: eu não sei o que é dígrafo! Meu Deus! Ele, um menininho de 9 anos, já sabe. E eu não. O dígrafo tem de ser coisa muito importante, essencial, para ter sido incluído no currículo de um menininho de 9 anos. Com certeza, é preciso conhecê-lo para ser iniciado nos prazeres da leitura, a única coisa que importa.
E eu não sabia disso. Não sei o que é dígrafo. Duvido da minha competência literária. É certo que Guimarães Rosa, Adélia Prado e Manoel de Barros, ao escrever, tinham de ter sempre presente na consciência a importância dos dígrafos. E o pior: recusei-me a saber o que é dígrafo quando uma professora tentou salvar-me da minha ignorância.
Meu pensamento é poético. Recusa-se a andar em linha reta. Dança, deleita-se em analogias. Apareceu-me logo uma analogia de natureza sexual, provocada por Roland Barthes, que liga a escritura ao erotismo: o texto como objeto de prazer, cujo manual de delícias, seu "Kama Sutra", há de ser aprendido. O par de amantes está abraçado, corpos e almas incendiados pelo desejo. A mão do amante desliza vagarosa pela pele lisa da amada. Mas ele, professor de anatomia, em virtude dos seus saberes científicos e dos seus hábitos, em vez de ir recitando docemente textos do "Cântico dos Cânticos" ou poemas eróticos de Drummond, não pode resistir à compulsão de enunciar os nomes científicos dos músculos do corpo da amada. Assim termina uma noite que poderia ter sido uma noite de amor. A ciência triunfa -ele não errou nem um nome-, mas o amor fracassa.
Pois é isso que acontece naquela aula em que as crianças aprendem não os prazeres do texto, mas os nomes anatômicos de sua gramática. Há uma razão para isso: o prazer da leitura de um texto não pode ser avaliado. É coisa subjetiva. Não é científico. Mas dígrafos, encontros consonantais e vocálicos, sim. A professora, coitada, não é culpada. Ela sabe que sua função é cumprir ordens que vêm de cima, dos especialistas. Há um programa a seguir. Ela obedece. Já nem se atreve a pensar.
Wittgenstein diz que o sentido de uma palavra é o uso que dela se faz. Quais os usos possíveis da palavra "dígrafo"? Não serve para erotizar o texto. Não torna o texto mais saboroso nem aumenta a gula literária do aluno. O texto não fica mais claro quando seus dígrafos são grifados. Tentei imaginar uma conversa inteligente em que a palavra "dígrafo" entrasse. Não consegui formular uma única frase humana.
Quando eu estudei, acho que o termo "dígrafo" ainda não havia sido inventado por algum gramático. Mas os infinitamente variados nomes da análise sintática já existiam. A inventividade dos gramáticos não tem fim! Estudei muito a análise sintática. Sofri tanto que, naquele tempo, escrevi num relatório para o colégio em que estudei, o Andrews, no Rio, que eu queria ser engenheiro; eu era bom em matemática, mas não gostava das coisas da língua. A análise sintática me ensinou a ter raiva da literatura. Só muito mais tarde, depois de esquecer tudo o que aprendera na análise sintática, aprendi as delícias da língua. Aí, parei de falar os nomes anatômicos dos músculos da amada. Lia e me entregava ao puro gozo de ler.
Acho que as escolas terão realizado sua missão se forem capazes de desenvolver nos alunos o prazer da leitura. Ele é o pressuposto de tudo mais. Quem ama ler tem nas mãos as chaves do mundo. Mas o que vejo acontecendo é o contrário. São raríssimos os casos de amor à leitura desenvolvido nas aulas de estudo formal da língua.
Paul Goodman, controvertido pensador norte-americano, diz: "Nunca soube de nenhum método para ensinar literatura que não terminasse por matá-la. Parece que a sobrevivência do gosto pela literatura tem dependido de milagres aleatórios, que estão ficando cada vez menos frequentes".
Vendem-se, nas livrarias, livros com resumos das obras literárias que caem nos vestibulares. Quem aprende resumos de obras para passar no vestibular aprende mais que isso: aprende a odiar a literatura. Esta, como o corpo da pessoa amada, não é objeto de conhecimentos científicos; é objeto de prazer.
Sonho com o dia em que as crianças que lêem meus livrinhos não terão de grifar dígrafos e em que o conhecimento das obras literárias não será objeto de exames vestibulares: os livros serão lidos pelo simples prazer da leitura.

Rubem Alves, 64, educador, escritor e psicanalista, é professor emérito da Universidade Estadual de Campinas. É autor de "Entre a Ciência e a Sapiência: o Dilema da Educação" (Edições Loyola), entre outras obras.

19/06/2014

O Artista Inconfessável - João Cabral de Melo Neto

O artista inconfessável, coletânea inédita publicada pela Alfaguara, forma uma espécie de autobiografia poética de João Cabral de Melo Neto, revelando a faceta mais familiar e intimista desse autor, que nos legou uma obra de referência literária.
Há poemas que tratam de sua infância, no interior de Pernambuco, convivendo com trabalhadores dos canaviais no engenho da família, em São Lourenço da Mata; suas férias com os primos e o dia em que nasceu, com sua mãe tendo de se deslocar da fazenda para Recife; há relatos de juventude, poemas sobre a descoberta da literatura e sobre viagens mundo afora, feitas como diplomata pelo Itamaraty.
Esta antologia reúne também poemas escritos na Espanha, principalmente em Sevilha e Barcelona, cidades nas quais viveu em diversos períodos da vida. Juntos, esses fragmentos de memória, descrições profundas, esculpidas com beleza e rigor, nos remetem a figuras consagradas na poesia de João Cabral - o engenho, a cana, o rio Capibaribe, as paisagens catalãs -, formando um rico mosaico da vida desse que é considerado um dos maiores escritores brasileiros do século XX. Fonte

O Artista Inconfessável 

Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre fazer e não fazer
mais vale o inútil do fazer.
Mas não, fazer para esquecer
que é inútil: nunca o esquecer.
Mas fazer o inútil sabendo
que ele é inútil e que seu sentido
não será sequer pressentido,
fazer: porque ele é mais difícil
do que não fazer, e dificilmente se poderá dizer
com mais desdém, ou então dizer
mais direto ao leitor Ninguém
que o feito o foi para ninguém.

15/06/2014

A Lição da Borboleta

Um homem, certo dia, viu surgir uma pequena abertura num casulo. Sentou-se perto do local onde o casulo se apoiava e ficou a observar o que iria acontecer, como é que a lagarta conseguiria sair por um orifício tão miúdo. Mas logo lhe pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso, como se tivesse feito todo o esforço possível e agora não conseguisse mais prosseguir. Ele resolveu então ajuda-la: pegou uma tesoura e rompeu o restante do casulo. A borboleta pôde sair com toda a facilidade... mas seu corpo estava murcho; além disso, era pequena e tinha as asas amassadas.

O homem continuou a observá-la porque esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e se estendessem para serem capazes de suportar o corpo que iria se firmar a tempo. Nada aconteceu! Na verdade a borboleta passou o restante de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Nunca foi capaz de voar.

O que o homem em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura eram o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo daquele pequenino inseto circulasse até suas asas para que ela ficasse pronta para voar assim que se livrasse daquele invólucro.

Algumas vezes o esforço é justamente aquilo de que precisamos em nossa vida. Se Deus nos permitisse passar através da existência sem quaisquer obstáculos, Ele nos condenaria a uma vida atrofiada. Não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nunca poderíamos alçar voo.

Fonte: "Para que minha vida se transforme"- Maria Salette e Wilma Ruggeri - Editora Verus

Análise da canção “Valsinha” de Vinícius de Moraes e Chico Buarque de Holanda



Valsinha
(1971)
Composição: Chico Buarque e Vinícius de Moraes
Interpretação: Chico Buarque 
Música lançada em 1971 no LP "Construção" de Chico Buarque, teve outras gravações posteriormente. Francisco Buarque de Hollanda nasceu no Rio de Janeiro em 19/06/1944, mas viveu sua infância, adolescência e juventude em São Paulo. Teve ótima educação cultural de sua família, pois seu pai, o historiador Sérgio Buarque de Hollanda recebia inúmeros intelectuais em sua casa onde Chico pode conviver com tais pessoas. Chico também estudou no Colégio Santa Cruz, um dos melhores de São Paulo, com forte influência para estudos sociais, assim como cursou a FAU Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, na época forte reduto de estudos voltados para os problemas sociais do Brasil. Participou de inúmeros espetáculos teatrais, filmes e mais recentemente dedica-se à literatura tendo escrito várias obras de sucesso. Compôs mais de duzentas músicas, fazendo tanto letra como música, solo e com os mais importantes compositores brasileiros. É um dos mais importantes compositores brasileiros de música popular.
Vinicius de Moraes (Marcus Vinícius da Cruz de Melo Morais) é considerado o intelectual brasileiro mais influente e participativo da moderna música popular brasileira. Carioca, nascido na Gávea em 19 de outubro de 1913, formou-se em Direito já praticando sua vocação poética. Em 1946 passou a trabalhar no Itamarati. Atuou diplomaticamente em Paris e Roma onde frequentou a casa do escritor Sérgio Buarque de Holanda (pai do Chico) então trabalhando na Itália. Autor de mais de trezentas letras de músicas e algumas melodias também. Fonte

# Muita gente usa, mas pouca gente sabe pra que serve.

Você já deve ter visto alguma vez uma hashtag no Twitter. São aquelas palavras precedidas de um símbolo # (jogo da velha). #Exemplo. Um pequeno pedaço de código criado para que as pessoas possam se referir a um determinado assunto, entrar em uma discussão sobre este assunto e interagir com as pessoas que estão falando com a mesma Hashtag.
E pra que serve uma hashtag?
Uma característica interessante das hashtags é que elas se transformam em link para uma busca por outras hashtags. Por exemplo, ao clicar em uma hashtag chamada #fmreporter, você poderá ver todos os tweets que possuem a mesma hashtag. Isso é útil quando os usuários desejam saber se as pessoas estão falando sobre esse tema como um assunto relevante ou não. 
Entendeu? Então a gente explica e simplifica...
Suponhamos que você esteja ouvindo o FM Repórter e uma matéria te chamou atenção. Você posta o seu comentário junto com a hashtag #fmreporter... é uma situação! Com isso, o link criado pela hashtag vai permitir que outros usuários busquem outros tweets relacionados com o FM Repórter naquele instante.
Resumindo: Seu tweet após ser enviado poderá ser visto por muitos e não só por seus seguidores. Isso ajuda quem procura pessoas que tenham interesses em comum. 
Agora, vamos a decepção para muitos... você já reparou que algumas pessoas utilizam a hashtag também no Facebook ?
Sinto dizer que é absolutamente em vão utilizar a HashTag no Facebook pois ele não lê a Hashtag. O que ocorreu foi que muitos usuários do Twitter vieram para o Facebook mas mantiveram o hábito que escrever sobre alguma coisa e colocar a #hashtag como forma de marcar o que eles estão falando, por exemplo: ”Cheguei exausto do trabalho hoje, o dia foi muito intenso. #mortodecansada. Ou ainda os populares: #ficaadica ou #partiu... não serve para absolutamente “nada”
Em outros casos, as pessoas começam a escrever porque viram aquilo em algum lugar e acharam interessante. Aliás, isso é um grande problema nesse nosso novo mundo virtual... Qualquer boato pode se espalhar de forma viral e costumes sem sentido pode virar um modismo.
Como você pode perceber o personagem acima utilizou a Hashtag #mortodecansado para resumir ou exemplificar a frase dele, porém, a hashtag se utilizada no Facebook não tem nenhuma funcionalidade pois você nunca irá conseguir encontrar pessoas que estão falando sobre aquele determinado assunto no facebook. Fonte

14/06/2014

Laço

Meu Deus! Como é engraçado!
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço… uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.


É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando…
devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.


Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.


Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.


E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso…
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!

- Mário Quintana -

VIVER A VIDA

"Se eu pudesse novamente viver a vida...
Na próxima...trataria de cometer mais erros...
Não tentaria ser tão perfeito...
Relaxaria mais...
Teria menos pressa e menos medo.
Daria mais valor secundário às coisas secundárias.
Na verdade bem menos coisas levaria a sério.
Seria muito mais alegre do que fui.
Só na alegria existe vida.
Seria mais espontâneo...correria mais riscos, viajaria mais.
Contemplaria mais entardeceres...
Subiria mais montanhas...
Nadaria mais rios...
Seria mais ousado...pois a ousadia move o mundo.
Iria a mais lugares onde nunca fui.
Tomaria mais sorvete e menos sopa...
Teria menos problemas reais...e nenhum imaginário.
Eu fui dessas pessoas que vivem preocupadamente
Cada minuto de sua vida.
Claro que tive momentos de alegria...
Mas se eu pudesse voltar a viver, tentaria viver somente bons momentos.
Nunca perca o agora.
Mesmo porque nada nos garante que estaremos vivos amanhã de manhã.
Eu era destes que não ia a lugar algum sem um termômetro...
Uma bolsa de água quente, um guarda chuvas ou um paraquedas...
Se eu voltasse a viver...viajaria mais leve.
Não levaria comigo nada que fosse apenas um fardo.
Se eu voltasse a viver
Começaria a andar descalço no início da primavera e...
continuaria até o final do outono.
Jamais experimentaria os sentimentos de culpa ou de ódio.
Teria amado mais a liberdade e teria mais amores do que tive.
Viveria cada dia como se fosse um prêmio
E como se fosse o último.
Daria mais voltas em minha rua, contemplaria mais amanheceres e
Brincaria mais do que brinquei.
Teria descoberto mais cedo que só o prazer nos livra da loucura.
Tentaria uma coisa mais nova a cada dia.
Se tivesse outra vez a vida pela frente.
Mas como sabem...
Tenho 88 anos e sei que...estou morrendo."

Jorge Luiz Borges

Quando tudo for pedra... Atire a primeira flor.

Quando tudo parecer caminhar errado,
Seja você a tentar o primeiro passo certo.
Se tudo parecer escuro, se nada puder ser visto,
Acenda você a primeira luz.
Traga para a treva você primeiro a pequena lâmpada.

Quando todos estiverem chorando,
Tente você o primeiro sorriso.
Talvez não na forma de lábios sorridentes,
Mas na de um coração que compreenda,
De braços que confortem.

Quando ninguém souber coisa alguma
E você souber um pouquinho,
Seja o primeiro a ensinar.
Começando por aprender você mesmo,
Corrigindo-se a si mesmo.

Quando a terra estiver seca
Que sua mão seja a primeira a regá-la.
Quando a flor se sufocar na urze e no espinho,
Que sua mão seja a primeira a separar o joio,
A arrancar a praga,
A afagar a pétala,
A acariciar a flor.

Se a porta estiver fechada
Dê você a primeira chave.
Se o vento sopra frio,
Que o calor de sua lareira
Seja a primeira proteção e primeiro abrigo.

Não atire a primeira pedra em quem erra.
De acusadores, o mundo esta cheio.
Nem por outro lado, aplauda o erro,
Dentro em pouco a ovação será ensurdecedora.

Ofereça sua mão primeiro para levantar quem caiu.
Sua atenção primeiro para aquele que foi esquecido,
Seja você o primeiro para aquele que não tem ninguém.

Quando tudo for espinho
Atire a primeira flor,
Seja o primeiro a mostrar que há caminho de volta.
Compreendendo que o perdão regenera,
Que a compreensão edifica,
Que o auxilio possibilita,
Que o entendimento reconstrói.
Atire você,
Quando tudo for pedra,
A primeira e decisiva flor...

Versos de entreter-se - Ferreira Gullar


À vida falta uma parte
- seria o lado de fora -
pra que se visse passar
ao mesmo tempo que passa

e no final fosse apenas
um tempo de que se acorda
não um sono sem resposta

À vida falta uma porta.

11/06/2014

A descoberta da Língua Escrita

De acordo com o professor Claudemir Belintane, professor Livre-docente da USP e pesquisador na área de linguagem, Élie Bajard oferece no livro "Da escuta de textos à leitura" “um excelente embasamento teórico a essas práticas, como também, a partir de criteriosas observações de mediadores em que a criança assume o universo do livro. Seguindo rigorosamente a ideia de que ler se aprende lendo, o autor utiliza-se da literatura infantil brasileira como um campo fértil e propício às suas propostas, que além de rigorosas, lúdicas e inteligentes, são perfeitamente possíveis”. 
Segundo a pesquisadora e presidente do Projeto Arrastão, professora Vera Masagão, “encontramos no reconhecido educador Élie Bajard o parceiro ideal para um desafio do tamanho da nossa história. Sempre enxergamos que o ato de aprender se dava no cotidiano, e não somente dentro da sala de aula. Por isso, acreditamos que todo lugar é um espaço educacional e que todas as situações são momentos de aprender. Em "A descoberta da Língua Escrita", temos a oportunidade de acompanhar de perto uma das mais importantes experiências desenvolvidas no Projeto Arrastão sobre a leitura e os processos de aprendizagem. Uma aventura inesquecível pelos primeiros passos da educação”! Fonte
No dia seis de março de dois mil e treze aconteceu o lançamento do livro "A descoberta da língua escrita". Um livro escrito por Élie Bajard, doutor em Linguística, trabalhou na formação de professores na França e na Argélia. No Brasil, na qualidade de adido linguístico da Embaixada da França, foi consultor no Ministério da Educação (MEC) de 1990 a 1994. Nesse período, desenvolveu o Projeto Pró-Leitura, implantado em doze Estados, que visa a formação de professores na área da aprendizagem da escrita, fundamentada na prática do livro. Trabalhou no Marrocos na formação de professores em áreas rurais. Professor convidado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), realizou pesquisas em bibliotecas escolares interativas. Foi consultor da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Hoje atua em ONGs dedicadas a descoberta do livro de literatura infanto juvenil por crianças oriundas de famílias excluídas da cultura escrita e em instituições voltadas para a aprendizagem da escrita pela comunidade surda. É autor dos livros Le jeu dramatique (CRDP); Caminhos da escrita: espaços de aprendizagem; Da escuta de textos a leitura; Ler e dizer: compreensão e comunicação do texto escrito, publicados pela Cortez Editora.

09/06/2014

A verdadeira humildade é o equilíbrio.

A humildade representa o pólo oposto da soberba. E o que é pólo oposto pertence ao mesmo eixo. Como pode o pólo oposto de um eixo não se contaminar? Mesmo quando algo se opõe, faz parte do sistema do qual é oposição – é assim na política, por exemplo. A humildade como anulação do ego sempre pretende o reconhecimento ou o mérito. Ela é “nobre” por contrariar a soberba e assim, acaba se afirmando… mas tudo o que se afirma se destaca e de algum modo exalta-se, logo não é humildade plena.
Já o equilíbrio, não visa nem o reconhecimento nem o aplauso.
O equilíbrio não busca nada dos dois pólos. Ele aceita a vitória mas não comemora nem se sente superior. O equilíbrio sabe ter modéstia. Vive a necessidade de compreender suas limitações e falhas em silêncio.
O verdadeiro equilíbrio passa despercebido. A vitória em si é a humildade, a anulação do ego. O equilíbrio é silencioso, não é comemorado e, na humildade verdadeira, não é compreendido. Fonte

08/06/2014

PEDAÇOS DE MIM - Por Martha Medeiros

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante

Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir, para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.

05/06/2014

"Filtro solar": a autora por trás do sucesso e controvérsias sobre créditos autorais

Um dos maiores problemas de uma criação cultural, assim como invenções de qualquer espécie, é o de ser disseminada e reconhecida, principalmente em grande escala, por outra pessoa sem o devido crédito ao autor. Mais grave ainda, é deixar que a repercussão alcance esferas globais sem esclarecer de forma veemente a origem do produto e se beneficiar de um conteúdo de qualidade na base do vampirismo.
Algo parecido aconteceu há alguns anos com Pedro Bial e o famoso texto “Filtro Solar”. O texto, uma mensagem otimista para o futuro, foi exibido no último Fantástico de 2003 e, antes do anúncio do vídeo produzido e narrado por Bial, Renata Ceribelli menciona que o mesmo era de autoria de uma cronista americana. Assim mesmo, sem nome, sem qualquer outra referência e, de uma hora pra outra, o texto da “desconhecida” virou mania nacional à época. Até hoje, a grande maioria das pessoas não tem idéia de que o texto não é original, que não foi escrito pelo jornalista que, aliás, tem talento reconhecido no meio, menos quando se aventura a escrever alguma crônica insólita (para dizer o menos). Basta fazer uma busca com os termos “filtro solar” no YouTube para se dar conta de que Mary Schmich fez um aporte generoso e involuntário à carreira de Bial. Não que ele precisasse, mas deve ter sido bem-vindo.
A “estreia” de Filtro Solar no Brasil, o texto já havia sido lido por Antônio Abujamra para uma peça de teatro
Verdade seja dita, Bial produziu o CD Filtro Solar, da Sony Music, com este e outros textos com o mesmo mote, e também associou o seu nome ao de Mary Schmich no livro Filtro Solar, da editora Sextante, de autoria da escritora e tradução do jornalista. O único “if” é que o sucesso foi estrondoso e o crédito à Mary ganhou menos espaço que o merecido. Obras traduzidas, compiladas e versadas para o português de material estrangeiro há aos montes, mas todos sabem que Harry Potter foi escrito por J. K. Rowling e têm pouca idéia de quem o traduz para a edição brasileira – o que, de fato, é primorosamente realizado por Lia Wyler, com o auxílio ocasional da própria Rowling que admira o seu trabalho. A diferença entre Bial e Lia dispensa comentários.
A Mary o que é de Mary
Em 1º. de junho de 1997, Mary Schmich escreveu uma crônica que ficou conhecida como Wear Sunscreen ou Sunscreen Speech, para o Chicago Tribune, na qual incitava as pessoas a viverem sem arrependimentos e cujo tema seria um conselho que ela daria se alguém lhe perguntasse. O curioso é que parece que Mary estaria fadada a ter sua obra equivocadamente atribuída a outras pessoas, antes que se firmasse de fato como a autora legítima do discurso. Assim que a crônica foi publicada, começou a circular na internet como se fosse de autoria do escritor Kurt Vonnegut, para um discurso de abertura no MIT (Massachusetts Institute of Technology). Quando procurado pelos jornalistas para pronunciar-se sobre o caso, Vonnegut disse ao jornal The New York Times: “O que ela escreveu foi engraçado, esperto e lindo, eu estaria orgulhoso se as palavras tivessem sido minhas”. Em 1998, o texto foi transformado em música sob a direção do australiano Baz Luhrmann (o mesmo do musical Moulin Rouge) e a partir de então se transformou no discurso oficial de cerimônias de formatura pelos Estados Unidos. Chegava finalmente o reconhecimento, ao menos nos países de língua inglesa. Formada em jornalismo pela renomada Stanford, Mary ainda trabalha como colunista do jornal de Chicago e é atualmente a responsável pelo texto da famosa tira Brenda Starr. Fonte