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08/12/2013

Nobel da Paz, Mandela era pai de uma pátria com sua luta pela igualdade

Street art South Africa
O repórter Renato Ribeiro, que morou na África do Sul, conta que pode perceber o que Mandela significava para os sul-africanos. Uma palavra comum em vários idiomas resume bem o espírito de Mandela. Ela pode ser traduzida como "sentir que você pertence à humanidade, que todos são seus irmãos. É tudo de bom que se pode desejar ao próximo".
Nasceu em um país em ser que negro significava estar condenado a uma vida de humilhações. Morreu como um homem livre, como um heroi que libertou e uniu seu povo.
O nome: Rolihala Mandela. A terra natal: Mvezo, uma vila na província do Cabo Oriental. Pertencia ao clã dos Madiba, forma como acabaria sendo carinhosamente chamado pelo povo.
Depois que seu pai morreu, ainda menino, se mudou com a mãe para uma vila vizinha - Qunu. Foi nessa aldeia que passou a frequentar a escola e ganhou outro nome, uma tradição da época. Os professores trocavam os nomes africanos por ingleses. Virou Nelson Mandela.
Sempre acreditou no poder transformador da educação. Foi o primeiro de sua tribo a ir para escola, e estudou Direito. A África do Sul já era independente, e governada por descendentes de britânicos e holandeses, uma minoria branca que já tentava impedir a ascensão dos negros.
Em 1948, o que era preconceito virou política de estado. Nascia um dos maiores horrores do século XX: o apartheid, a segregação racial. Os cidadãos eram registrados de acordo com a raça e casamentos mistos eram crimes. Os negros tiveram propriedades confiscadas e eram obrigados a viver em áreas determinadas. Não podiam frequentar os mesmos lugares dos brancos.
O advogado Mandela virou um dos líderes da luta contra o apartheid. Foi morar em Joanesburgo, no distrito de Soweto, o local que ficou famoso como símbolo de resistência ao regime. Acabou preso e em 1964 foi condenado a prisão perpétua.
Foi para a prisão da Ilha de Robben, na Cidade do Cabo. Era o prisioneiro 46664. Vivia em uma cela mínima e ficou 21 anos sem sequer tocar nas mãos da mulher Winnie. As visitas eram sempre com um vidro entre eles.
Em 1989, Frederik de Klerk foi eleito presidente e acelerou as mudanças. Em 11 de fevereiro de 1990, Mandela foi libertado. Deixou a prisão onde há uma estátua em sua homenagem.
Caminhou por uma pequena rua até a beira de uma estrada, onde milhares de pessoas o aguardavam. Daquele dia em diante, a África do Sul nunca mais foi a mesma.
Livre, teve dois desafios: conduzir com o governo a redação de uma nova Constituição com direitos plenos para todos e convencer os negros a não adotarem uma política de vingança contra os brancos.
Pela transição sem violência, de Klerk e Mandela dividiram o Nobel da Paz em 1993. Um ano depois, ele foi eleito o primeiro negro presidente da África do Sul. O país ganhou uma nova bandeira e um novo hino: ‘Deus Salve a África’.
Em 1995, Mandela usou o rugby, esporte preferido dos brancos, para promover a união do país. A África do Sul foi campeã do mundo em casa, e a conquista virou um símbolo da nova nação multiracial.
Ao contrário de outros líderes do continente africano, ao terminar o mandato, recusou a reeleição e se engajou na luta contra a AIDS, doença que hoje atinge um em cada dez sul-africanos e que matou um dos filhos de Mandela.
Em 2004 deixou a vida pública, mas em 2009, fez questão de participar da eleição presidencial. Apoiou Jacob Zuma e, mesmo doente, foi votar. A última aparição pública foi na final da Copa de 2010, quando foi ovacionado por 90 mil pessoas.
Em vez do revanchismo, o perdão. Em vez da perseguição, a conciliação. Nelson Mandela transformou a África do Sul. Criou a nação arco-íris, de todas as cores, de todas as raças. Virou o pai da pátria, o libertador de um povo.
Em sua autobiografia, o último parágrafo é uma mensagem aos sul-africanos: “Eu caminhei essa longa estrada para a liberdade. Mas eu descobri que depois de escalar uma grande montanha, há outras montanhas a serem vencidas. Eu descansei por um instante para apreciar a incrível vista que me cercava. Olhei para trás e vi a distância que percorri. Mas só posso descansar por um momento. Porque com a liberdade vêm outras responsabilidades. E sequer me atrevo a demorar a continuar. A minha caminhada ainda não terminou. Fonte
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