Licensa

10/07/2012

Educação de Jovens e Adultos

A Educação de Jovens e Adultos é uma modalidade de ensino cujo objetivo é permitir que pessoas adultas, que não tiveram a oportunidade de frequentar a escola na idade convencional, possam retomar seus estudos e recuperar o tempo perdido.
Oferecer a modalidade EJA nos dias de hoje requer um novo pensar acerca das políticas educacionais e das propostas de (re) inclusão desses educandos nas redes de educação pública do nosso país. O que se tem pensado até o momento é que o trabalho pedagógico desenvolvido neste seguimento de ensino deva ser de cunho eminentemente alfabetizatório. No entanto, alfabetizar é somente a primeira parte do processo. O que não se pode é pensar que só alfabetização poderá garantir desenvolvimento social deste educando.
A educação é o maior e melhor instrumento gestor de mudança, através dela o homem consegue compreender melhor a si mesmo e ao mundo em que vive, dessa forma, a própria educação deve ser a primeira a aceitar e a acompanhar o desenvolvimento e suas especificidades, ou seja, renovar e promover a interação com o novo.
O educador da EJA tem um grande desafio diante dos seus olhos, cada aluno pode ser percebido como um universo particular, uma das competências esperadas é que o educador tenha a capacidade de extrair desse universo características comuns para conduzir o grupo.

Como estamos falando de alunos com uma trajetória de vida mais complexa do que a de uma criança entramos num mundo cheio de barreiras, pré-conceitos e tudo mais que se puder imaginar. O processo de aprendizado se não for bem conduzido e se não respeitar as diferentes idades, as emoções, as origens e os gêneros, pode inclusive reverter-se numa carteira vazia já nos primeiros dias de aula.

Independente do nível a ser tratado na EJA não se pode ignorar as experiências e a realidade dos alunos, para que seja possível dar significado ao aprendizado, para que se torne útil aos alunos e que possa fazer a diferença em suas vidas, dai o sucesso do sistema Paulo Freire.

A EJA é um caminho importante para as pessoas que não tiveram acesso a Educação Básica na idade própria possam atingir sua plenitude como cidadãos e como pessoas, retirando as marcas de uma sociedade excludente e opressora.
Nossos alunos - turma 2012
Concluindo, podemos assumir que a ação educativa, em função do que acima se enunciou, impõe como exigências:
a ampliação da capacidade de interpretação da realidade; isto implica a nova postura no que se refere ao ato de conhecer, assumido como esforço sistemático e abrangente;
a apreensão de conceitos – entendidos como instrumentos de compreensão da realidade e alvo constante de reelaboração – para que se faça possível a busca permanente de conhecimentos;
o desenvolvimento das habilidades de leitura, escrita e cálculo, de forma que os educandos possam interagir com outras formas de conhecimento, além dos que trazem de sua experiência;
a problematização da vida concreta, de modo que os participantes possam compreender a realidade e atuar sobre ela no sentido de transformá-la;
o exercício sistemático de análise da realidade, quando se aplicam efetivamente os conceitos, contrastando-os com as evidências e problematizando-os desde o lugar e pontos de vista dos sujeitos envolvidos.

Saber usar a escrita significa:
• Poder ler jornais, revistas, livros, documentos e outros textos que fazem parte de sua profissão, crença, participação político-cultural-social;
• Conhecer e aplicar recursos característicos da escrita (sínteses, resumos, quadros, gráficos, fichas, esquemas, roteiros etc.) e usar nas atividades da vida social de acordo com a necessidade;
• Escrever o que precisa (avisos, bilhetes, cartas, relatórios, registros, documentos, listas etc.), tanto para a vida pessoal como para a ação social e profissional;
• Usar procedimentos próprios da escrita, para a organização de sua vida, fazendo anotações, monitorando a leitura, planejando sua ação;
• Avaliar escritos e leituras que se realiza, considerando os objetivos e a situação;
• Realizar estudos formais, manipulando textos descontextualizados e auto-referidos;
• Participar de situações em que predomina a oralidade escrita, sabendo intervir e atuar nesse contexto. fonte

Não faz sentido pensar que o educando adulto retorna aos bancos escolares para aprender o que deveria ter aprendido como criança. Tal raciocínio só se justificaria se compreendêssemos as pessoas como máquinas acumuladoras de informação e de programação específica, divorciando os conhecimentos e as capacidades frutos da vivência e das formas de compreender a vida que cada pessoa constitui em sua história. (...)
Esta perspectiva de ação educativa implica a postura aberta do educador e reconhecimento de que o domínio de um certo conhecimento não se resume à posse de informações, nem se mede pela quantidade de informação disponível ou armazenada por algum sistema. O conhecimento, individual ou social, é acima de tudo a possibilidade de dar sentido aos objetos do mundo e às afirmações que a humanidade faz sobre ele, bem como de agir sobre o mundo. Em outras palavras, o conhecimento supõe a compreensão dos processos pelos quais as coisas se organizam dentro de sistemas de valores e princípios. (...)


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