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14/11/2012

Carlos Drummond de Andrade - Poema da Necessidade

O poema da necessidade trata da agonia do poeta em relação aos sentimentos do mundo e a um conceito coletivo da maneira que se deve senti-los.
O poeta usa seu poema como bloco de tarefas, como se cada transcrição fosse um jeito de se convencer sobre o que ainda falta. Nota-se uma certa agonia quanto ao que se tem pra fazer e vê-se que cada necessidade faz parte de uma conceituação coletiva, como se todas as pessoas tivessem que acreditar e odiar seguindo um padrão. Ratifica-se este pensamento com conceitos coletivos de cada época. O poeta diz que é preciso aprender 'volapuque', língua mundial criada por um padre que acreditou ter um sonho no qual Deus lhe mandava criar uma língua universal, diz que deve-se ler Baudelaire, escritor e precursor do Simbolismo e conhecido como fundador da tradição moderna de poesia além de dizer que é preciso odiar Melquíades, papa cristão perseguido com seus seguidores pelo Imperador Máximo até a vitória de Constantino e a elaboração do Edito de Milão. Para o poeta a vida é incompleta e só, talvez, anunciando o fim do mundo é que se acaba o que se tem para fazer.
O poema é marcado pela constante utilização de anáfora que consiste na repetição de palavras ou frase no início de versos. Fonte
Poema da Necessidade

É preciso casar joão,
é preciso suportar antônio,
é preciso odiar melquíades,
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbedo,
é preciso ler baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o FIM DO MUNDO.
Veja também este pequeno vídeo documentário de Fernando Sabino e David Neves sobre o autor:
Carlos Drummond de Andrade em documentário de Fernando Sabino e David Neves. 1972. (no DVD Encontro Marcado Todos os direitos reservados)
Veja também post do blog EMEF Américo Capelozza intitulado: Zé Wilker, Zé de Abreu e outros "Josés" recitam Drummond

5 comentários:

  1. Anônimo17.11.13

    Excelente forma de analisar o poema. Além de todas interpretações feitas por você e as facilmente encontradas na internet, após algumas leituras obtive individualmente uma interpretação. Para mim, a repetição do "É preciso" faz uma alusão implícita às necessidades impostas por governos autoritários. O que torna essa interpretação mais sólida é o contexto da realização do livro, já que este compreende o período entre a 1ª Guerra Mundial e a 2ª Guerra Mundial, difusão de ideologias nazistas e em um contexto nacional, o governo de Vargas.

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    1. Obrigado pela visita e interlocução!
      Volte sempre! Pessoas como você nos animam a continuar ....
      Rose

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    2. Anônimo21.1.14

      Ola, meu nome é Adilson.Me chamou a atenção a interpretação dada a nosso colega quanto a aliteração presente no texto. Embora a presença do autoritarismo se fizesse realmente marcante, a repetição do "É preciso" também me remete a um dever marcado pela obrigação imposta sócio-culruralmente, marcadas pela repetição e saturação da rotina comum a todos.Não sei se falei besteira, até porque essa é uma interpretação muito minha, mas acho que se tiver razão isso torna o poema muito atual, pois essa força cultural ainda existe , ainda que sob outras vestes. Abraço.

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  2. Anônimo9.5.15

    Ola , queria saber o porque que Carlos Drummond escreveu o poema ?

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