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25/05/2014

Pessoas que evoluem com as dificuldades - Por José Manuel Moran

Conheço pessoas que passaram por muitas dificuldades e saíram delas mais fortalecidas. Conheço outras que, diante das mesmas dificuldades, desanimaram, fugiram, desistiram ou se acomodaram.
Há pessoas lutadoras, proativas, que procuram avançar nas circunstâncias mais adversas, nos fracassos, perdas, traições. Enquanto outras se perdem, se frustram, não reagem, fogem. Uns lutam, outros desistem; uns tentam novos caminhos, outros procuram pretextos e culpados.

Cada pessoa tem sua história, circunstâncias, influências, valores e razões. Mas, objetivamente, são mais as que desistem que as que persistem; as que se acomodam que as que empreendem, arriscam, evoluem.

É difícil compreender e prever por que as mesmas circunstâncias provocam reações tão diferentes, por que as mesmas informações são trabalhadas de formas tão diversas, por que o que para uns é um desafio que os estimula, para outros é um obstáculo que os imobiliza.

Quanto mais avançamos em idade, mais visíveis se tornam as diferenças nas atitudes diante da vida. Algumas pessoas idosas são encantadoras, atraentes, proativas, cheias de vida e planos. Dá gosto conviver com elas. Mesmo com dificuldades físicas, não se queixam, procuram não dar trabalho, tentam ser independentes até o limite extremo. Infelizmente vemos muitas outras que passam mais tempo se queixando do que vivendo; lamentando que construindo, remoendo do que superando.

A velhice se constrói desde jovem. As atitudes profundas diante da vida, diante de si mesmo e dos outros, nos ajudam a construir percursos interessantes ou frustrantes. Não são as experiências que definem como evoluímos, mas como as enfrentamos. Muitos jovens envelhecem rapidamente por dentro, por uma visão imediatista, autocentrada de mundo. As pessoas mais generosas, abertas e confiantes conseguem encontrar melhores respostas, superar melhor os obstáculos, conviver com gente mais interessante e ter uma qualidade de vida mais plena.

É decepcionante perceber quão grande é o número de pessoas que não conseguem enxergar muito além do básico, que não desfrutam de experiências ricas de convivência, de realização e plenitude em todas as dimensões.
Há pessoas que remoem mágoas por décadas, que não esquecem nem perdoam, que cortam laços com pessoas íntimas e não reveem suas decisões. Outras não se perdoam por alguns fracassos, perdas ou abandonos.

Todos temos as informações e os meios de superar obstáculos. Mesmo nas circunstâncias mais complicadas, uns encontram forças para superar-se, para reerguer-se, para fortalecer-se, enquanto outros, tudo é difícil, complicado, intransponível. É triste constatar como se enredam em teias complicadas que os envolvem, os atormentam, os asfixiam. Com o tempo se conformam, entregam, desistem e perdem inúmeras chances de mudar.

A vida passa rápido, nos dá chances de aprender com o erro e as dificuldades. Os que aprendem com eles, conseguem avançar mais e realizar-se cada vez mais. 

Ampliação do tema Aprendemos com as dificuldades,
do meu livro Aprendendo a Viver, 6ª Ed. SP, Paulinas, 2011, p. 23-24

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