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04/01/2013

Projeto Trilhas: "Fiz voar meu chapéu"

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Curiosidades sobre a autora - Ana Maria Machado:
1. Quando você era criança, já sonhava em ser escritora?
Não. Sonhava em ser artista de cinema, mas achava que ia mesmo era ser professora. Estudei para isso. E fui professora por um bom tempo. Só depois é que descobri que era escritora. Mas sempre gostei de escrever. Fazia diário, escrevia muitas cartas, fazia parte da equipe do jornalzinho da escola, essas coisas…

2. De onde você tira as ideias para os seus livros?
Da cabeça, como todo mundo. O importante não é isso, é como elas entram na cabeça. Acho que um livro começa muito antes da hora em que a gente senta para escrever. É um jeito de prestar atenção no mundo, em todas as coisas, nas pessoas, e ficar pensando sobre tudo…

3. Quais são os seus temas favoritos?
Os críticos em geral dizem que eu escrevo com uma visão crítica, sobre temas como a rebeldia, o combate ao autoritarismo, a ética, a fome de justiça… Mas do meu ponto de vista não é bem assim: eu acho que cada vez estou querendo contar uma história diferente, acontecida comigo mesma ou com gente que eu conheço, e transformada pelas coisas que eu sonho ou imagino a partir daí.

4. Qual o ponto de partida para o que você escreve?
Do meu ponto de vista, eu escrevo sempre a partir de duas coisas: o que eu lembro e o que eu invento. Memória e imaginação são as duas grandes fontes do que eu faço.

5. Como é que você escolhe seus ilustradores?
Muitas vezes quem escolhe não sou eu, são os editores. Mas alguns aceitam que eu dê palpites. Nesse caso, eu tento escolher aqueles com quem eu tenho mais afinidade, ou cujo trabalho eu admiro, e que sejam bons de trabalhar. Quer dizer, conversem comigo, leiam o livro com atenção, se disponham a trocar idéias e cumprir prazos.

6. Você também é pintora. Por que nunca ilustrou um livro seu?
Porque eu acho que pintura e ilustração são duas coisas completamente diferentes. Uma pintura tem apenas que resolver problemas visuais que ela mesma inventa a cada vez. Uma ilustração, como o nome está dizendo, tem que dar um lustre, um brilho, lançar uma luz sobre algo que está escrito. Tem que ser narrativa também. E o tipo de pintura que eu faço não é narrativo. Acho muito mais difícil ilustrar do que pintar, e eu não tenho capacidade para isso.
(...)

8. O que a levou a escrever para crianças?
Eu já escrevia para adultos e sabia que "tinha jeito" para escrever. Conhecia muito bem a língua (era professora de português), estava começando a trabalhar numa tese de doutorado sobre Guimarães Rosa. Quer dizer, língua e literatura eram meu elemento. Por que não para crianças também? Não vi nenhum motivo para excluí-las de minha preocupação estética com o uso da linguagem, terreno onde sempre me movi. Então somei, ampliei, e incluí a criança nessas minhas vivências da arte da palavra.

9. Como é a sua rotina de trabalho?
Escrevo o tempo todo, não só quando estou diante do papel ou do computador - esse é só o momento final, em que as palavras saem de mim e tomam forma exterior. A minha criação é assim, um processo meio mágico, que a gente não sabe de onde vêm nem como se desenrola. Procuro merecer, estar pronta, criar condições. Essas condições passam por trabalho e disciplina. Em geral, escrevo todo dia, sempre de manhã, quanto mais cedo melhor. Sem interrupções de fora. E com possibilidade de uma vista agradável, quando levanto os olhos da página.
(...)

13. Dos livros que você escreveu, qual você gosta mais?
Taí uma coisa que não existe. Acho que livro é que nem filho, a gente gosta de todos igualmente com muita intensidade, mesmo sabendo que cada um tem características diferentes do outro.

14. Tem algum que você gosta menos, ou não gosta?
Já teve muitos, mas eu não publiquei. Para isso existe lata de lixo.

15. Qual o livro mais difícil que você já escreveu? E o mais fácil?
Na verdade não dá para responder objetivamente a essas duas perguntas. Depois que passa o momento de escrever o que fica é só a memória desse momento, que pode não corresponder a verdade. Eu lembro que um dos mais difíceis, entre os infantis, foi "Um Avião e uma Viola", que só tem uma linha por página. Os primeiros da série Mico Maneco também foram muito difíceis, por trabalharem com um repertório de sílabas muito limitado. Entre os de adulto, dois foram especialmente difíceis: "Tropical Sol da Liberdade", por ter me lançado numa profundidade de dor para a qual eu não estava preparada, e "E o Mar nunca Transborda", pelo intenso trabalho de pesquisa e recriação de linguagem que ele exigiu. Fácil, nenhum é.

16. Alguma história que você escreveu já aconteceu de verdade?
Quase todas. Mas sempre muito misturadas com outras que não aconteceram.
(...)

20. Como você escolhe o título dos seus livros?
Quase sempre o título é a última coisa. Com muita frequência o livro fica pronto e eu não sei como ele vai se chamar. Muitas vezes depois do título escolhido eu percebo que de alguma forma esse título já estava escondido dentro do livro, de tantas referências que havia pelo meio do texto. Mas não é uma coisa que eu tenha facilidade em decidir.
"No meu aniversário de sete anos, ganhei de presente um marcante e inesquecível diário. Era um fichário preto, de três furos, onde eu podia guardar tudo o quisesse e trancar para ninguém ver. Na primeira página tinha um desenho lindo, feito por encomenda a um pintor argentino chamado Carybé. Nesse tempo ele ainda não tinha virado baiano nem ilustrador de Jorge Amado e Garcia Márquez. Saí escrevendo furiosamente no diário".
Carybé
Carybé
"Era uma boa aluna e vivia ganhando prêmios – em geral livros, da família. Uma das minhas redações foi tão elogiada e premiada que a mostrei em casa. Meu tio Nelson, que estava lá, levou o texto para o meu tio Guilherme, folclorista – e essa acabou sendo a minha estréia literária. Devidamente assinado e aumentado, por encomenda da revista Folclore, saiu publicado meu Arrastão, sobre as redes de pesca artesanal em Manguinhos. O meu orgulho supremo foi que a revista não falava que o texto tinha sido feito por uma menina de doze anos".
Eu, aos 5 anos, em 1947
Eu, aos 5 anos, em 1947
"A minha adolescência foi repleta de livros, que me proporcionaram grandes prazeres e descobertas. Ficava abismada com o jeito de escrever de grandes autores e cronistas, como Rubem Braga. Na escola, em casa e com meus amigos, estava sempre rodeada de gente que também gostava de curtir a vida tendo bons livros ao seu lado".
Rubem Braga.
Rubem Braga.
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Ana Maria é homenageada pela Marinha
Ana Maria é homenageada pela Marinha
Em dezembro Ana Maria Machado festeja duas novidades honrosas. Dia 6 foi reeleita, por unanimidade, para a presidência da Academia Brasileira de Letras. E dia 13, quando se comemora o Dia do Marinheiro, recebeu da Marinha do Brasil a Medalha Tamandaré, por relevantes serviços prestados à cultura brasileira. leia mais


Como usar o livro na sala de aula? 
Ana Maria Com muita paixão. Quando o trabalho é feito com gosto, fica fácil descobrir a melhor forma de envolver a turma. É possível analisar o contexto da história, fazer um júri simulado, uma dramatização, um debate... Tudo vai depender da realidade de cada turma. Na Inglaterra existe um programa muito interessante. Num determinado horário, toda a comunidade escolar do porteiro à diretora para o que está fazendo para ler. Cada um escolhe o assunto que quiser, ficção ou não-ficção. Quando acaba esse tempo, tudo volta ao normal.


E não há nenhuma atividade depois? 
Ana Maria Não precisa. Ninguém lê para fazer prova. O resultado é que, espontaneamente, surgem inúmeras discussões sobre as histórias. Os níveis de leitura sobem e as pessoas passam a se expressar melhor.

Qual o papel da literatura na formação da criança? 
Ana Maria Ela permite sonhar, enfrentar medos, vencer angústias, desenvolver a imaginação, viver outras vidas, conhecer outras civilizações. Além disso, nos dá acesso a uma parte da herança cultural da humanidade afinal, temos direito a conhecer Dom Quixote, algumas histórias da Bíblia, o Cavalo de Tróia... 


Como escolher um título para indicar para a classe? 
Ana Maria Em primeiro lugar, o professor nunca deve indicar algo que não tenha lido. Nem algo que, tendo lido, não lhe tenha agradado. O trabalho será sempre melhor quando usarmos um tema com o qual temos afinidade. Como referência, sugiro que o professor conheça os catálogos das editoras, os rankings dos prêmios e as listas de seleções feitas anualmente pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, que são muito confiáveis e variadas. Com tudo isso em mãos, é só começar a fuçar nas bibliotecas. Fonte

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