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27/04/2013

Uma história pode mudar seu modo de ver o mundo: Karen Worcman

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Em 1981, quando ainda cursava a faculdade de História, Karen Worcman começou uma pesquisa sobre imigrantes judeus no Rio de Janeiro. Entre os personagens estava um casal que morou no Gueto de Varsóvia, participou da guerrilha polonesa e havia perdido a maioria dos parentes num campo de concentração. As mais de 100 horas de entrevista fizeram com que Karen se transportasse no tempo e conseguisse ver a história pelos olhos de seus protagonistas. Foi esse o ponto de partida para a fundação do Museu da Pessoa, um museu que tem como matéria-prima a coisa mais importante em uma sociedade: a história de todos nós. Com mais de 12 mil depoimentos, o acervo está disponível quase integralmente na internet. Entre as preciosidades, Mestre Alagoinhas, ex-guerrilheiro que sobreviveu à luta armada e fundou a maior biblioteca rural do país, assassinos, catadores de lixo, pastores, donas de casa, advogados, comerciantes e centenas de pessoas comuns que decidiram compartilhar com o mundo uma parte da alma.
Conheça o museu da Pessoa - parte 1

Como surgiu a ideia do Museu da Pessoa?
Comecei a me envolver com a história oral quando ainda estudava História, no Rio de Janeiro. Ao fazer alguns trabalhos – primeiro sobre o fotógrafo José Medeiros, depois sobre a imigração de judeus para o Rio de Janeiro –, me vinham algumas questões sobre a função social da história. Um dia, descendo a ladeira em que eu morava, me deu um estalo: deveria haver um lugar onde a alma das pessoas pudesse ser preservada, um museu da pessoa. Um museu não de coisas ou fatos, mas de histórias de gente.
Conheça o museu da pessoa - parte 2
Como a ideia se transformou no Museu?
Foi quando vim para São Paulo. No fim de 1991, trouxemos para cá a exposição sobre os imigrantes judeus, adicionando cabines de coleta de depoimentos para que os visitantes registrassem suas histórias. Os jornalistas que me entrevistavam não entendiam como uma exposição sobre a vida de anônimos poderia atrair alguém. Ou por que as pessoas se interessariam em deixar seus depoimentos. Achavam tudo muito estranho. Mas foi um sucesso. Naquele momento, o grupo de fundadores começou a pensar como o Museu da Pessoa deveria ser. Já com a ideia de que uma história pode mudar seu jeito de ver o mundo. Isso para mim é muito transformador. Transformador no sentido social, cultural, emocional. Aprender a ouvir os outros talvez seja o maior desafio que a gente – como cultura ou como indivíduo – tem a enfrentar. Fonte
Uma história pode mudar seu modo de ver o mundo

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