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19/03/2014

Algumas reflexões sobre formação de leitores

 

Ler é inteirar-se de outras proposições,
é confrontar-se com outros destinos,
é transformar-se a partir da experiência
vivenciada pelo outro e referendada
pelo fruidor. Existe, pois, ação educativa
maior do que esta de formar leitores?
Bartolomeu Campos de Queirós

A leitura para quem ainda não “aprendeu a ler”
Quando ainda não sabem ler, as crianças já conhecem muita coisa sobre a leitura. Sabem que os familiares interagem com os sinais escritos para alcançar objetivos os mais diversos, que para elas se apresentam em materialidades que nós, os adultos, denominamos suportes. Os objetos requerem dos leitores uma atenção especial que a criança ainda não capta plenamente, embora já assimile algumas de suas funções. Sabe, por exemplo, que alguns daqueles objetos orientam o ir e vir nas ruas; outros conduzem tarefas que fazem parte da rotina diária dos adultos; mostram textos e imagens e ainda permitem que o adulto escreva. As crianças participam desses eventos de letramento e acabam por assimilar muitos comportamentos relacionados à leitura, sem, no entanto, serem capazes de decifrar o que os sinais, que se confundem com desenhos, significam. Tudo isso indica que, muito antes de iniciado o processo de alfabetização, a criança já vem desenvolvendo conhecimentos a respeito da cultura escrita, fase importante que deve ser considerada no processo que chamamos “formação de leitores”. Convém ressaltar que esse processo pode ser menos ou mais intenso na vida das crianças, segundo os espaços e ambientes de convivência e do que neles ocorre em termos de contato com a escrita, o que torna essa fase pré-escolar ainda mais relevante para quem participa como agente dessa formação.
No processo de socialização com professores e colegas em ambiente escolar, as experiências com a escrita, pouco a pouco ampliadas, podem ser redimensionadas, alterando a percepção que as crianças construíram sobre a leitura e suas funções. Na Educação Infantil, primeira fase de socialização escolar, textos escritos já circulam, mesmo que não haja a intenção de se ensinar a ler. Descartar o contato com a linguagem escrita, nessa fase, seria falsear a presença que ela já tem na vida dessas crianças. Fonte

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