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02/06/2013

Focar mais os valores na educação

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Avançamos mais lentamente na educação do que em outras áreas da nossa sociedade. A maior parte das instituições na educação presencial e a distância, apesar de algumas melhorias, prefere repetir do que arriscar. Os currículos são excessivamente rígidos e reducionistas, com disciplinas isoladas e baixa interação. O foco ainda se mantém na transmissão de informações, em preparar os alunos para o vestibular ou para uma profissão, sem a preocupação com a formação integral deles como pessoas, com uma discussão ampla sobre valores, atitudes e comportamentos.

Na educação “a” distância este problema é mais gritante. Como a produção costuma ser mais em equipe, o especialista prepara os materiais sobre os temas do curso, e outros profissionais adéquam esses temas a um padrão de leitura e acessibilidade; depois tutores orientam os alunos nas dúvidas e os alunos são avaliados sobre o conteúdo transmitido. Como o processo costuma ser mais impessoal, a avaliação é mais centrada em respostas certas e em conteúdos determinados. Com isso, deixam-se de lado as dimensões mais abrangentes da formação como a investigativa, a afetiva, a ética e a comunicacional.

Predomina ainda a pedagogia baseada em certezas. Quando damos tudo pronto, mostrando a resposta correta, contribuímos para falsear a relação dos alunos com o conhecimento. Quando escrevemos tudo com clareza e objetividade, mascaramos o processo de compreensão do mundo e de nós mesmos, que é penoso, ambíguo e mutável. Por isso, na pedagogia, não podemos destacar só o que é certo, mas criar situações de desafio, que possibilitem validar mais de um caminho e mais de uma escolha. Quando privilegiamos o conhecimento intelectual e focamos mais a certeza do que a incerteza, não preparamos os alunos para a vida.

A educação "a" distância (prefiro, sem distância) é uma modalidade de educação e tem que assegurar que o aluno receba uma formação ampla, atual e integral como em qualquer outro tipo de oferta educativa. Os projetos pedagógicos mais avançados focam mais a formação ampla do aluno, a relação teoria e prática, o aprender por desafios ou competências e a avaliação formativa. 

Existem cursos presenciais e a distância em que os alunos trabalham com desafios de aprendizagem individualmente ou em pequenos grupos. Esses desafios partem de situações reais, de problemas, de projetos e são realizados em etapas, que unem pesquisa e colaboração. Os alunos fazem pesquisas concretas, entrevistas e análises adaptadas à realidade em que vivem e trabalham e propõem soluções ou alternativas possíveis. A colaboração acontece em alguns momentos de forma presencial, mas a maior parte do tempo se faz na Internet por ferramentas de comunicação como chat, fórum ou webconferência. Ela é importante para confrontar visões diferentes, aumentar a consciência crítica, equilibrando o percurso individual e o grupal. 

A educação (presencial e a distância) pode contribuir para a formação de cidadãos, preparando-os para o mundo do trabalho - que é uma dimensão importante - mas principalmente para uma vida mais plena. Precisamos de educadores humanistas na educação on-line, que vivenciem e expressem práticas vivas de interação virtual e presencial, ouvindo, acolhendo, mediando debates, estimulando a participação efetiva e ativa de todos, gerenciando os ritmos diferentes individuais e dos grupos. O educador que mantém uma atitude acolhedora no dia a dia encontra a forma de acolher na comunicação on-line, na mediação de um chat, na gestão de um fórum, nas sessões de apresentação de pesquisas, projetos e atividades por webconferência. Na educação ainda podemos evoluir muito no desenvolvimento de situações ricas de interação, no incentivo à pesquisa individual e em grupo, na avaliação formativa ao longo do curso, no estabelecimento de vínculos, na discussão aberta de valores importantes para a sociedade.

Ensinamos e aprendemos mais e melhor – em qualquer modalidade - quando o fazemos num clima de confiança, de incentivo, de apoio, dentro de limites claros e negociados. Para isso precisamos de pessoas curiosas, motivadas, afetivas e éticas, que gostem de aprender e de praticar o que aprendem, suficientemente evoluídas para transmitir confiança, acolhimento e competência com sua presença, fala, gestos e ações no contato presencial e online. Fonte

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