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25/10/2012

Curso: "Professor onde está o seu valor"?

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No encontro deste mês assistimos o filme que será descrito abaixo. Não será preciso explicar com detalhes o quanto a temática me tocou e o porque fiquei extremamente emocionada!!! Só tenho a agradecer pela oportunidade de estar participando de momentos tão importantes tanto para minha formação pessoal, espiritual, quanto profissional! Muito obrigado Gilson e Erika. (ver post também no blog EMEF Américo Capelozza)
Mary e Max é um filme encantador que fala do Amor: um verdadeiro amor, diferente, improvável; um amor fraterno.
É a história de uma amizade entre uma jovem menina Australiana de 8 anos Mary Daisy Dinkle e um senhor Nova Yorquino chamado Max Jerry Dorowitz de 44 anos. Apesar de viverem afastados, de terem uma grande diferença cultural, de idade e viverem em mundos totalmente diferentes, sincronicamente suas vidas se cruzaram num encontro genuíno: um reencontro de Almas...
Baseado em fatos reais, o filme, usa a descrição, a delicadeza e o humor para tratar de temas sérios, profundos e complexos como: abandono, rejeição, transtornos psíquicos, obesidade mórbida, alcoolismo, bullying, homossexualismo...



Mary escolhe o nome de Max aleatoriamente em uma lista telefônica, no correio, e eles passam a se corresponder através de cartas: surgindo assim uma grande amizade que iria mudar suas vidas. Um vínculo de amor baseada na sinceridade, confiança e respeito, que venceu barreiras físicas, geográficas e psicológicas.
Pela correspondência, apesar de nunca terem si visto, eles filosofam de tudo: religião, sexo, amor, vida em sociedade, além de trocarem opiniões, questionarem dúvidas e terem brilhantes ideias. 
Descobrem também que tinham muitas afinidades e gostavam das mesmas coisas, parecendo em alguns momentos serem a mesma pessoa. Tiveram históricos de rejeição e abandono, compartilhando de uma mesma dor: a falta de amor e a solidão.
Mary e Max
Tudo que mais desejam é alguém com quem possam dividir seus mundos, suas ideias, suas dúvidas, suas alegrias e dores: sua Vida. Alguém que os aceite como são em sua alteridade e para quem possam confiar seus mais secretos desejos e segredos... Um verdadeiro amigo.
Mary e Max não eram aceitos por serem diferentes, não convencionais, não estando no padrão exigido pela censura social.
Através das cartas, eles realizam juntos seu Processo de Individuação, que é o termo que a Psicologia Junguiana usa para designar o processo de transformação do ser humano do Ego em direção ao Self, através do autoconhecimento.
A realidade de Mary e Max nos faz refletir sobre a dificuldade em se relacionar com o outro e estabelecer vínculos que estamos vivendo e que reflete em primeiro lugar um distanciamento de nós mesmos.
Os solitários sofrem por "não olhar sua relação consigo mesmo", buscando no mundo exterior aquilo que deveriam buscar em sua interioridade.. É preciso primeiro de tudo me reconhecer, aprender a ficar comigo, me acolher, me aceitar, me amar, me curtir, e ter uma qualidade de vida interior mais saudável, superando as necessidade primitivas do meu nascimento e desenvolvimento, para poder me relacionar com os outros. Solidão nada mais é que sentir falta de mim mesmo.
O filme que fala das emoções através dos conflitos dos personagens e de como muitas vezes as reprimimos ao invés de expressá-las de forma adequada e saudável. Observamos um desfile de emoções: alegria, tristeza, raiva, dor, ansiedade, medo, ternura, indignação. Enquanto Mary é um tipo muito sensível e bem emocional, Max era racional e pragmático. Os dois tinham assim Tipos Psicológicos opostos e se completavam.
“Mary e Max” é uma animação escrita e dirigida por Adam Elliot, que usa a técnica cinematográfica stop motion isto é movimento parado. Utiliza a disposição sequencial de fotografias diferentes de um mesmo objeto inanimado para simular o seu movimento, como nos antigos desenhos animados.
Tudo desde os personagens e o cenário são fabricados em massinha num verdadeiro trabalho de arte e sensibilidade.
Os personagens são fantásticos, estilizados, cheios de adornos, caricaturas da vida real, com um realismo incrível, conseguindo representar as características físicas e psicológicas de cada um: melancolia, dor, sofrimento: como eles se apresentam para o mundo; sua máscara.
O cenário é riquíssimo e ambienta a vida e os mundos completamente diferentes em que vivem Mary e Max, atravessando 20 anos de história e de vida de 1976 a 1996.
O filme inicia apresentando o endereço de Mary: Ela vive em Monte Waverley na Austrália, na estrada Lamington, num típico bairro de casinhas de tijolos com cenas da vida cotidiana como chuteiras penduradas, antenas de TV, bola de futebol no telhado, patins no jardim, o lixo, a caixa do correio, o guincho de água, roupas penduradas, as moscas, pássaros, flores.
Mary vive imersa nesse mundo australiano marrom, que é sua cor preferida, a cor de seus olhos (cor das poças de lama) e também de uma marca de nascença que tem na testa (na cor de cocô). O clima marrom é salpicado pelos objetos em vermelho, que aparecem em destaque; como a presilha de Mary, as flores, as malas, seu pompom, a boca de sua mãe etc.. A cor marrom está relacionada a repressão emocional, ao medo do mundo externo e a baixa auto-estima.
Ela é uma menina tímida, baixinha, meio desajeitada, usa óculos, é muito observadora, sensível e meiga. Era filha única de um casal, com uma dinâmica familiar profundamente neurótica e desestruturada. Seus pais eram individualistas, negligentes, orgulhosos, egoístas e omissos em suas funções de nutrir a filha de amor, carinho, atenção, compreensão.
Seu pai, Noel Norman Dinkle era um homem anti-social, introspectivo, apático, calado e triste. Depressivo, vivendo a margem da vida, em Tanatos, sem vitalidade, e prazer, num clima de morte. Não expressava seus sentimentos. Trabalhava em uma fábrica colocando a cordinha nos saquinhos de chá e passava a maior parte de seu tempo em casa, isolado em seu galpão, bebendo licor irlandês e empalhando pássaros que encontrava na beira da estrada, sem participar em nada da vida da filha. Apesar de ser o provedor da família, sua figura paterna e masculina era inexpressiva.
Sua mãe, Vera Lorraine Dinkle, intrigava Mary: era instável, fútil, vaidosa, com excessiva preocupação com a aparência, sendo espalhafatosa e perua (boby na cabeça, casaco de pele, piteira, batom vermelho). Perversa e sem sentimentos maternais, não sabia acolher a filha a quem tratava com crueldade e menosprezo. Seu hobby era ouvir o Jogo de Criquet no rádio enquanto cozinhava. Era dependente química do cigarro e do álcool, consumindo Sherry e Thompson como se fosse chá. Era Cleptomaníaca roubando mantimentos e objetos de lojas e supermercados. Podemos ver Vera como um ser humano com muitos processos para resolver e transformar, uma pessoa também com grandes dificuldades com seus sentimentos, doente e aprisionada em sua persona e em sua sombra.
Mary tinha um profundo sentimento de rejeição, não se sentindo amada pelos pais e sua própria mãe lhe disse que ela tinha sido “um acidente”. A imaturidade psicológica infantil, de integrar essa dura realidade resulta em auto-estima baixa, complexo de inferioridade e sentimento de culpa por estar no mundo. Junta-se a isso uma não aceitação de si-mesmo. Tudo isso repercute no desenvolvimento saudável de Mary que cresce insegura com sua Imagem corporal, introvertida, tímida e com dificuldade de se relacionar.
Mary não tinha amigos e se sentia muito sozinha, por isso adotara um Galo chamado Ethel como animal de estimação e fiel companheiro. Seus únicos amigos era os Noblets de seu desenho animado preferido da TV eles eram marrons, viviam em um bule e tinham muitos amigos. Era muito criativa e fazia seus próprios brinquedos, inclusive os seus Noblets com conchas, pompons e ossos. Adorava chocolates e comer leite condensado na lata..
Usava um anel para medir o humor a depender da cor que estivesse.
Era curiosa e tinha muita imaginação, vivendo num mundo de fantasias. Ela sonhava acordada (devaneios) em se casar com um lorde escocês e viver em um castelo, ter 9 filhos, 2 patos e um cachorro chamado Kevin. Esse sonho reflete o desejo de construir uma família com um modelo diferente do dela.
Max vive em um cenário Nova Yorquino, escuro, cinzento, em preto e branco, típico das cidades grandes com seu espaço caótico, ruas estreitas, sujas, arranhas céus, violência e balas perdidas. Contrastando as línguas dos personagens eram vermelhas. A ambiência reflete seu estado de espírito sempre melancólico, triste, ansioso e com predominância ideias negativas.
Excêntrico, pragmático e racional vivia completamente sozinho em um minúsculo apartamento. Não se adaptava a vida agitada, barulhenta da cidade, com seus cheiros fortes, luzes ofuscantes e sonhava em viver em um lugar como a Lua: desabitada, silenciosa, tranquila. 
Max teve que enfrentar a dor da perda, o sabor do abandono e da rejeição muito cedo. Sua mãe foi abandonada grávida em um kibutz e se suicidou quando ele tinha 6 anos, deixando-o órfão.
Muitas das dificuldades de Max são por conta da Síndrome de Asperger, que é considerado um transtorno neurobiológico da Afetividade. É caracterizado por um entendimento lógico e literal da linguagem e a ausência de conecções com o mundo simbólico, o que leva a um não reconhecimento das emoções no rosto das pessoas. A consequência é uma enorme dificuldade na comunicação e nas relações interpessoais, levando ao isolamento e muitas vezes a Depressão. Não quer dizer falta de sentimentos e sim uma dificuldade em expressá-las
Com 1.80 de altura, Max pesa 160 kg e tem obesidade mórbida, frequentando semanalmente as reuniões dos Comedores Anônimos para tentar perder peso. Come por prazer e por compulsão para diminuir sua ansiedade e angústia.
Faz acompanhamento Psiquiátrico
Tem péssimos hábitos alimentares, ingere comidas prontas industrializadas como Quiche de Batatas Glicks na terça-feira, Peixe picante do Capitão na quarta e Panqueca de Queijo Yentls na quinta. Diverte-se preparando suas próprias receitas.
Para enfrentar a solidão ele dividia a casa com um peixe, que frequentemente se suicidava, dois caracóis, um periquito Biscoito e Hal, gato cego Hal. Também tinha um amigo imaginário Sr. Ravioli.
Mary e Max – Uma Amizade Diferente

Assim como Mary, seu desenho animado preferido era os Noblets, porque eles representam uma estrutura social articulada e tinham muitos amigos. Sofria de insônia e passava as noites contando carneiros, vendo TV, pegando moscas no ar para seu peixe ou comendo cachorro quente de chocolate, comida que ele mesmo inventou e que era sua preferida. Os chocolates também eram para ele uma paixão.

Os três desejos de Max eram ter um amigo de verdade, uma coleção completa de Noblets e uma fonte inesgotável de chocolates.

Tinha ataques de ansiedade quando perdia o controle por ser confrontado por alguma situação nova e estressante, entrando em Pânico. Ele frequentemente se reporta ao passado e a sua infância difícil e sofrida, quando as crises começaram. Traz marcas do abuso e do bullying que sofria na escola onde era perseguido por ser judeu, o que resultou em medo e stress frequentes.

Tem preocupação com o rumo que a vida social vem tomando, pois achava as pessoas sem educação, e sem respeito pelo próximo. Sempre era mal compreendido por todos nas ruas, que o julgavam mal e o consideravam perigoso, tarado ou mau elemento, o que aumentava sua timidez e seu complexo de rejeição. Tinha dificuldade de compreender as pessoas. “Eu acho que as pessoas me acham indelicado, não consigo entender porque ser honesto pode ser errado. Será por isso que não tenho amigos exceto você?”

Durante sua vida teve muitos empregos, todos informais e que não dependiam de formação escolar: foi coletor de fichas no metrô, embalou macarrão em uma indústria, imprimiu logos de artigos novos em uma empresa que fabricava freesber, fez parte de júri (para receber biscoito e café de graça), coletou lixo na rua, serviu ao exército dos EUA, foi comunista e finalmente trabalhou numa fábrica de camisinhas, apesar de nunca te usado nenhuma.

A mãe de Mary interceptou sua primeira correspondência e quase que a carta de Max se perde. Graças ao seu galo de estimação, Mary consegue resgatá-la. Passa a escrever escondido à noite e a receber as cartas pelo endereço de seu vizinho. Ele é um veterano de Guerra, que não tinha pernas e vivia na cadeira de rodas, sofrendo de Agarofobia ou fobia social. Nunca saia de casa e sempre que tentava atraia algo negativo.
Mary entregava correspondência para juntar dinheiro primeiro para comprar um castelo e depois para ir ver Max na América. Ela também sofre bullying na escola de seus colegas que a rotulavam, criticavam de sua aparência e até da professora, sem nenhuma pedagogia. “Você já foi provocado?”, pergunta a Max.
As cartas de Mary e seus questionamentos mobilizavam profundamente Max que entrava em pânico ficando muitas horas parado para se recuperar ou comendo compulsivamente, pois traziam a tona memórias ou assuntos que ele não sabia como lidar, seus complexos mal resolvidos e sua imaturidade emocional.
Mary confidencia a Max que está encantada com seu vizinho Damian Popodopolou’s que era grego e gago. Conta do seu desejo de namorar e fazer sexo. Está apaixonada. Revela também suas descobertas sobre como as pessoas namoram e como são feitos os bebês. Questiona se ele tem namorada ou esposa e se já fez sexo.” Você pode me explicar sobre o amor e como eu posso ser amada?” Max não sabe nada sobre o amor e não tinha um bom histórico com as mulheres: nunca dividiu a cama com nenhuma além de seu saco de água quente Sarah. Romance e Amor eram coisas misteriosas para ele. Ele não compreendia o amor. Se ao menos houvesse uma equação matemática para ele... Não tinha uma solução lógica, racional. Max tem um colapso e vai parar no hospital, onde fica durante 8 meses sendo cuidado com medicação e eletrochoques. É diagnosticado como Depressivo e com obesidade grave. Observa-se aí a realidade dos doentes psiquiátricos.
Quando voltou para casa foi recebido por sua vizinha Ivy e resolve não escrever mais para Mary para manter sua sanidade mental.
No seu aniversário de 48 anos ele ganha na loteria e fica rico. Interessante notar que Max não muda de vida, não infla o Ego. Apenas a satisfação de dois dos seus três desejos já o deixa felicíssimo, mas não realizado, pois não realizara seu desejo de ter um amigo de verdade e sente saudade de Mary. Conclui que dinheiro não traz felicidade e não compra um verdadeiro amor. Então ele doa tudo para Ivy.
Inflada, Ivy torra o dinheiro com vaidades, plásticas e aventuras e acaba vítima de seu próprio desequilíbrio. Morre em um acidente.
Max é aconselhado pelo seu Psiquiatra a escrever para Mary e lhe contar a verdade de quem era e também seus defeitos. Mary, que estava triste por não ter notícias, queimara suas cartas com raiva, mas fica radiante quando recebe novamente uma carta dele.

Ele conta que tem Síndrome de Asperger, tinha consciência de sua doença e a aceitava, porque se não fosse assim não seria ele mesmo. As doenças fazem parte de nosso processo de cura e é através dela que mudamos e evoluímos. Ele confessa sua Sombra...
"Não me sinto diferente, não quero me curar. Gosto de ser um Aspie. A única coisa ruim é não chorar.
A amizade de Mary e Max ressuscita. Mary envia lágrimas suas para o amigo e este foi o melhor presente que ele recebeu na vida. Suas cartas voavam rápidas e recheadas de chocolates e de amor. Interessante observar que os presentes que eles trocavam permaneciam com seus tons característicos, vermelhos no mundo de Max e preto e branco no de Mary. Ele aprendeu a ler as cartas com cuidado e tomava remédio quando sentia que ficava ansioso. Ele passava as cartas a ferro cuidadosamente e guardava em um lugar especial
O tempo passou e enquanto Mary crescia para cima, Max crescia para os lados. E como nada na vida é perfeito, ambos acabam passando por grandes decepções, fracassos e até algumas tragédias em suas vidas.
Porque ele era visto como diferente e os outros eram considerados normais? O que é a normalidade?Os seres humanos são ilógicos jogam comida fora quando tem crianças passando fome, desmatam florestas quando precisam de oxigênio, criam horário para os ônibus mais estão sempre atrasados. “Só existem duas coisas infinitas: O universo e a estupidez humana” Einstein
Mary passa por perdas. Em 1988 seu pai depois de trabalhar 40 anos em um mesmo lugar, se aposenta e abandona também a taxidermia para começar uma nova atividade de detectar metais. Infelizmente foi vítima de um acidente, sendo engolido pela onda de um tsunami.
Mary recebe uma herança do pai e vai para Universidade estudar sobre os Distúrbios da Mente, para aprender mais sobre a doença de Max. Damian também vai estudar para ser ator. Mary faz uma plástica para tirar a mancha marrom da testa e se produz para o amado, mas não tem o resultado que esperava, ficando frustrada. A conclusão é que não adianta a mudança externa sem uma transformação interna e é Max quem lhe aponta o caminho lhe enviando um biscoito que lhe foi dado por uma menininha na rua: “Primeiro ame a si mesmo”...
Um ano depois, aos 17 anos Mary perde sua Mãe, que se entrega ao alcoolismo depois da morte do marido e se envenena por acidente com o líquido que ele usava para embalsamar os animais. A morte da mãe foi um marco para Mary, que enterra com ela seu anel de medir humor e liberta-se da relação destrutiva. Amadurece e cresce.
Pouco tempo depois Mary se casa com seu único e grande amor Damian. Tudo foi perfeito como em suas fantasias, tendo sido muito bem acolhida pela família do noivo. Sua auto-estima estava maravilhosa e sua confiança era quase insuportável. Na Universidade ela brilhou e se formou e sua proposta era curar as Doenças Mentais. Para isto aprofundou seus estudos e começou a escrever uma tese sobre a Doença de Asperger usando Max como estudo de caso. Sua pretensão era curá-lo. Então lhe envia o primeiro exemplar e lhe diz que vai dividir com ele os direitos e que vai visitá-lo dentro de uma semana.
Max não recebe bem o livro, fica indignado, profundamente magoado, triste e confuso. Se sente traído por sua única amiga. Em sua dor, arranca a letra M de sua máquina e a envia para Mary. Esta recebe a correspondência na hora de viajar e então cai em profundo pesar. A ideia de ter feito seu melhor amigo sofrer lhe causa profundo pesar e um arrependimento profundo se abate sobre ela que manda parar toda a impressão dos livros e os destrói, destruindo junto sua carreira.
Desgostosa ela entra em um processo de depressão reativa. Perde o interesse pelo mundo, começa a beber repetindo o padrão materno. Manda para Max uma lata de leite condensado com a palavra Desculpe: pedia perdão... Passa a esperar cartas que não chegavam e a se destruir a cada dia. Tem a sensação de estar morta.
Sua relação com Damian chega ao final sem ela perceber. Ele a abandona para viver um amor homossexual pelo seu amigo de correspondência e foi morar Nova Zelândia em uma fazenda de ovelhas. Ele lhe escreve contando tudo em despedida e diz que a sua busca de cura estava indo pelo caminho errado.
Max está zangado, com raiva e tem um ataque de fúria com o mendigo da calçada, que lhe pede desculpa... Imediatamente ele lembra de Mary e reconhecendo a emoção fica profundamente tocado. Resolve então Perdoar Mary e para se retratar lhe manda toda sua coleção de Noblets como prova de seu amor. Sente então que o mundo está novamente em equilíbrio.
Em completo delírio, imersa em sua dor, Mary quer terminar com sua vida, se despedindo das fotos de todas as pessoas que amava enquanto ouve a música Que Será Será, com a corda no pescoço e a boca cheia de Valium. Então o seu vizinho Len salva o dia e depois de 45 anos de reclusão ele atravessa a rua em sua cadeira de rodas para entregar a correspondência de Max, evitando a tragédia e salvando a vida de Mary.
O motivo porque lhe perdoo é porque você não é perfeita, igual a mim, todos os seres humanos são imperfeitos, igual a mim e a você. Quando eu era jovem queria ser outra pessoa, qualquer uma menos Eu. Se eu tivesse em uma ilha sozinho tinha que me acostumar comigo mesmo. Tinha que aceitar-me com meus defeitos e tudo mais. Não escolhemos nossos defeitos eles são parte de nós e temos que viver com eles. Podemos no entanto escolher nossos amigos e estou feliz por te escolhido você. A vida de todo mundo é uma calçada longa, umas bem pavimentadas outras rachadas, cheias de guimbas e cascas. A sua é igual a minha cheia de rachaduras. Espero que um dia nossas calçadas se encontrem e poderemos compartilhar uma lata de leite condensado. Você é minha melhor amiga minha única amiga.
Um ano depois Mary chega a Nova York com seu bebê no colo para conhecer Max, como havia prometido. Passaram-se 20 anos, desde que começaram a se corresponder. O encontro dos dois foi emocionante, uma experiência de amor na dor. Encontro e Despedida. Mary encontra Max morto em sua cadeira, havia feito a passagem pacificamente ainda aquela manhã depois de tomar sua última lata de leite de moça. Tinha uma expressão de profunda paz e o espaço do seu pequeno apartamento era pura Luz: Ela vai até a máquina e coloca de volta a letra ‘M’, depois segura em sua mão. Vê o seu de livro expressões faciais e a garrafa com suas lágrimas junto ao espelho onde estava presa sua foto e então maravilhada se dá conta que no teto estavam presas todas as cartas como um céu, que recebera de Mary durante todos aqueles anos e que o alimentaram de amor, nutrindo sua vida de carinho, confiança. Foi um momento mágico, um encontro numinoso com o sagrado, com o self. A Morte como elemento de Transformação e Cura. Em êxtase ela chora de alegria e felicidade apesar da dor da perda. Ela constata que ele tinha cheiro de alcaçuz e olhos da cor de poça de lama como ela... As luzes se acendem em Nova York e dentro dela também...
A transformação de Mary e Max só foi possível através da abertura do coração para o Amor...
A minha pergunta preferida é sobre o táxi: se um táxi andar para trás é o taxista quem tem que nos pagar?
“Querido Sr. Max Horowtz, meu nome é Mary Dayse Dinkle, tenho 8 anos, 3 meses e 9 dias de idade e minha comida preferida é leite condensado, seguido de perto por chocolate....De onde vem os bebês na América? Seria ótimo se você pudesse escrever de volta e ser meu amigo. Atenciosamente M.D.D. P.S. Espero que goste da barra de chocolate que estou te enviando “
“Cara Mary Daizy Dinkle, agradeço a carta que abri e li as 21h e 17min. Estou tentando perder peso porque meu psiquiatra Bernard Hazlhof, diz que um corpo saudável resulta em uma mente saudável... Ele diz que minha mente não é saudável. Aqui na América os bebes são postos pó rabinos se você é judeu e por freiras se você é católico e por prostitutas se você é ateu.”escreva logo para mim: seu amigo na América. PS: envio uma foto”
“Você é minha melhor amiga. Você é minha única amiga.”
“Queria ter um amigo que não fosse imaginário ou animal de estimação ou boneco de plástico...”
“a vida de todo mundo é como uma longa calçada. Algumas são bem pavimentadas, outras (…) têm fendas, cascas de banana e bitucas de cigarro”.
"Deus deu-nos nossos parentes, mas teve a bondade de nos deixar escolher nossos amigos."
(Ethel Munford)
Bibliografia:
Leloup, Jean-Yves: O Essencial do Amor
Márcia Hita: Médica e Psicoterapeuta Junguiana, Membro do Núcleo de Estudos Junguianos e do CIT Colégio Internacional dos Terapeutas. Fonte

4 comentários:

  1. Oi.Quanta coisa legal e interessante tem cercado seus dias , a homenagem do Rotary, muito bem devida, visto com vc se empenha pela educação, com uma dedicação extremada.Parabéns, me orgulho de estar no seu roll de amizades, isso me acrescenta.Bj

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    1. Obrigada pela visita ao blog, pela interlocução, pelo elogio, consideração, enfim ... obrigada por tudo!!!!
      O blog foi uma maneira interessante e divertida que encontrei de divulgar o trabalho sério, comprometido, profissional, dedicado dos nossos professores.
      Volte sempre!!!
      Beijos
      Rose

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    2. Anônimo31.10.12

      Olá Rose, ´com certeza o prazer está sendo nossa com sua querida e importante participação nos encontros... Estamos aprendendo muito com vc tbm...beijos
      Erika PEdroso

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    3. Mais uma vez, obrigada pela visita e interlocução!!!
      A cada encontro fico mais fortalecida, feliz e realizada por estar participando... Aprendemos muito, sem dúvida!!!
      Beijos
      Rose

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