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11/05/2013

Produção e intervenção textual

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Qual é a única maneira de permitir a alguém – criança ou adulto – que aprenda algo a respeito de certo objeto de conhecimento? Permitir-lhe que entre em contato, que interaja com esse objeto. (FERREIRO, 2003, p. 38)
A formação de escritores é uma das principais metas do processo de escolarização e uma das mais árduas tarefas para os docentes. Saber escrever vai muito além de dominar os princípios do sistema de representação ou mesmo características dos textos; não basta saber escrever alfabética e ortograficamente ou ser capaz de listar como é um texto e quais são seus propósitos sociais para que um sujeito seja visto como escritor competente. Saber escrever também não significa saber produzir textos de caráter exclusivamente escolar, textos que inexistem fora dos muros dessa instituição. 
Se a meta é formar escritores, trata-se de formar sujeitos capazes de se comunicar por escrito, por razões diversas e utilizando diferentes formas de discurso. 
Afinal, a escrita é mesmo um rico de instrumento de comunicação. Fazer-se entender pelo texto, conseguir estabelecer uma efetiva “conversa” com o(s) destinatário(s), levando em conta a situação social instaurada, seus propósitos e também as características da estrutura textual em jogo e outras convenções do nosso sistema de representação é uma tarefa complexa, longa. Trata-se de um debruçar-se sobre o texto, alternando-se nos papéis de escritor e leitor, a fim de validar a pertinência do conteúdo, a coerência interna, a precisão da comunicação. 
É por esse conjunto de razões que o texto, em geral, é fruto de um processo intenso de reflexão, elaboração e reelaboração. Muitas vezes, instaura-se como um processo difícil e demorado; da gestação de um texto à sua versão final, inúmeros passos são dados, inúmeros procedimentos colocados em prática e inúmeras decisões tomadas e revistas. 
Não há como ensinar aprendizes a escrever sem colocá-los perante o desafio da comunicação escrita, ainda que se trate de autores-iniciantes. Apropriar-se da escrita implica atuar como escritor e aprender, gradativamente, a identificar e solucionar os problemas que as peculiaridades de cada situação comunicativa nos impõem. É preciso, de fato, que a produção de textos seja uma situação-problema para os alunos; é preciso que tenham algumas condições prévias para dar conta da tarefa e em igual medida que tenham desafios ao longo desse processo. É preciso que tenham condições para buscar, com o apoio do professor, soluções para efetivar a comunicação (considerando, é certo, as possibilidades a cada momento da escolaridade), porém, é fundamental que tenham problemas para solucionar. A situação comunicativa e o tipo de texto eleito para uma sequência ou projeto didáticos já supõem uma gama de desafios para seus escritores e uma gama de conteúdos com os quais o professor precisa trabalhar. Entretanto, será a natureza da intervenção docente que possibilitará que a produção de textos se transforme em um processo de reflexão sobre a escrita e a língua escrita e, consequentemente, em aprendizagens progressivas e sucessivas. Andréa Luize
Arquivo utilizado no mini curso na FAEF - Garça

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