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07/03/2013

A leitura literária como direito da criança

Algumas das obras do escritor Maurício Veneza.
Escritor e ilustrador de livros para crianças e jovens. Atuou também nas áreas de publicidade, como ilustrador e diretor de arte, e jornalismo. Possui trinta títulos publicados como escritor e cerca de setenta como ilustrador. Livros com suas ilustrações receberam prêmios como o Altamente Recomendável da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) e o da Academia Brasileira de Letras. Como escritor tem vários livros incluídos em programas governamentais de leitura, como o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) e o PNLD (Programa Nacional do Livro Didático), e no catálogo da Feira de Bolonha. É membro da AEI-LIJ (Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil), onde atualmente exerce o cargo de vice-presidente.
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(...) Não proponho aqui uma desescolarização da literatura. Pelo contrário. Creio na necessidade urgente da criação de um espaço privilegiado na escola onde a leitura literária não seja vista como um meio para atingir um fim determinado e sim que seja bastante por si mesma.
Tivemos por muito tempo (e ainda temos) uma abordagem da literatura na escola em que o aluno era capaz de responder sobre estilos de época, escolas e movimentos literários, sem jamais ter lido sequer uma obra dos autores que mencionava. Formava leitores? Claro que não. Mas permitia um desempenho falsamente satisfatório numa prova ou exame, segundo os critérios estabelecidos. Vi numa livraria de Juiz de Fora, Minas Gerais, uma publicação que trazia os resumos prontos e acompanhados de comentários de obras indicadas para o vestibular. Como se gritasse: “não leia, não interprete, não entenda, não pense, o importante é passar!”. A cultura da enganação... Mas há também um lado positivo na questão da leitura literária. Nas últimas décadas, vimos, com entusiasmo e otimismo, o surgimento e proliferação de um sem número de iniciativas, projetos, programas e eventos, destinados à promoção da leitura e à formação do leitor. Há uma preocupação e uma mobilização intensa. Órgãos do governo, das três esferas administrativas, federal, estadual e municipal; setores da iniciativa privada; organizações não governamentais; associações de editores e livreiros; associações de escritores e ilustradores... São muitos os parceiros, todos com o propósito lobatiano de fazer um país com homens e livros. Muitas são também as iniciativas individuais ou pontuais, livros no açougue, em lombo de jegue, na borracharia, na sala de espera dos postos de saúde... É difícil mensurar com exatidão os resultados práticos de todas essas iniciativas.
Estatísticas recentemente divulgadas revelam um crescimento surpreendente na quantidade média de livros lidos por habitante anualmente no país. (...)
Para se tornar leitor, o indivíduo precisa, antes de tudo, ser alfabetizado. 45% dos entrevistados declararam não ter lido nenhum livro nos três meses anteriores à pesquisa. Segundo Galeno Amorim, que coordenou o trabalho, a pesquisa mostrou que depois da fase escolar há um distanciamento da literatura. A escola precisa trabalhar um pouco mais na tarefa de criar leitores que gostem de ler e que continuem a ler depois que saem da escola, para uma leitura não só pragmática. 
É verdade também que, apesar desses esforços, deparamo-nos no dia a dia com distorções, às vezes, difíceis de enfrentar. Todos conhecem as famosas bibliotecas escolares fechadas, onde o aluno não entra. Existe o espaço, existe o acervo, mas o leitor fica de fora. (...)
Como mudar este quadro, como transformar esta realidade? Difícil responder. Certamente não existem fórmulas mágicas. Nenhum procedimento infalível. Mas ouso dizer que as respostas passam necessariamente, além do acesso aos recursos materiais, pelo elemento humano. Refiro-me aos mediadores de leitura. Pais, bibliotecários, mas, principalmente, professores. Serão estes os construtores das pontes entre os livros e os leitores. Para que a criança tenha, não somente reconhecido, mas efetivado seu direito de acesso aos livros de literatura, necessitamos de mediadores comprometidos com estes livros, pessoas capazes de apresentá-los ao leitor, que é seu complemento natural. Capazes de tomar o leitor pela mão e mergulhar com ele num mundo de experiências incontáveis. Capazes de mostrar como, com a literatura, os horizontes alargam-se e os limites dissolvem-se. Como o irreal torna-se real e o absurdo torna-se verossímil. Como é possível estabelecer vínculos de proximidade, quase intimidade, entre um escritor que viveu no século XIX e um leitor contemporâneo.
Talvez a escola tenha se afastado da literatura por razões de ordem prática, pela dificuldade de exercer poder e controle sobre algo que é tão dinâmico, fluido e rebelde por natureza. Como atribuir notas ou conceitos de forma objetiva a algo que é tão carregado de subjetividade? Mais fácil é decorar listinhas de datas e escolas literárias...
Mas essa mesma escola pode mudar o seu papel. É preciso que a instituição escolar reflita e assuma uma opção clara e consequente. Que se pergunte: que tipo de leitor queremos, que tipo de aluno queremos, que tipo de cidadão queremos? Maurício Veneza

INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO (IDE)
Coordenação: Cláudia Santa Rosa
Entrevista com Élie Bajard - Leitura Literária

Um comentário:

  1. Olá, Visitei e adorei o seu blog. Gostei muito dos seus textos e li vários trechos da sua exposição e conteúdo. . Fiquei bem animada e daqui pra frente, estarei sempre por perto vendo as novidades.
    Venha conhecer o meu Blog também. Tenho certeza que vai gostar http://www.oslivrosdaminhabiblioteca.blogspot.com.br/
    Um grande abraço. NILDA

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