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18/11/2013

Zé Wilker, Zé de Abreu e outros "Josés" recitam Drummond

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"Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida"

Em outubro, Drummond completaria 110 anos. Mas para o poeta, crítico e professor de Literatura Brasileira da Universidade de São Paulo (USP) Alcides Villaça, a efeméride pouco importa. "Cento e dez anos não quer dizer nada diante do legado gigantesco de Drummond", diz Villaça, que fará parte de uma das mesas sobre o poeta. "Sua importância como poeta já ultrapassou os limites nacionais, universalizando-se e consagrando sua poesia como uma das mais expressivas e representativas."
Alcides conta que Drummond era capaz de abrigar diversas facetas. Assim, ele exorcizava a solidão diante dos excessos do mundo e sua desconfiança profunda pelo moderno. "As faces se misturam, compõem uma personalidade complexa e miram-se para um espelho de altas exigências", analisa o crítico. "Esse espelho serve para todos."
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E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José?

Fase social do poeta

Inspirada pelo Brasil da década de 50, que buscava o progresso, pelas consequências da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) e pela ditadura militar brasileira (1964-1985), a poesia do escritor de Itabira (MG) oscila entre a roça e o elevador, entre o mítico e o cotidiano, entre o clássico e a experimentação. "A relativização dos valores e dos dogmas, temas principais de quem considera a modernidade, é uma força da obra de Drummond", explica o professor Alcides. "Ele não parecia alimentar qualquer ilusão quanto à evolução humana".

Reservado e desinteressado pela fama, o funcionário público preferia se comunicar com os amigos por carta, como fez durante anos com o escritor paulistano Mário de Andrade. "Ele parecia gostar de gente como gostava do mundo, de preferência mediado por palavras", justifica Alcides. "Exceção feita às moças bonitas, claro."
Casado com Dolores Dutra de Morais por mais de 60 anos, até sua morte em 1987, Drummond manteve um caso com Lygia Fernandes, sua amante por 36 anos. O romance era conhecido por todos, mas nunca foi assumido pelo poeta. Fonte

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