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05/11/2012

Nova versão de Rapunzel

Dentro do livro
Tem viagem,
tem estrada,
tem caminho,
tem procura,
tem destino
Lá dentro do livro.
(AZEVEDO, 2000: 48)
A atividade que será descrita a seguir, teve inicio em maio desse ano, quando a professora Paula Ribeiro Bernardes da Silva, que leciona no quinto ano A, começou a ler para os alunos diferentes versões dos contos clássicos. Essas leituras, segundo a professora, não tinham o objetivo de realizar a reescrita, mas ao contrário, era somente para os alunos conhecerem as diferentes historias. (leitura fruição)
Somente em julho, a professora propôs a turma que reescrevessem a versão de um clássico (dentre os vários lidos anteriormente). Com o objetivo de ampliar as ideias e possibilitar que os alunos ajudassem uns aos outros, a educadora optou por solicitar que o conto clássico a ser reescrito fosse o mesmo para todos os alunos. Foi realizada uma votação e conto vencedor foi Rapunzel.
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Posteriormente a professora leu o livro do Ricardo AzevedoUm homem no sótão”. Esse livro narra a história de um autor de contos para crianças que morava num sótão, na rua da Consolação, e que raras vezes saía de casa. Um dia, tentando escrever a história “Aventuras de três patinhos na floresta”, inesperadamente, aparece uma raposa muito nervosa, inconformada com o rumo da história, reclamando de sua eterna vilania. Afinal, era carnívora, o que justificava a sua atitude: comer os patinhos da história. Estes, por sua vez, também saem da cabeça do autor e alertam-no de que sempre caçaram minhocas, peixes e besouros. Em seguida, numa noite de lua cheia, depois que o escritor se recuperou do susto, teve a ideia de escrever “A linda princesa do castelo”. E assim, sucessivamente, outros personagens saem de sua cabeça e contestam suas histórias como o sapo, a princesa, os anõezinhos e a bruxa.
O autor de contos procurou um médico, tirou férias e, ao retornar, começou a escrever uma história bem diferente, mas a confusão repetiu-se. O escritor adoeceu, trancou-se dentro de casa e deixou de viver. Passado um longo tempo, ao ver um passarinho ciscando em cima do armário, perguntou qual era a história, abriu a janela, espantou a passarada e percebeu que a vida continuava. Então, retornam a vida e a vontade de escrever história de gente como ele, escrever coisas de seu tempo. Finalmente, começa a escrever "Um homem no sótão".
“O livro é um lugar de papel e dentro dele existe sempre uma paisagem. O leitor abre o livro, vai lendo, lendo e, quando vê, já está mergulhado na paisagem. Pensando bem, ler é como viajar para outro universo sem sair de casa. Caminhando dentro do livro, o leitor vai conhecer personagens e lugares, participar de aventuras, desvendar segredos, ficar encantado, entrar em contato com opiniões diferentes das suas, sentir medo, acreditar em sonhos, chorar, dar gargalhadas, querer fugir e, às vezes, até sentir vontade de dar um beijinho na princesa. Tudo é mentira. Ao mesmo tempo, tudo é verdade, tanto que após a viagem, que alguns chamam leitura, o leitor, se tiver sorte, pode ficar compreendendo um pouco melhor sua própria vida, as outras pessoas e as coisas do mundo.” Fonte

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Aliado a esse trabalho a turma organizou uma entrevista com o autor Vitor Dias, ver post do dia 16/09/12 intitulado: “Entrevista com ex-aluno e escritor Vitor Dias da Silva” O objetivo era os alunos perceberem que é possível criar uma história, ser autor de verdade.
Também fez parte do rol de leituras da turma o livro do Pedro Bandeira “O fantástico mistério de Feiurinha”. "Uma das princesas dos contos de fadas some e todas as outras se sentem ameaçadas a terem seus “viveram felizes para sempre” arruinados. Elas descobrem que a princesa Feiurinha desapareceu, porque sua história não era escrita, nem passada de geração a geração verbalmente. Elas saem a procura da história de Feiurinha com ajuda de um escritor, mas ninguém conhece a história. Até que todas as personagens descobrem a pessoa que conhece o “mistério” de Feiurinha (não vou contar quem!) e o escritor pode reescrever a história para que ela seja lembrada e volte ao reino das princesas".
Uma nova oportunidade surgiu para os alunos conversarem com um autor. No dia 27/09/12 realizamos uma postagem intitulada: “Capelozza participa do bate-papo com Pedro Bandeira” Ver também post do dia 08/10/12 intitulado: “Autógrafo e carta resposta de Pedro Bandeira”.

Após todas essas atividades, os alunos puderam ampliar os conhecimentos sobre os contos clássicos. Os textos iniciados em Julho foram retomados, bem como as ideias ampliadas: cada aluno teve a oportunidade de acrescentar, retirar, mudar, algum trecho. Houve um incentivo muito grande por parte da professora, de que os alunos eram capazes de criar suas próprias histórias (a ideia inicial, era fazer um livro da classe com diferentes versões, mas foi modificada posteriormente). 
Depois em grupos (separados pelo tipo de versão escolhida: um grupo para a versão moderna, outra para inclusão de novos personagens e assim por diante) os alunos foram modificando seus textos. Com a versão pronta, a professora foi lendo para a sala os textos, cada aluno leu o seu, e o grupo selecionou os três textos mais interessantes. A iniciativa de encená-los partiu dos próprios alunos. 
A princípio, os alunos se organizaram em três grupos para apresentar o teatro. Eles colocaram as falas nos textos, dividiram os papeis, pensaram no figurino, cenário, etc. Foram realizados alguns ensaios, mas houve muita discussão e desentendimento, pois eles não conseguiam se entender e se organizar "sozinhos". A professora se viu "LOUCA" no meio deles, tentando ajudar, orientar, etc. Aos poucos a educadora foi percebendo que ela não tinha tempo hábil , nem condições (infelizmente) para “DIRIGIR” três peças ao mesmo tempo. Então ela mesma deu a ideia da turma fazer “UMA” história só, mudando as personagens (como a professora Isabel Verga no teatro da Dona Baratinha – ver post do dia 12/08/12 intitulado: Teatro - Dona Baratinha (alunos do terceiro ano). 
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Os alunos partiram para uma nova votação e decidiram que a versão da Rapunzel era a mais engraçada e legal. A partir desse momento a professora consegue “DIRIGIR” os ensaios junto com a classe e a princípio o grupo apresentou a peça SOMENTE para a própria turma (alunos do quinto ano A) na semana passada. Foi o encerramento desse projeto. Posteriormente os alunos do quinto ano B e C foram convidados pela turma para assistir também. Esse trabalho que foi encaminhado para concorrer ao “Premio Professores do Brasil”. Veja o vídeo:

Para finalizar:



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