Licensa

29/10/2013

Caminhando e vivendo - Por Cláudio Rizzo

Cris Cassol | via Facebook
Não tenha na vida desânimo ou desilusão.

Se sentir cansaço, remeta teu pensamento para as ondas do mar que não se cansam de bater na praia num movimento sem fim;

Pense em todas as coisas que te rodeiam, onde vive, onde dorme, onde se alimenta, nas pessoas que tem relacionamento, procure lembrar da maioria, faça um esforço e compare tudo o que tem com aqueles que nada tem. Neste momento com tranquilidade e sem nenhuma pressa, reflita sobre os seus valores;

Talvez por não reconhecer o devido valor naquilo que já possui, sinta uma angustia causada pela distancia daquilo que deseja, pois tens a impressão de que o que deseja é o que falta para curar aquilo que te deixa vazio e sem razão;

Pense como é bom talvez não se privar de certas coisas;

Pense como é bom ter o sol para aquecer teu corpo; ter a brisa para massagear o seu rosto; ter uma flor para vislumbrar sua beleza e sentir seu perfume; ter a natureza para trazer energia, luz e encantamento;

Pense como é bom estar vivo, e como é bom viver. Como é bom estar aqui.
Um presente divino que deve ser agradecido de todo coração a cada momento, a cada instante, por toda sua existência;

Se estiver se sentindo diminuído e constrangido com as pressões que o modelo humano impõe, reflita com discernimento que tudo foi feito com falhas próprias da pessoa, com seus vícios e fraquezas, e remeta seu pensamento ao universo, ao Criador, o Senhor de todas as coisas, e neste momento agradeça por toda riqueza que lhe foi ofertada cujo valor ultrapassa qualquer pensamento, e cuja magnitude é incalculável com uma beleza e perfeição que torna numa simples comparação, qualquer infortúnio numa escala tão pequena, tão insignificante, bem perto do desprezível;

Afaste de sua alma o sentimento de vingança e de revanche;

Afaste a injúria, a mentira e a inveja, pois elas tiram á sinceridade de um coração;

Faça reflexão como forma de identificar, para poder combater com um bom combate, estas doenças da alma;

E em todos os casos trabalhe; 

Trabalhe como os pássaros incansáveis para construção do seu ninho, na manifestação de construção do lar e da geração, na inspiração da construção da sua alma com princípios e valores, com amor, com Deus;

Trabalhe para dignificar sua própria obra;

Senão conseguir construir monumentos ou estatuas em sua memória, construa apenas seu exemplo, a obra da sua vida, a estrutura simples, mais sólida de uma família, do seu ser, do seu intimo;

Desta forma estará sem duvida contribuindo generosamente tanto quanto os grandes feitores para o desenvolvimento do mundo e da humanidade, que precisa de você;

Faça o seu universo - você, composto dos elementos da terra e do espaço, se transformar num ser humano a caminho do perfeito, um verdadeiro templo de Deus, uma obra de amor em Jesus;

Não profane este templo com vícios e maldade. Jamais dê as costas aos miseráveis, doentes, idosos e necessitados, estenda tua mão com o que puder para amenizar uma dor, nem que seja com uma simples palavra ou com tua presença amiga;

Afaste-se dos perturbados de pensamento e de idéias, pois eles transtornam o seu dia de realizações. A eles destine suas orações; 

Deixe onde passar e transitar a semente da concórdia, do amor e da construção;

Plante o amor acima de qualquer ideal, acredite na sua força em harmonia com o próprio universo;

Não perca o tempo da vida respondendo as línguas venenosas e mentirosas. Estará dando importância a algo tão pequeno e mesquinho, e que se tornará forte se der a sua atenção;

Afaste do seu convívio aquele que fala do outro, pois dele e desta língua nunca terá nenhuma ventura, nenhuma luz. Ao dar ouvidos estará semeando e preparando o próximo assunto que será você;

Afaste a ignorância plantando orientação e ensinamento, entretanto não se precipite no convívio com ela, pois ela é forte como a espada e tão mortal quanto á mesma; 

Afaste os ímpios e os falantes sem rumo, afaste o que bate no peito e diz: eu sou, eu posso, pois dele só terá constrangimento e vazio. Sentirá desconforto na sua alma.

Esteja certo que quem pode, quem é, e quem faz existe sem exaltação, pois a humildade é a benção da sabedoria;

Afaste aquele que engana, pois não terá nenhuma segurança ou equilíbrio para qualquer intenção em conjunto;

Afaste aquele que diz: eu mato, eu me vingo, eu castigo, deles só sentirá dor. Certamente irá ferir a sua alma trazendo negativismo, trevas e sombras;

Acredite e valorize sua vida reconhecendo o quanto é necessário para o mundo;

Acredite que você é a partícula, a célula viva e inteligente cuja importância transcende sua forma física, estética e tudo que é material, pois foi agraciado pelo amor de Jesus, filho do criador, e, portanto a razão de tudo existir;

Respire com profundidade o ar que é teu; 
Beba da água que é tua;
Coma os frutos e o alimento que são teus;

Trabalhe na terra do qual seu corpo faz parte;

Abençoe, tolere, ame teu próximo, pois ele é você em corpo e energia;

Preserve e ame a Natureza, pois ela é sua. Um presente do Criador para nossa vida;

Pense em como conviver; Pense como é rico, pois é herdeiro do Universo;

Agradeça pela vida e por tudo que conseguiu a cada dia e destine tudo para Deus;

Participe da vida sempre e intensamente; Reflita que idade é o estado da sua alma e não seu tempo de vida;

Prepare teu caminho como um verdadeiro noivo que se prepara para o seu casamento;

Prepare seu encontro com Deus, ele é certo e não pode ser adiado;

Afaste a tristeza de seus trilhos, pois ela deprime a alma e enfraquece os ideais;

Chore, e não se envergonhe de chorar, pois as lagrimas são como a chuva que rega o pomar para gerar mais frutos, elas serão o símbolo daquilo que esta sendo purificado e guardado.

Não viva de lembranças, pois quem se insere no passado esquece de viver o presente;

Tenha este passado apenas como referência de ensinamentos e aprendizagem, viva sim o presente e construa o futuro sem ganância, sem precipitação, pois o tempo é relativo.

Lembre-se que o futuro de ontem é o presente de hoje, como diz o velho adágio.

Não tenha medo da vida nunca, pois você é a parte mais importante dela; você é a razão de tudo existir; é a razão de estarmos aqui, faz parte da razão, faz parte do universo, faz parte da essência do próprio criador.

Se emocione, encha seus olhos de lagrimas quando ler ou ouvir estas palavras:

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém chega ao Pai senão por mim”.

“Eu sou o Pão da Vida, quem se alimenta de mim nunca sentirá fome”.

Se teu coração assim o fizer estará inserido no verdadeiro amor, e com ele e para ele faça a sua jornada próspera, leve, pois Jesus com seu sacrifício já aliviou todo o fardo das nossas almas.

Este é o seu compromisso, seu destino, seu direcionamento, o de continuar caminhando e vivendo feliz e se preparando para o grande e inevitável momento , aquilo que esta reservado para todos nós, o encontro com Deus.

AS VERDADES - Por Totty

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O que mais sofremos no mundo:
Não é a dificuldade. 
É o desânimo em superá-la.
Não é a provação. 
É o desespero diante do sofrimento
Não é a doença. 
É o pavor de recebê-la
Não é o parente infeliz. 
É a mágoa de tê-lo na equipe familiar.
Não é o fracasso. 
É a teimosia de não reconhecer os próprios erros.
Não é a ingratidão. 
É a incapacidade de amar sem egoísmo.
Não é a própria pequenez. 
É a revolta contra a superioridade dos outros.
Não é a injúria. 
É o orgulho ferido.
Não é a tentação. 
É a volúpia de experimentar-lhe os alvitres.
Não é a velhice do corpo. 
É a paixão pelas aparências.
Como é fácil de perceber que, 
na solução de qualquer problema, 
o pior problema é a carga de aflição que criamos, 
desenvolvemos e sustentamos contra nós mesmos.

Texto Antidepressivo - Por Xavier Francisco Cândido

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Quando você se observar, à beira do desânimo, acelere o passo para frente, proibindo-se parar. 
Ore, pedindo a Deus mais luz para vencer as sombras. 
Faça algo de bom, além do cansaço em que se veja. 
Leia uma página edificante, que lhe auxilie o raciocínio na mudança construtiva de ideias. 
Tente contato de pessoas, cuja conversação lhe melhore o clima espiritual. 
Procure um ambiente, no qual lhe seja possível ouvir palavras e instruções que lhe enobreçam os pensamentos. 
Preste um favor, especialmente aquele favor que você esteja adiando. 
Visite um enfermo, buscando reconforto naqueles que atravessam dificuldades maiores que as suas. 
Atenda às tarefas imediatas que esperam por você e que lhe impeçam qualquer demora nas nuvens do desalento. 
Guarde a convicção de que todos estamos caminhando para adiante, através de problemas e lutas, na aquisição de experiência, e de que a vida concorda com as pausas de refazimento das nossas forças, mas não se acomoda com a inércia em momento algum.

Ânimo - Por Francisco Cândido Xavier

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Não desanimes. Persiste mais um tanto.
Não cultives o pessimismo.
Centraliza-te no bem a fazer.
Esquece as sugestões do medo destrutivo.
Segue adiante, mesmo varando 
a sombra dos próprios erros.
Avança ainda que seja por entre lágrimas.
Trabalha constantemente. Edifica sempre.
Não consintas que o gelo do desencanto 
te entorpeça o coração.
Não te impressiones à dificuldade.
Convence-te de que a vitória espiritual 
é construção para o dia a dia.
Não desistas da paciência.
Não creias em realização sem esforço.
Silêncio para a injúria.
Olvido para o mal.
Perdão às ofensas.
Recorda que os agressores são doentes.
Não permitas que os irmãos desequilibrados te 
destruam o trabalho ou te apaguem a esperança.
Não menosprezes o dever que a consciência 
te impõe. Se te enganaste em algum trecho 
do caminho, Reajusta a própria visão e 
procura o rumo certo.
Não contes vantagens nem fracassos.
Estuda buscando aprender.
Não se voltes contra ninguém.
Não dramatizes provações ou problemas.
Conserva o hábito da oração para que 
se te faça luz na vida íntima.
Resguarda-te em Deus e persevera no trabalho 
que Deus te confiou.
Ama sempre, fazendo pelos outros 
o melhor que possas realizar.
Age auxiliando. Serve sem apego.
E assim vencerás.

27/10/2013

Marcos Linhares fala sobre o livro "Cartas ao poeta dormindo"

Jornalista escreveu livro com uma entrevista inédita e reveladora, e ainda, cartas escritas ao poeta João Cabral de Melo Neto
Jornalista maranhense, mas radicado em Brasília, Marcos Linhares, lançou neste mês de setembro o livro "Cartas ao poeta dormindo", em homenagem ao poeta João Cabral de Melo Neto. Marcos conta no livro com uma entrevista inédita e reveladora do homenageado. Além disso, personalidades brasileiras e lusitanas como Arnaldo Niskier, Heródoto Barbeiro, Miriam Leitão, Cristovam Buarque, José Pacheco, Miguel Sousa Tavares e outras foram convidadas para escrever cartas sobre a vida do poeta. Confira no player, a entrevista com o autor Marcos Linhares ao programa Espaço Arte, da Rádio Nacional de Brasília.
Produtor

17/10/2013

Aos que vierem depois de nós - Bertolt Brecht (Tradução de Manuel Bandeira)

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Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar. 

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranquilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
[(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.
Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles. 
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra. 
Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.
Íamos, com efeito,
mudando mais frequentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.
E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.

Poema dos Dons - Jorge Luis Borges

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Quero dar graças ao Divino
Labirinto dos efeitos e das causas
Pela diversidade das criaturas
Que formam este singular universo,
Pela razão, que não cessará de sonhar
Com um plano do labirinto,
Pelo rosto de Helena e a perseverança de Ulisses,
Pelo amor que nos deixa ver os outros
Tal como os vê a divindade,
Pelo firme diamante e pela água solta,
Pela álgebra, palácio de precisos cristais,
Pelas místicas moedas de Ângelus Silesius,
Por Schopenhauer,
Que talvez tenha decifrado o universo,
Pelo fulgor do fogo Que nenhum ser humano pode olhar sem
um assombro antigo,
Pela carnaúba, o cedro e o sândalo,
Pelo pão e pelo sal,
Pelo mistério da rosa,
Que prodiga cor e que não a vê,
Por certas vésperas e dias de 1955,
Pelos rijos tropeiros que na planura
Arreiam os animais e a aurora,
Pelas manhãs de Montevidéu,
Pela arte da amizade,
Pelo último dia de Sócrates,
Pelas palavras que num crepúsculo foram ditas
De uma cruz a outra cruz,
Por aquele sonho do Islã que abarcou
Mil noites e uma noite,
Por aquele outro sonho do inferno,
Da torre do fogo que purifica
E das estrelas gloriosas,
Por Swedenborg,
Que conversava com os anjos nas ruas de Londres,
Pelos rios secretos e imemoriais
Que convergem em mim, Pelo idioma que, faz séculos, falei
na Nortúmbria,
Pela espada e pela harpa dos saxões,
Pelo mar, que é um deserto resplandecente
E um número de coisas que não sabemos,
Pela música verbal da Inglaterra,
Pela música verbal da Alemanha,
Pelo ouro, que resplende nos versos,
Pelo épico inverno, Pelo título de um livro que não li: ‘Gesta Dei per Francos’,
Por Verlaine, inocente como os pássaros,
Pelo prisma de cristal e o pêndulo de bronze,
Pelas listras do tigre, Pelas altas torres de São Francisco e da Ilha de Manhattan,
Pela manhã no Texas,
Por aquele sevilhano que redigiu a Epístola Moral
E cujo nome, como ele teria preferido, ignoramos,
Por Sêneca e Lucano, de Córdoba,
Que antes do espanhol escreveram Toda a literatura espanhola,
Pelo jogo de xadrez, geométrico e bizarro,
Pela tartaruga de Zenão e o mapa de Royce,
Pelo cheiro medicinal dos eucaliptos,
Pela linguagem, que pode simular a sapiência, Pelo esquecimento, que anula ou modifica o passado,
Pelo hábito,
Que nos repete e confirma como um espelho,
Pela manhã, que nos depara a ilusão de um começo,
Pela noite, sua treva e sua astronomia,
Pela coragem e a felicidade dos outros,
Pela pátria, percebida nos jasmins
Ou numa espada velha, Por Whitman e Francisco de Assis, que já escreveram o poema,
Pelo fato de que o poema é inesgotável
E se confunde com a soma das criaturas
E não chegará jamais ao último verso
E varia como os homens, Por Frances Haslam, que pediu perdão a seus filhos
Por morrer tão devagar,
Pelos minutos que precedem o sono,
Pelo sono e a morte,
Esses dois tesouros ocultos,
Pelos íntimos dons que não enumero, 
Pela música, misteriosa forma do tempo.

Vista cansada - Otto Lara Resende

Eyes
Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa ideia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.

Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

Texto publicado no jornal “Folha de S. Paulo”, edição de 23 de fevereiro de 1992.

Mais sobre Otto Lara Resende e sua obra em "Biografias".

15/10/2013

Ser professor!

É buscar dentro de cada um de nós forças para prosseguir, mesmo com toda pressão, toda tensão, toda falta de tempo...
Esse é nosso exercício diário!
Ser professor (a) é se alimentar do conhecimento e fazer de si mesmo (a) janela aberta para o outro.
Ser professor (a) é formar gerações, propiciar o questionamento e abrir as portas do saber.
Ser professor (a) é lutar pela transformação...
É formar e transformar, através das letras, das artes, dos números...
Ser professor (a) é conhecer os limites do outro.
E, ainda assim, acreditar que ele seja capaz...
Ser professor (a) é também reconhecer que todos os dias são feitos para aprender...
Sempre um pouco mais...
Ser professor (a)
É saber que o sonho é possível...
É sonhar com a sociedade melhor...
Inclusiva...
Onde todos possam ter acesso ao saber...
Ser professor (a) é também reconhecer que somos, acima de tudo, seres humanos, e que temos licença para rir, chorar, esbravejar.
Porque assim também ajudamos a pensar e construir o mundo.
Todos os dias do ano são seus, professor(a)!
Parabéns!

Os Benefícios da Música Clássica - Luciano Cesa

Fotografiando el sonido.
Desde a antiguidade, a música é utilizada para o bem-estar, elevação espiritual, fins nobres ou terapêuticos. Escritos de mais de 4000 anos na China, Índia, Egito e outros povos relatam isso. Platão (427 a.C.) já afirmava que “A música é o remédio da alma” e que podia transformar o homem e toda a sociedade.
Nos dias atuais comprovam-se, pelas pesquisas científicas, os benefícios que a música clássica, e também músicas instrumentais suaves proporcionam. Elas podem atuar no corpo e mente, como auxiliares no tratamento de várias doenças e também ajudam a melhoram nosso QI .
A música clássica é um meio de restaurar a harmonia do corpo, da alma, e da elevação da nossa consciência. Ela pode ser também auxiliar no combate à negatividade, ao stress e à desequilíbrios psicossomáticos.
A música elevada pode restabelecer a serenidade da mente, pois atua no ritmo e na frequência de nosso corpo. Em ritmos lentos, o corpo escuta-o, e pulsa de acordo com ele, reduzindo o ritmo agitado em que estava. Isso produz um efeito de massagem sonora, diminuindo as tensões.
A boa música atua diretamente no subconsciente, trazendo harmonização e sentimentos elevados, e favorecendo a cura em geral, afirma Dr. Márcio Bontempo. As mudanças que a boa música pode produzir são muito profundas, transcendem a nossa compreensão e podem produzir mudanças até mesmo a nível celular e no DNA, modificando aspectos sutis que desconhecemos.
Também o som de instrumentos musicais como o de pianos, violinos, sopros, etc.., trazem efeitos benéficos para harmonização da saúde física e emocional, de acordo com um estudo realizado pelo psiquiatra inglês, Robert Schauffer.
No Japão, o cientista Dr. Masaru Emoto, realizou uma experiência tocando músicas clássicas próximas à moléculas de água. Em análise microscópica, provou que as moléculas da água se agruparam em forma de belas mandalas. Outra parcela da água, colocada próxima ao som de ritmos de baixa vibração, como o rock, apresentaram formas distorcidas ao serem analisadas no microscópio.
Além dos benefícios citados, certos tipos de música têm um poder adicional de atrair energias elevadas, atuando nos níveis emocional e energético, auxiliando na obtenção de pensamentos e sentimentos elevados.
A música clássica pode também favorecer a um estado de paz, bem-estar e harmonia durante nossas atividades diárias, eliminando padrões negativos de pensamento quando escutadas com frequência. O livro Sons Musicais cita: “A música pode fazer pela alma o que nenhuma atividade perceptível aos sentidos pode realizar” (p.51).
Segundo alguns autores, os grandes compositores teriam sido inspirados a trazer estas melodias que revolucionaram, desde a sua criação, e produziram uma mudança positiva nos padrões desarmônicos vigentes da época.
A Guru e escritora esotérica, Elizabeth Clare Prophet, diz: “Eu alerto a todos que procuram ser verdadeiramente alquimistas do espírito, a procurar as músicas clássicas dos maiores compositores do mundo: Beethoven, Bach, Wagner, Liszt, Mozart (...) e muitos outros.”. (P. Sab. v.13, Nº8) 
Estudos constataram que jovens que passaram a escutar músicas clássicas apresentaram melhor capacidade de concentração e aproveitamento nos estudos. O Centro de Pesquisas e Aplicações Psicomusicais da França comprovou o grande efeito benéfico que algumas músicas clássicas produziam como fundos musicais nos ambientes de trabalho. A produtividade aumentou quando passaram a escutar músicas clássicas no trabalho.
Em muitos hospitais dos Estados Unidos utiliza-se a música clássica como auxiliar na cura dos pacientes. As gestantes que escutaram música clássica na gravidez apresentaram uma gestação mais tranquila e os bebês tiveram uma infância mais saudável.
Em experimentos com plantas colocadas ao som de músicas clássicas, constatou-se uma melhora do desenvolvimento das plantas. O mesmo experimento foi realizado com animais, que apresentaram um comportamento positivo à escuta destas músicas, em comparação à outros tipos de ritmos. Enfim existem milhares de experimentos e centenas de livros que atestam estas afirmações.
Se a música clássica traz tantos benefícios, concluímos que a inclusão de sua escuta, no dia a dia, é algo valioso e imprescindível. Devemos, portanto, adquirir este hábito tão saudável a fim de obter uma vida melhor e mais saudável.
Além das músicas clássicas, as valsas vienenses são o ritmo que auxilia na transmutação e energização de pessoas e ambientes. Também são recomendadas ou consideradas neutras, de modo geral (pois há exceções): músicas religiosas, corais, mantras, orientais tradicionais, étnicas, instrumentais suaves, new-age, folclóricas, regionais, marchas, canções populares com letras edificantes; enfim, músicas que elevem a consciência e tragam bem-estar.
De modo contrário, ritmos como o rock, funk e similares; dance e ritmos agressivos atuais, trazem grande nocividade ao corpo e mente, dentre eles; o baixo rendimento escolar, os distúrbios psicológicos e danos à saúde.
As notas-chave podem também ser usadas para relaxamento, ajudando no combate a distúrbios como stress. Sugerimos a escuta de músicas suaves como: Sonata ao Luar; Estrela Vespertina e Parsifal, de Wagner; Ária em G, de Bach; Ave Maria, de Schubert; O Cisne; e tantas outras...
Coloque-se num local apropriado, relaxe e medite, respirando suave e profundamente, durante todo o tempo, com a mente livre de pensamentos. Deixe-se envolver pelas melodias tocadas repetidamente; visualize-se banhado por esta luz sonora que preenche as suas células e o energiza.
Sinta uma profunda sensação de relaxamento, paz e harmonia. Eleve seu pensamento a Deus e visualize-o derramando luz e bênçãos sobre você e sobre as pessoas com quem você convive. Sinta-se envolvido pelo amor Divino, e pelo Espírito Santo, purificando- o, restaurando sua energia e curando-o nos níveis físico e espiritual.
Eleve-se em prece e sinta que esse amor o envolve por completo, em todas as tuas células. Sinta-se uma parte importante da vida; feliz e merecedor de toda a abundância e paz do Universo. Louve e agradeça a Deus por tudo que recebe a cada dia. Permaneça assim por alguns minutos diariamente, meditando pensamentos elevados e visualizando situações positivas em todos aspectos de sua vida.
Com a persistência, estudo e prática, poderemos sentir resultados cada vez melhores. Assim, desejamos que a música o auxilie a obter uma vida com mais paz, harmonia, e com todo o amor e bênçãos que Deus deseja lhe dar. Fonte

13/10/2013

Verdades da Profissão de Professor

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Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.
A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.
Paulo Freire

Rubem Alves Fala sobre a Escola da Ponte - Projeto Âncora: uma experiência brasileira

Carta de Princípios 
Primeiramente, é preciso esclarecer, se usamos a palavra educador subvertemos em muito seu significado. Educador não é sinônimo de professor ou mestre, não diz respeito àquele que dá aulas, que transmite ensinamentos prontos em uma sala fechada. Entendemos que a aprendizagem se dá na vida e na prática, e não fora dela, que é no encontro com o mundo e com os outros que se faz necessária. Portanto, todos que participam do Projeto Âncora, qualquer que seja a função específica que exerça – administrativa, operacional, pedagógica – é igualmente responsável pelo educando e igualmente considerado educador. 
Não entendemos a escola como um local de acúmulo de conteúdos teóricos, mas um espaço de humanização onde a criança é convidada a vivenciar, experimentar junto, os conhecimentos, as diversas formas de compreender e estar no mundo que a cerca. Um local que propicie oportunidades para desenvolver suas habilidades sociais, críticas, enfim, sua autonomia. 
Não acreditamos em um sistema educacional que funciona somente na medida em que homogeneíza, que impõe metas e expectativas gerais, ignorando as especificidades de cada um. Se não somos todos iguais por que temos que aprender do mesmo modo, ao mesmo tempo, por que tratar as crianças como recipientes vazios, que devem ser preenchidos por conteúdos? Não compactuamos com um modelo que exige, que força cada criança e cada jovem a se adequar a uma idealização, mediana e abstrata, do que deveria vir a ser um aluno. 
Para nós, cada criança é um indivíduo único e deve ser tratado como tal, não nos interessam as padronizações convencionais, idade, séries, gênero. O que nos importa são seus interesses, suas necessidades. Descobrir e encorajar suas aptidões e potencialidades, respeitando sempre sua história e sua cultura. 
Visamos um ideal quase perdido de educação: aprender sem paredes, no convívio sincero com outros. O educador do Âncora implode a tradicional relação hierárquica entre mestre e discípulo. O aprender se faz junto, na troca de experiências, de ideias, de gostos e de sonhos. 
O educador aqui pensa a educação, critica seu trabalho, entende que aquilo que sempre foi feito, ou que a maioria faz, não é automaticamente correto e nem suficiente. Põe sua prática, suas atitudes, seu método em questão, busca se livrar das formas caducas de educação que ainda estão tão incutidas na maioria de nós. 
Temos como princípio os cinco valores Âncora e como meta, justamente, o desenvolvimento da autonomia, a do educando e a nossa própria. Nossos valores: 
Respeito 
Na relação com o educando, sua especificidade, sua história e sua família, por isso não serão padronizados apertados em modelos, em níveis predefinidos. 
O respeito também se manifesta na relação os outros da equipe, independente da função que desempenhe, cumprindo suas obrigações e assumindo sempre seu papel dentro do grupo sem se desviar das decisões e das situações adversas. 
Solidariedade 
As formas cada vez mais desertificadas de sociedade, as distâncias avassaladoras que separaram tantos lugares vizinhos, o modo de viver sempre voltado para dentro e para si, são paredes que precisamos também derrubar. É preciso realmente enxergar a quem olhamos. Cada criança é uma criança com necessidades especiais, cada família é um núcleo que precisa de amparo e de atenção. 
Primordial é enxergar cada uma das crianças com as quais convivemos, suas necessidades, suas carências. Todas passam por dificuldades, sofrimentos e o educador não pode fechar os olhos para isso, como também não pode ignorar as suas alegrias e nem suas conquistas. 
Da mesma forma, o nosso trabalho em equipe prima por essa atenção ao outro. Não há dúvidas quanto à dificuldade e a exigência da nossa tarefa e não temos ilusões: tal qual os educandos, também somos em constante construção e movimento. Temos, por isso, que estar atentos a nós mesmos e aos nossos colegas, acolher e amparar sempre que alguém precisar, com humildade e carinho. 
O educador é solidário também com as famílias, busca manter uma relação de empatia, conhecendo sua história, pesando as dificuldades e as realidades que são tão díspares e por vezes tão duras. Suprimindo, ao máximo, um julgamento e uma postura condenativa, o educador, ao contrário, almeja maneiras para auxiliá-las e confortá-las. 
Afetividade 
É a postura basilar, o que evita a crítica ofensiva, a ajuda humilhante e a orientação depreciativa. É a chave para construir as relações de confiança e parceria que buscamos, tanto com os educandos, suas famílias e quanto com os membros da equipe. 
Honestidade 
A honestidade se revela com os educandos no não privilégio dos educadores: as regras e os acordos valem para todos, tanto para o adulto quanto para a criança, tanto para os pais como para os funcionários. Na medida em que o educador respeita os que o cercam busca tratá-los com a verdade. 
Também na relação com as famílias, o desenvolvimento de seus filhos é apresentado sempre com honestidade, sem atenuantes ou exageros. Entendemos que é direito dos responsáveis das crianças escolherem, conhecerem e opinarem sobre as formas e os métodos utilizados pelos educadores. 
Para que o trabalho que almejamos se concretize é fundamental que a relação entre os educadores seja pautada na confiança: uma das nossas premissas é que não se pode educar na solidão, pois é uma atividade que exige contato, apoio, incentivo mútuo, diversidade. Desta forma, a honestidade entre a equipe é uma exigência. 
Responsabilidade 
Como dissemos, nossa meta é a autonomia, portanto responsabilidade não se limita apenas ao cumprimento dos deveres e das funções. Muito mais do que isso, o educador no nosso projeto é responsável por tomar decisões, iniciativas, elaborar críticas construtivas e buscar constantemente melhorias, novas ideias, novos caminhos. 
Seja qual for a função específica que exerce no Projeto Âncora o educador tem sempre em mente que sua responsabilidade primordial é com a criança, seu bem estar, sua proteção, sua humanização e seu desenvolvimento nos mais diversos âmbitos. 
O educador do Âncora tem a convicção de que não se ensina aquilo que se sabe, mas aquilo que se é.

Projeto Âncora:

José Datrino, Profeta de Gentileza

No dia 17 de dezembro de 1961 ocorreu um fenomenal incêndio do Circo Norte-americano em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, vitimando cerca de 500 pessoas. Tal fato, como nos tempos bíblicos, serviu de estopim para o surgimento de um profeta, o Profeta Gentileza que no dia 11 de abril celebraria, se vivo fosse, 90 anos. José Datrino era seu nome, caminhoneiro do bairro Guadalupe no Rio de Janeiro. Seis dias após, véspera do Natal, por volta da 13 horas, enquanto descarregava um caminhão, confessou ter ouvido por três vezes uma mensagem divina: deveria abandonar os três caminhões, casa, terrenos e família e ir logo para ao local do incêndio "para ser o consolador de todos os que perderam seus entes queridos". Tomou um dos caminhões, carregou-o com duas pipas de vinho de cem litros e foi a Niterói para cumprir sua missão. Distribuiu vinho em copinhos de plástico sob uma condição: que todos pedissem "por gentileza" e não "por favor" e que dissessem "agradecido" em vez de "muito obrigado". Aqui está a essência de sua mensagem, "gentileza" e "agradecido". 
Passa a vestir-se com uma bata branca cheia de apliques, com um bastão, um longo estandarte com suas mensagens, encimado por flores para lembrar o jardim do Eden e cataventos para arejar as mentes, como dizia. Instalou-se no local do incêndio, aplainou-o, transformando-o num jardim florido. Dormia no caminhão. Por quatro anos consolou a todos que iam ao local chorar de seus mortos dizendo-lhes: "o corpo está morto mas o espírito deles está em Deus".
Depois de quatro anos, percorreu o pais, o nordeste e o norte, pregando "Gentileza" e "Agradecido". Por fim fixou-se no Rio percorrendo a cidade com seu evangelho da gentileza, como um Dom Quixote bizarro mas que conquistou a simpatia de todos, cantado por músicos e artistas, até morrer em 1996 em Mirandópolis, São Paulo. Foram 35 anos de coerente missão profética. Esta figura nos sugere algumas reflexões.
O Profeta Gentileza nos confirma o fato religioso que não se inscreve no âmbito da razão analítica mas da inteligência emocional onde ocorre "o sentimento oceânico" como dizia o romancista Romain Roland se contrapondo a Freud. No Profeta Gentileza aparece uma mística trinitária, rara na história cristã, do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ele sempre acrescenta uma quarto elemento feminino, a natureza ou Maria. C.G. Jung mostrou que o 3 e o 4 não devem ser vistos como números mas como arquétipos: o 3 de uma totalidade para dentro e o 4 de uma totalidade para fora. Eles dizem a Trindade cristã em si (o 3) e o Reino da Trindade que incluiu a criação (o 4). 
Como todo profeta, Gentileza denuncia e anuncia. Denuncia este mundo, regido "pelo capeta capital que vende tudo e destrói tudo". Vê no circo destruído uma metáfora do circomundo que também será destruído  Mas anuncia a "gentileza que é o remédio para todos os males". Deus é "Gentileza porque é Beleza, Perfeição, Bondade, Riqueza, a Natureza, nosso Pai Criador". Um refrão sempre volta, especialmente nas 56 pilastras com inscrições na entrada da rodoviária Novo Rio no Caju: "Gentileza gera gentileza, amor". Convida a todos a serem gentis e agradecidos. Na verdade, anuncia um antídoto à brutalidade de nosso sistema de relações. É precursor, sob a linguagem popular e religiosa, de um novo paradigma civilizatório urgente em toda a humanidade. 
O movimento Rio com Gentileza, articulado pelo Prof. Guelman, visa a gestar gentileza na cidade marcada pela violência. É o que precisamos para com a natureza e para com a humanidade se quisermos que ainda tenhamos futuro. Fonte
Sua infância
Nascido em Cafelândia-SP, no dia 11 de abril de 1917. Com mais nove irmãos, José Datrino teve uma infância de muito trabalho, na qual lidava diretamente com a terra e com os animais. Para ajudar a família, puxava carroça vendendo lenha nas proximidades. O campo ensinou a José Datrino a amansar burros para o transporte de carga. Tempos depois, como profeta Gentileza, se dizia “amansador dos burros homens da cidade que não tinham esclarecimento”. Desde sua infância José Datrino era possuidor de um comportamento atípico. Por volta dos doze anos de idade, passou a ter premonições sobre sua missão na terra, na qual acreditava que um dia, depois de constituir família, filhos e bens, deixaria tudo em prol de sua missão. Este comportamento causou preocupação em seus pais, que chegaram a suspeitar que o filho sofria de algum tipo de loucura, chegando a buscar ajuda em curandeiros espirituais.
Os murais
A partir de 1980, escolheu 56 pilastras do Viaduto do Caju, que vai do Cemitério do Caju até a Rodoviária Novo Rio, numa extensão de aproximadamente 1,5 km. Ele encheu as pilastras do viaduto com inscrições em verde-amarelo propondo sua crítica do mundo e sua alternativa ao mal-estar da civilização. Durante a Eco-92, o Profeta Gentileza colocava-se estrategicamente no lugar por onde passavam os representantes dos povos e incitava-os a viverem a gentileza e a aplicarem gentileza em toda a Terra.

Profeta Gentileza nas artes

Gentileza foi homenageado na música pelo compositor Gonzaguinha, nos anos 1980; e também pela cantora Marisa Monte, nos anos 1990. As duas canções levam o nome Gentileza.
A canção de Gonzaguinha mostrava uma homenagem ao profeta, como se vê no trecho: “Feito louco / Pelas ruas / Com sua fé / Gentileza / O profeta / E as palavras / Calmamente / Semeando / O amor / À vida / Aos humanos”. A canção de Marisa Monte, por sua vez, além de incentivar os valores pregados pelo profeta (no trecho “Nós que passamos apressados / Pelas ruas da cidade / Merecemos ler as letras / E as palavras de Gentileza”), retrata os danos ocorridos contra os murais, como diz o trecho: “Apagaram tudo / Pintaram tudo de cinza / Só ficou no muro / Tristeza e tinta fresca.”.
No ano de 2000, na cidade de Mirandópolis (SP), onde o profeta está enterrado, foi criada a primeira ONG da cidade: Gentileza Gera Gentileza, fundada por parentes e amigos que admiravam a filosofia de vida do Profeta. A ONG, além de lembrar a pessoa de José Datrino (Profeta Gentileza), em sua criação, tinha a missão de difundir educação e cultura em toda a região. Vários eventos foram feitos, como: Saraus mensais itinerantes, Encontros de Corais, Tardes Culturais para Crianças no Bosque da cidade, Participações em Eventos Escolares e um evento anual denominado “Gentileza Gera Gentileza”, com música, teatro, poesia e dança, entre outros.
Este ano (2009), o profeta Gentileza está sendo interpretado pelo ator Paulo José em Caminho das Índias, nova novela das 21h da Rede Globo, de autoria de Glória Perez, que aborda, entre outros temas, a loucura em seus vários aspectos – inclusive o social. Fonte