Licensa

23/06/2013

FORAM MUITOS, OS PROFESSORES - Bartolomeu Campos de Queiroz

A literatura tem uma capacidade tão grande de nos renovar que o texto que escrevi ontem não me serve para o hoje.” 
Foto: Matheus Dias

Doras e Carmosinas - Fernanda Montenegro*

Há momentos em que os anos vividos nos obrigam olhar em volta e fazer uma revisão das nossas perdas e dos nossos danos. Se hoje estou sendo agraciada com a mais alta condecoração de nosso país, é porque sou resultado de muitas influências e convivências. Centenas de companheiros e personagens me formaram, me educaram e estão comigo sempre. Não me refiro só a minha família de sangue, mas principalmente à minha família de opção… 

Mas existe o antes. A infância. E – por que não? – o período da minha educação primária. Acho que é aí que tudo começa. Ao trabalhar o mundo da professora Dora de Central do Brasil, lá na infância é que fui buscar, na minha memória, as primeiras professoras que me alfabetizaram. Credenciadas, respeitadas, prestigiadas professoras primárias da minha infância. Professoras de escolas públicas que eu frequentei, no subúrbio do Rio. 

Eu me lembro especialmente com muito carinho de Dona Carmosina Campos de Meneses, que me alfabetizou. E, mais do que isso, que me ensinou a ler, o que é um degrau acima da alfabetização. Naquele tempo, as professoras ainda se chamavam Carmosinas, Afonsinas, Ondinas. Busquei na memória a figura de Dona Carmosina para me aproximar da professora Dora (para mim, personagem não é ficção). E vi como seria trágico se a minha tão prestigiada e amada Dona Carmosina viesse a se transformar, por carências existenciais e sociais, numa endurecida e miserável Dora. Foi essa visão de tantas perdas que me deu o emocional da cena final do filme quando Dora escreve “tenho saudade de tudo”.

Saudade é uma palavra forte e uma forma profunda de chamamento, de invocação. Entre Carmosina e Dora lá se vão sessenta anos. Penso que minha vocação de atriz foi sensibilizada a partir das leituras em voz alta, leituras muito exigidas, cuidadas, orgânicas, que nós alunos fazíamos usando os livros de português do antigo curso primário. As primeiras coisas que decorei na vida foram dois poemas que Dona Carmosina mandou (é essa a palavra: mandou) que decorássemos nas férias de dezembro: “Meus oito anos” de Casimiro de Abreu e “Canção do exílio” de Gonçalves Dias. Na volta das férias naquele ano de 1937, eu, mesmo tímida, envergonhada e encantada declamei: “Oh! Que saudades que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais. Que amor, que sonhos, que flores, naquelas tardes fagueiras, à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais”. Essas bananeiras e esses laranjais não eram licença poética. Os subúrbios de nossas cidades ainda não tinham sofrido essa degradação ambiental que infelizmente se fez presente com o passar dos anos. Vi muitos Brasis entre esses meus oito anos, os oito anos do poeta e essas duas mulheres: Carmosina e Dora. Vejo essa passagem de tempo, claro, com alegrias e ganhos, mas também com muitas perdas e dor. Sou atriz e confesso a minha deformação profissional: esse sentimento de perdas, essa nostalgia me ajudaram a resgatar o emocional dessa desprotegida e amarga Dora ao intuir que dentro dessas Doras desiludidas existe sempre uma Carmosina à espera de um ombro e de um socorro. 

Senhor presidente, nesta nossa confraternização de artistas e autoridades como não lembrar o milagre que a educação e a cultura produzem em todo ser humano. É este, me parece, o espírito que nos une aqui, neste espaço, e por estarmos diante da mais alta autoridade do nosso país, que é Vossa Excelência, a herança cultural da reivindicação artística e social se apresenta… Mas, Vossa Excelência é um democrata e um professor, por isso peço a Vossa Excelência me dar o direito de não resistir, mesmo porque acredito que estamos numa concordância de vontades. Senhor presidente, precisamos urgentemente de muitas, muitas Carmosinas e, se possível, nenhuma Dora. Vossa Excelência tem poder para transformar as Doras em Carmosinas. O país lhe deu esse poder. Eu tenho um sonho que certamente é também um sonho de Vossa Excelência e de muitos, muitos, muitos brasileiros. Eu tenho um sonho (parodiando o notável reverendo americano) que um dia, realmente, todas as desesperadas Doras serão resgatadas desses ônibus perdidos que atravessam esse nosso sertão de miséria e que a elas será dado nem que seja uma parcela daquele reconhecimento e respeito social das professoras Carmosinas da minha infância. Doras com visão de futuro, com autoestima, economicamente ajustadas. Professoras Doras inventivas, confiantes, confiantes no seu magistério, para que possam ser amadas como seres humanos e (por que não?) como personagens também. Muito amadas e lembradas por todos os Vinícius e todos os Josués de nosso país. Mesmo assim prefiro as Carmosinas… Que Dora compreenda e me perdoe. Vale a troca. Para o fortalecimento da nossa educação, da nossa cultura, vale a pena, senhor presidente, se a nossa alma, isto é, se a realização do sonho de todos nós, se essa realização não for pequena. Faço de Dora e Carmosina minhas companheiras neste meu agradecimento. Ignorá-las seria desprezar a minha infância e a realidade da minha, não digo velhice, mas da minha madureza.
* Transcrição do discurso feito pela atriz ao ser homenageada por sua indicação ao Oscar de melhor atriz estrangeira pelo desempenho no filme Central do Brasil.

17/06/2013

Saudade

Saudade

Saudade é solidão acompanhada, 
é quando o amor ainda não foi embora, 
mas o amado já... 

Saudade é amar um passado que ainda não passou, 
é recusar um presente que nos machuca, 
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais... 

Saudade é o inferno dos que perderam, 
é a dor dos que ficaram para trás, 
é o gosto de morte na boca dos que continuam... 

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: 
aquela que nunca amou. 

E esse é o maior dos sofrimentos: 
não ter por quem sentir saudades, 
passar pela vida e não viver. 

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Pablo Neruda

10/06/2013

Es tiempo de vivir sin miedo. (legendado)

Fotos do mural
Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos.
A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.
Es tiempo de vivir sin miedo. (legendado)
"A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais que eu; e ela não perde o que merece ser salvo."

O Direito ao Delírio - Eduardo Galeano

Fotos de Renata P. C. Rodrigues - Conscientize-se (1)
"Mesmo que não possamos adivinhar o tempo que virá, temos ao menos o direito de imaginar o que queremos que seja.
As Nações Unidas tem proclamado extensas listas de Direitos Humanos, mas a imensa maioria da humanidade não tem mais que os direitos de: ver, ouvir, calar.
Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar?
Que tal se delirarmos por um momentinho?
Ao fim do milênio vamos fixar os olhos mais para lá da infâmia para adivinhar outro mundo possível.
O ar vai estar limpo de todo veneno que não venha dos medos humanos e das paixões humanas.
As pessoas não serão dirigidas pelo automóvel, nem serão programadas pelo computador, nem serão compradas pelo supermercado, nem serão assistidas pela televisão.
A televisão deixará de ser o membro mais importante da família.
As pessoas trabalharão para viver em lugar de viver para trabalhar.
Se incorporará aos Códigos Penais o delito de estupidez que cometem os que vivem por ter ou ganhar ao invés de viver por viver somente, como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca.
Em nenhum país serão presos os rapazes que se neguem a cumprir serviço militar, mas sim os que queiram cumprir.
Os economistas não chamarão de nível de vida o nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida à quantidade de coisas.
Os cozinheiros não pensarão que as lagostas gostam de ser fervidas vivas.
Os historiadores não acreditarão que os países adoram ser invadidos.
O mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas sim contra a pobreza.
E a indústria militar não terá outro remédio senão declarar-se quebrada.
A comida não será uma mercadoria nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos.
Ninguém morrerá de fome, porque ninguém morrerá de indigestão.
As crianças de rua não serão tratadas como se fossem lixo, porque não haverá crianças de rua.
As crianças ricas não serão tratadas como se fossem dinheiro, porque não haverá crianças ricas.
A educação não será um privilégio de quem possa pagá-la e a polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la.
A justiça e a liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viver separadas, voltarão a juntar-se, voltarão a juntar-se bem de perto, costas com costas.
Na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, porque elas se negaram a esquecer nos tempos de amnésia obrigatória.
A perfeição seguirá sendo o privilégio tedioso dos deuses, mas neste mundo, neste mundo avacalhado e maldito, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro."

EDUARDO GALEANO, O DIREITO AO DELÍRIO

Tumblr
Que tal começarmos a exercer
O direito de sonhar?
Que tal se delirarmos um pouquinho?
No próximo milênio, o ar estará limpo
de todo veneno
O televisor deixará de ser
o membro mais importante da família
As pessoas trabalharão para viver,
em vez de viver para trabalhar.
Os economistas não chamarão
nível de vida o nível de consumo,
nem chamarão qualidade de vida
a quantidade de coisas.
Ninguém será considerado herói
ou tolo só porque faz aquilo que
acredita ser justo, em vez de fazer
aquilo que mais lhe convém.
A comida não será uma mercadoria,
nem a comunicação um negócio,
porque comida e comunicação
são direitos humanos.
A educação não será um privilégio
apenas de quem possa pagá-la.
A polícia não será a maldição daqueles
que não podem comprá-la.
A justiça e a liberdade,
irmãs siamesas
condenadas a viverem separadas,
voltarão a juntar-se, bem unidas
ombro com ombro. E os desertos do mundo e os desertos
da alma serão reflorestados.
Eduardo Hughes Galeano
* Montevidéu, Uruguai – 03 Setembro 1940, enviado por Daniela

08/06/2013

Minha criança

Um quê de inquietude
no balé das borboletas —
Tarde de outono.
HAIKAI - Teruko Oda

"Peço licença para falar na minha criança, a que mora aqui dentro e não me abandonará jamais. Talvez com a morte eu até regresse a ela. Os quase setenta anos que dela me separam não a removem. Ela ali está, magra e tímida, a me olhar e ditar comportamentos e reações. 

Minha criança esteve em todos os meus filhos e aparece no meus sete netos. Ela se refaz da morte da irmã e abre os olhos para o mundo, com a certeza de que veio ao mundo para alguma missão, embora sempre se considere inferior ao tamanho da mesma

Minha criança sente enorme saudade de pai e da mãe com quem o adulto já não conta salvo no exemplo, na saudade e nas orações quando me domina uma fugidia sensação de estarem, incorpóreos, a meu lado, mas sem se manifestarem. 

Minha criança possui incomensuráveis solidões diante do mistério do infinito. Ainda recua diante do violento, embora não o tema, e ainda se infiltra em episódios de distração e inocência inexplicáveis num homem com minha carga de vivências. Minha criança ainda gosta de abraço caloroso, proteções misteriosas e de um modo de rezar que o adulto nunca mais conseguiu tais a entrega e a total confiança no mistério e na proteção de Deus. 

Minha criança carrega o melhor de mim, é portadora de meu modo triste de falar de coisas alegres e de algum susto misterioso sempre que se lhe impõe alguma expectativa de enfermidade. Minha criança é inteira, mansa, bondosa e linda. Eu a amo, preservo, e dou boas gargalhadas quando a vejo infiltrar-se nas graves decisões de algumas de minhas responsabilidades adultas. Ninguém a vê, salvo eu. Ninguém a acaricia, salvo eu, que a estimo, procuro e admiro mais a cada dia e com quem converso histórias infinitas, que somente a imaginação pode conceber no universo maravilhoso da fabulação interior e solitária. 

Diariamente passeio com minha criança e estou muito feliz por cumprimentá-la, levar-lhe balas, nuvens, aquele cão da meninice, as canções de minha mãe e os carinhos de meu pai, levar-lhe os presentes que ganhava de meu padrinho e toda a enorme vontade de Ser que então adivinhava para a minha vida. Vida que chegou, ameaça passar, e da qual não me arrependo. 

Minha criança adivinhou em seus sonhos o adulto que eu queria ser. E traz alegria e esperanças à minha idade atual. Hoje sou, há muito tempo, o adulto que sonhei ser. Talvez com menos tensões, mas igualzinho em meu modo de amar a vida."

Artur da Távola

O amor ...

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Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar: aprenda a fazer bonito o seu amor. Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito. Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito. Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.

Tenho visto muito amor por aí, Amores mesmo, bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva, mas esbarram na dificuldade de se tornar bonito. Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.

Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais de repente se percebeu ameaçados apenas e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender; necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem; enchem-se de razões. Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo no amor
Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reivindicar  de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Nem queira. Ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça mas na hora errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão.

Ponha a mão na consciência. Você tem certeza que está fazendo o seu amor bonito?
De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro, a maior beleza possível? Talvez não. Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer.
Quem espera mais do que isso sofre, e sofrendo deixa de amar bonito. Sofrendo, deixa de ser alegre, igual criança. E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.

Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre.
Recomendam-se: encabulamentos; ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar, e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar sempre, se possível com beijos, “aquela conversa importante que precisamos ter”, arquivar se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível. Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter. 

Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos nossos sonhos): não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora. 

Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como: a sinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração; contar a verdade do tamanho do amor que sente.
Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser. Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteiras, mas criando sempre. Gaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil. Revivendo os carinhos que instruiu em criança. Sem medo de dizer, eu quero, eu gosto, eu estou com vontade. 

Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor, ou bonitar fazendo seu amor, ou amar fazendo o seu amor bonito (a ordem das frases não altera o produto), sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você é e nunca, deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi possível, ser. 

Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma. Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. Cuide de você. Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.

Artur da Távola

06/06/2013

La Luna

A Walt Disney Pictures divulgou um clipe de La Luna, novo curta-metragem da Pixar. O filme traz, mais uma vez, a emocionante trilha de Michael Giacchino (LOSTe Up - Altas Aventuras).

A animação tem como protagonista um garotinho que, pela primeira vez, é levado pelo pai e pelo avô para acompanhar o trabalho dos dois, que desejam que ele siga a tradição familiar. Os três personagens aparecem em um pequeno barco, em uma noite escura, sem nenhum sinal de terra à vista. Até que uma enorme lua surge no horizonte.

La Luna é dirigido por Enrico Casarosa, que trabalhou desenhando storyboards para Ratatouille e Up e agora estreia na direção.

QUEM FOI ANTOINE DE SAINT-EXUPÈRY?

A carreira de escritor de Saint-Exupèry começou com sua estadia no norte da África. As belas paisagens, os desertos e a vida africana o inspiraram a contar histórias. Mas se engana quem pensa que o escritor ficou somente nos livros infantis. O escritor também escreveu livros de não-ficção e romances que se parecem cm livros de viagem, inspirados por sua vida como piloto e pelos países onde viveu e que visitou.
Viveu por um tempo na Argentina, onde se casou com Consuelo Gomes Carillo. O casamento era bastante conturbado e por diversas vezes Antoine foi abertamente infiel. De personalidade nômade, o escritor se sentia mais à vontade pilotando do que em terra firme. Apesar da facilidade em pilotar, Antoine de Saint-Exupèry sofreu dois graves acidentes: em 1935, no deserto da África e, em 1937, na Guatemala.
Empolgado com a Força Aérea Francesa, alistou-se para participar da Segunda Guerra Mundial. Todavia, a infraestrutura da aviação de seu país não era muito organizada. Assim, foi ficando cada vez mais deprimido diante da fraqueza da França em relação à ocupação alemã.
Em 1944, o avião de Saint-Exupèry, um P-38 Lightning, desapareceu enquanto sobrevoava o Mediterrâneo. Não se sabe ao certo se ele foi derrubado, se sofreu um acidente ou se cometeu suicídio. O corpo e a aeronave jamais foram encontrados. Atribui-se o dia 31 de julho de 1944 como data de morte do aviador e escritor.
SUAS HISTÓRIAS
Grande amante dos desertos, muitas de suas histórias falam o isolamento e os pensamentos etéreos proporcionados pela vida nas alturas. Suas narrativas são consideradas oníricas, recheadas com lembranças de viagem e o chamada realismo mágico, em que coisas reais são contadas com toques fantásticos. Suas principais obras são O Pequeno Príncipe (1943), Piloto de Guerra (1942), Terra dos homens (1939), Correio Sul (1929) e O Aviador (1926) Fonte
"CONHEÇO APENAS UMA LIBERDADE: A LIBERDADE DA MENTE”
(Antoine Saint-Exupèry)
 

05/06/2013

O USO DA INTERTEXTUALIDADE NO ENSINO

O conhecimento significativo não se faz apenas com o uso de dicionários e compêndios, mas com base em uma educação ampla e diversa. Dialetos, sotaques e variações não desviam a aquisição do saber, ao contrário, tornam o aluno cada vez mais versátil e passível a se adequar aos diferentes contextos. Os dicionários e as gramáticas apresentam uma forma generalizada de ensinar o idioma, e não levam em conta o contexto histórico e geográfico de cada país ou região que usa a língua.

A intertextualidade funciona, nesse caso, como um elemento riquíssimo, capaz de propagar o saber em diferentes contextos, aproximando extremos. Um bom exemplo desta eficiência foi a união de um texto da Bíblia Sagrada (Coríntios, 13) a um soneto de Camões (Amor é fogo), incorporados à música Monte Castelo, da banda Legião Urbana, lançada em 1989, no álbum Quatro Estações, e considerada um sucesso até hoje. Muitos jovens tomaram conhecimento tanto do texto religioso quanto da poesia por meio da canção.
Essa é uma das beneficências fundamentais do recurso intertextual, visto que ao remeter a algo que faz parte do conhecimento de mundo dos alunos pluraliza a língua, libertando-a das barreiras do formalismo tradicional, possibilitando a todas as classes o acesso aos mais diversos textos e contextos. O recurso intertextual faz com que os conteúdos tornem-se mais significativos e verossímeis, podendo até mesmo amenizar algo considerado difícil, chato ou pesaroso para os jovens, como o ensino da literatura, da gramática ou da matemática. É possível tornar esses conteúdos mais agradáveis, a partir do momento em que são mesclados ou relacionados a algo atual e dinâmico como charges, história em quadrinhos, música, filme, entre outros.

Esse mecanismo tornou-se também uma forma de interligar extremos, aproximar diferentes vertentes e diversificar a língua portuguesa tornando-a mais significativa enquanto elemento vivo que evolui e inova com passar dos anos.

Viva a Língua Portuguesa em toda a sua diversidade de formas e conteúdos!

Escrito por Fabiana Pamplona, assessora especialista de Língua Portuguesa da Editora Moderna.

A vida é feita de Caminhos

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A vida é feita de caminhos!
Como se fosse uma gigantesca variedade de direções...
Muitos dizem que esses caminhos estão pré-definidos e chamam isso de destino...
Outros dizem que temos um livre-arbítrio e que escolhemos os nossos caminhos a cada segundo...
Eu, às vezes acredito que exista um pouco dos dois, acredito que os caminhos são resultados dos nossos passos...
As opções que temos hoje, muitas vezes são fruto das escolhas que fizemos ontem, mesmo quando não percebemos que é isto que acontece...
Mas penso que independente do caminho, escolhido ou construído por nós, cabe a nós o COMO percorrê-lo!
Por outras palavras: se não puder escolher onde estar, escolha COMO estará onde estiver!
Pois é no COMO se percorre o caminho atual, que se constrói a possibilidade de caminhos novos que virão!
E virão muitos caminhos...
E muitos caminhos virão!
E virão caminhos lindos, que nos farão sorrir ao percorrer!
E virão caminhos escuros, que talvez trarão agonia...
Caminhos que parecerão não estar em linha reta, mas que contornarão grandes problemas...
Caminhos que nos levarão a outros caminhos e que mesmo sendo passageiros nos deixarão muitas saudades...
Caminhos cheios de detalhes que não deixarão entrar na rotina pelo tanto que ao caminhar descobriremos...
Caminhos que nos trarão paz pelo contato que nos trarão com aquilo que é natural!
Caminhos cheios de enfeite, que não conseguirão passar a mesma alegria de um céu azul!
Caminhos que se confundirão com sonhos, mas que devem ser vividos intensamente pela graça que proporcionarão!
Caminhos que nos darão esperança, que por mais difíceis que pareçam mostrarão uma luz ao fundo!
Caminhos que serão longos e consumirão parte da nossa energia...
Caminhos que serão frios e nem por isso menos belos, mas que suplicarão por calor humano!
E assim somos nós, como um rio que segue caminhos...
A cada sim e não que sai da nossa boca, temos um novo caminho a ser construído!
Haverão momentos de dúvida, onde o sim e o não parecem ter a mesma força...
Então, aplique a seguinte fórmula para decidir:
A decisão correta é = a soma do que sente o seu coração com os parâmetros dos seus valores vezes a fé que existe na sua alma!
E tudo vai terminar bem e quando não estiver bem, lembre-se: ainda não chegou ao fim!
Que as nossas pegadas sejam marcas de um caminho de sucesso, pois a vida é um flash e podemos sair na foto!
ESCOLHE O CAMINHO QUE TE FAZ FELIZ!
Rafael Régis Somera

BREVE BIOGRAFIA DE OSCAR WILDE

Por conta da boa condição financeira de sua família, Oscar Wilde sempre teve contato com a elite intelectual e com os grandes clássicos da literatura e com a alta sociedade irlandesa. Com grande interesse no movimento estético, muda-se para Londres em 1879 e dá início a sua longa jornada na literatura mundial.
Durante toda a sua vida, o escritor se envolveu em inúmeras polêmicas particulares, chegando a ser preso, em 1895, por atentado ao pudor. Wilde ficou doía anos na cadeia e perdeu grande parte de seu prestígio na sociedade londrina. Mas, apesar disso, não se pode colocar em voga o seu talento literário, marcado pela sagacidade e pela temática de suas obras.
Embora fosse casado e tivesse dois filhos, Wilde teve uma série de casos homossexuais. A última obra do escritor a ser publicada, De Profundis, é baseada em uma carta escrita para Alfred Douglas durante a temporada na prisão. O título se refere ao salmo 130 da Bíblia e quer dizer “Das Profundezas”. Nele, Wilde fala da sua vida, da humilhação durante o processo, do sofrimento na prisão e das crenças religiosas.
Após ser libertado, Wilde passou seus últimos três anos de vida na França, sob o pseudônimo de Sebastian Melmoth. Veio a falecer em 30 de novembro de 1900, após problemas de saúde relacionados à vida na cadeia.
ESTILO LITERÁRIO
Apesar da carreira relativamente curta, Oscar Wilde se aventurou em diversos gêneros, como poesias, contos, peças, ensaios e romance. Sua primeira poesia foi publicada em 1881 e deu início a uma década de obras como O Príncipe feliz (conto de fadas), O leque de lady Windermere, peça que satirizava os hábitos e costumes londrinos e O retrato de Dorian Gray, seu único e mais famoso romance que abordava o homossexualismo.
Em suas obras, defendia a estética e o “belo”, como solução para a sociedade. Esse movimento estético defendido por Wilde pode ter dado início às primeiras ideias das vanguardas artísticas da Europa. Quando foi viver na França, o escritor dedicou-se mais à literatura e seu movimento estético acabou sendo abafado também pelas sua história de vida.
Episódio da série "As Histórias de Oscar Wilde", que discute a amizade, as afinidades, os sacrifícios e tantos outros valores que fazem parte das relações humanas e que nem sempre nos damos conta.
O AMIGO DEDICADO - AS HISTÓRIAS DE OSCAR WILDE ( Parte 1)
O AMIGO DEDICADO - AS HISTÓRIAS DE OSCAR WILDE (Parte 2 )

02/06/2013

Focar mais os valores na educação

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Avançamos mais lentamente na educação do que em outras áreas da nossa sociedade. A maior parte das instituições na educação presencial e a distância, apesar de algumas melhorias, prefere repetir do que arriscar. Os currículos são excessivamente rígidos e reducionistas, com disciplinas isoladas e baixa interação. O foco ainda se mantém na transmissão de informações, em preparar os alunos para o vestibular ou para uma profissão, sem a preocupação com a formação integral deles como pessoas, com uma discussão ampla sobre valores, atitudes e comportamentos.

Na educação “a” distância este problema é mais gritante. Como a produção costuma ser mais em equipe, o especialista prepara os materiais sobre os temas do curso, e outros profissionais adéquam esses temas a um padrão de leitura e acessibilidade; depois tutores orientam os alunos nas dúvidas e os alunos são avaliados sobre o conteúdo transmitido. Como o processo costuma ser mais impessoal, a avaliação é mais centrada em respostas certas e em conteúdos determinados. Com isso, deixam-se de lado as dimensões mais abrangentes da formação como a investigativa, a afetiva, a ética e a comunicacional.

Predomina ainda a pedagogia baseada em certezas. Quando damos tudo pronto, mostrando a resposta correta, contribuímos para falsear a relação dos alunos com o conhecimento. Quando escrevemos tudo com clareza e objetividade, mascaramos o processo de compreensão do mundo e de nós mesmos, que é penoso, ambíguo e mutável. Por isso, na pedagogia, não podemos destacar só o que é certo, mas criar situações de desafio, que possibilitem validar mais de um caminho e mais de uma escolha. Quando privilegiamos o conhecimento intelectual e focamos mais a certeza do que a incerteza, não preparamos os alunos para a vida.

A educação "a" distância (prefiro, sem distância) é uma modalidade de educação e tem que assegurar que o aluno receba uma formação ampla, atual e integral como em qualquer outro tipo de oferta educativa. Os projetos pedagógicos mais avançados focam mais a formação ampla do aluno, a relação teoria e prática, o aprender por desafios ou competências e a avaliação formativa. 

Existem cursos presenciais e a distância em que os alunos trabalham com desafios de aprendizagem individualmente ou em pequenos grupos. Esses desafios partem de situações reais, de problemas, de projetos e são realizados em etapas, que unem pesquisa e colaboração. Os alunos fazem pesquisas concretas, entrevistas e análises adaptadas à realidade em que vivem e trabalham e propõem soluções ou alternativas possíveis. A colaboração acontece em alguns momentos de forma presencial, mas a maior parte do tempo se faz na Internet por ferramentas de comunicação como chat, fórum ou webconferência. Ela é importante para confrontar visões diferentes, aumentar a consciência crítica, equilibrando o percurso individual e o grupal. 

A educação (presencial e a distância) pode contribuir para a formação de cidadãos, preparando-os para o mundo do trabalho - que é uma dimensão importante - mas principalmente para uma vida mais plena. Precisamos de educadores humanistas na educação on-line, que vivenciem e expressem práticas vivas de interação virtual e presencial, ouvindo, acolhendo, mediando debates, estimulando a participação efetiva e ativa de todos, gerenciando os ritmos diferentes individuais e dos grupos. O educador que mantém uma atitude acolhedora no dia a dia encontra a forma de acolher na comunicação on-line, na mediação de um chat, na gestão de um fórum, nas sessões de apresentação de pesquisas, projetos e atividades por webconferência. Na educação ainda podemos evoluir muito no desenvolvimento de situações ricas de interação, no incentivo à pesquisa individual e em grupo, na avaliação formativa ao longo do curso, no estabelecimento de vínculos, na discussão aberta de valores importantes para a sociedade.

Ensinamos e aprendemos mais e melhor – em qualquer modalidade - quando o fazemos num clima de confiança, de incentivo, de apoio, dentro de limites claros e negociados. Para isso precisamos de pessoas curiosas, motivadas, afetivas e éticas, que gostem de aprender e de praticar o que aprendem, suficientemente evoluídas para transmitir confiança, acolhimento e competência com sua presença, fala, gestos e ações no contato presencial e online. Fonte