Licensa

08/12/2012

Mais uma vez a questão da disciplina

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No dia 30/10/12 realizei um post intitulado: "Estágio supervisionado em Psicologia Escolar: desmistificando o modelo clínico" em que apresentei o projeto da  estagiária Márcia Regina Salviano Moreira, aluna da Associação Cultural e Educacional de Garça - SP.
No dia 21/11/12 realizei nova postagem intitulada: "Estágio supervisionado: continuação" em que apresentei outras atividades que foram realizadas com os alunos do quarto ano A - professor Alex Pereira Rossete.  Na oportunidade o objetivo era: "estimular a reflexão do que são regras e a importância delas na sociedade com o objetivo de um melhor comprometimento a nível de comportamento dos alunos".
Hoje venho apresentar a última etapa do projeto realizado: "trabalhar com o Bullying com o intuito de prevenção e conscientização desse mal que assola não só o campo educacional, mas outros setores da sociedade". Ver também post do dia 06/12/12 no blog da EMEF Prof. Américo Capelozza intitulado: "Bullying - nós estamos lutando contra isso" ...
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Já me referi à necessidade da disciplina intelectual a ser construída pelos educandos em si mesmos com a colaboração da educadora. Disciplina sem a qual não se cria o trabalho intelectual, a leitura séria de textos, a escrita cuidada, a observação e a análise dos fatos, o estabelecimento de relações entre eles. E que não falte a tudo isso o gosto da aventura, da ousadia, mas a que não falte igualmente a noção do limite, para que a aventura e a ousadia de criar não virem irresponsabilidade licenciosa. É preciso afastar a ideia de que existem disciplinas diferentes e separadas. Uma, a intelectual, outra, a disciplina do corpo, que tem que ver com horários e treinos. Mais outra, a disciplina ético-religiosa etc. O que pode haver é que determinados objetivos exijam caminhos disciplinares diferentes. O fundamental porém é que, se sadia a disciplina exigida, se sadia a compreensão da disciplina, se democrática a forma de criá-la e de vivê-la, se sadios os sujeitos forjadores da indispensável disciplina, ela sempre implica a experiência dos limites, o jogo contraditório entre a autoridade e a liberdade e jamais prescinde de sólida base ética. Neste sentido, jamais pude compreender que, em nome de nenhuma ética, possa a autoridade impor uma disciplina absurda simplesmente para exercitar na liberdade acomodando-se a sua capacidade de ser leal, a experiência de uma obediência castradora.
Não há disciplina no imobilismo, na autoridade indiferente, distante, que entrega à liberdade os destinos de si mesma. Na autoridade que se demite em nome do respeito à liberdade.
Mas não há também disciplina no imobilismo da liberdade, à qual a autoridade impõe sua vontade, suas preferências como sendo as melhores para a liberdade. (...) Só há disciplina, pelo contrário, no movimento contraditório entre a coercibilidade necessária da autoridade e a busca desperta da liberdade para assumir-se. Por isso é que a autoridade que se hipertrofia em autoritarismo ou se atrofia em licenciosidade, perdendo o sentido do movimento, se perde a si mesma e ameaça a liberdade. Na hipertrofia da autoridade seu movimento se robustece a tal ponto que imobiliza ou distorce totalmente o movimento da liberdade. A liberdade imobilizada por uma autoridade arbitrária ou chantagista é a liberdade que, não se tendo assumido, se perde na falsidade de movimentos inautênticos.
(...)
Talvez algum leitor ou leitora mais “existencialmente cansado” e “historicamente anestesiado” diga que eu estou sonhando demasiado. Sonhando, sim, pois que, como ser histórico, se não sonho não posso estar sendo. Demasiado, não. Acho até que sonhamos pouco com esses sonhos, tão fundamentalmente indispensáveis à vida ou à solidificação de nossa democracia. A disciplina no ato de ler, de escrever, de escrever e de ler, no de ensinar e aprender, no processo prazeroso mas difícil de conhecer; a disciplina no respeito e no trato da coisa pública; no respeito mútuo.
(...) 
Não se recebe democracia de presente. Luta-se pela democracia. 
(...) 
Falta-nos disciplina em casa, na escola, nas ruas, no tráfego. É assombroso o número dos que morrem, nos fins de semana, por pura indisciplina, o que o país gasta nesses acidentes, nos desastres ecológicos. 
(...) 
Esta é uma das tarefas a que devemos nos entregar e não à mera tarefa de ensinar, no sentido errôneo de transmitir o saber aos educandos. 
(...) 
Quanto mais respeitamos os alunos e alunas independentemente de sua cor, sexo, classe social, quanto mais testemunho dermos de respeito em nossa vida diária, na escola, em nossas relações com os colegas, com zeladores, cozinheiras, vigias, pais e mães de alunos, quanto mais diminuirmos a distância entre o que dizemos e o que fazemos, tanto mais estaremos contribuindo para o fortalecimento de experiências democráticas. Estaremos desafiando-nos a nós próprios a mais lutar em favor da cidadania e de sua ampliação. Estaremos forjando em nós a indispensável disciplina intelectual sem a qual obstaculizamos nossa formação bem como a não menos necessária disciplina política, indispensável à luta para a invenção da cidadania.
Trechos do Livro de Paulo Freire "Professora sim, tia não - cartas a quem ousa ensinar".

Vídeo produzido pela estagiária Márcia

Fotos:

2 comentários:

  1. Anônimo9.12.12

    Obrigado pelo carinho em ter postado as atividades ! Bjos

    Marcia Regina

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    Respostas
    1. Nós é que agradecemos seu empenho e dedicação com a turma e a escola!
      Beijos
      Rose

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