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08/08/2012

Conteúdos escolares e aprendizagem na EJA

É já sobejamente reconhecido que os alunos de EJA dispõem, em níveis variados, de um amplo universo   de   conhecimentos práticos e concepções relativamente cristalizadas dos diversos aspectos da realidade social e natural. Ademais, têm compromissos e responsabilidades bem definidos que os ocupam e os movem.
Tal assunção, extremamente necessária na concepção e realização da EJA, não permite supor que a pessoa jovem ou adulta aprenda mais rapidamente que as crianças; aprende, sim, diferentemente, em função de seu quadro de referências e formas de se pôr e perceber o mundo.

É absolutamente fundamental o reconhecimento de que os tempos e formas de aprendizagem do jovem e adulto são diferentes dos das crianças e púberes, tanto pela conformação psíquica e cognitiva como pelo tipo de inserção e responsabilidade social. Isto significa reconhecer que os adultos, em função do já-vivido, têm modelos de mundo, estratégias de compreensão de fatos e de avaliação de valores densamente constituídos, de forma que toda nova incorporação conduz a compreensões mais amplas e, eventualmente, difíceis de realizarem.
Trata-se de, pela ação educativa, contribuir para que estes alunos – sujeitos plenos de direito – possam, na problematização da vida concreta, adquirir conhecimentos e procedimentos que contribuam para a superação das formas de saber cotidiano.
Isto se faz pelo deslocamento do lugar em que se costuma estar, para, tomando como estranho o que é familiar, ressignificar o real, entendido não como o absoluto em si, mas sim como o resultado da produção histórica do conhecimento.
Nessa direção, a educação de adultos não pode ser pensada como recuperação de algo não aprendido no momento adequado e tampouco deve seguir os critérios e referenciais da educação regular de crianças e adolescentes.
O adulto não volta para a escola para aprender o que deveria ter aprendido quando criança. Para além do legítimo desejo de reconhecimento social, ele busca a escola para aprender conhecimentos importantes no momento atual de sua vida, conhecimentos que lhe permitam “desenvolver e constituir conhecimentos, habilidades, competências e valores que transcendam os espaços formais da escolaridade e conduzam à realização de si e ao reconhecimento do outro como sujeito” (Parecer CNE 11/2000).
A maneira como se considera a escrita tem implicações pedagógicas. Se concebida como código de transcrição da oralidade, sua aprendizagem consistiria da aquisição de uma técnica. Se concebida como sistema de representação da língua falada, sua aprendizagem se converte na apropriação de um objeto de conhecimento, o que significa a aprendizagem conceitual. (...)
É a partir de múltiplas experiências de leitura e de escrita que o sujeito incorpora a língua escrita às práticas sociais. O alfabetizando desenvolve o conhecimento num processo ativo e não na repetição de modelos, em que memorizaria sem compreender. (...)
Como temos percebido um grande avanço no processo de construção da escrita dos nossos alunos, solicitamos que a professora nos enviasse algumas fotos e explicações sobre a metodologia que ela utiliza com o grupo. Ela enviou a seguinte mensagem:
 
Oi Rose!
Estou enviando as fotos do alfabetário (...), é um material simples, mas que auxilia bastante e diverte as atividades de leitura e escrita de palavras. Sempre uso o alfabetário com o alfabeto móvel. É possível utilizá-lo com diferentes estratégias: pedindo para os alunos irem até a lousa formar a palavra; pedindo que eles ditem as palavras pra mim e em seguida conferimos o que está faltando ou sobrando; também é possível colocar em evidencia algumas letras para serem organizadas e formar alguma palavra... enfim. Fica mais fácil a visualização, principalmente para os que têm idade mais avançada.
Beijão
Luciana

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