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22/06/2012

Pensando o relacionamento entre Ética e Estética

O indivíduo-artista busca equacionar ética = estética, e descobre a necessidade da Imanência na transcendência do Ego. Dirige o olhar, a sensibilidade, a razão e a intuição para o mundo que o cerca, e torna-se agudamente consciente de que todos os tempos históricos coexistem no agora da Humanidade e nos tempos internos de cada indivíduo.
Percebe a realidade dos estados alterados de consciência: o sono, o sonho, o delírio, o erótico, a rotina, o discurso, a atenção, a vivência religiosa, a certeza ateia, a criação artística-científica-filosófica. Todos estes e muitos mais são diferentes estados de consciência.
Em êxtase (ex = fora, stasis = parar, ficar), o indivíduo-artista, fora de si, observa-se, transforma-se e é transformado quando a razão, subjugada, é passiva e paciente da ação de algo além, ao mesmo tempo transcendente e imanente ao indivíduo.
Esse algo é a Ética: mais que uma disciplina de conduta, a própria natureza humana. E a Ética pode se expressar esteticamente. O ético-estético transforma não somente ao indivíduo-artista, mas todos que o contemplam. (...)
Para Freire a educação deve ter uma visão global do aluno, com sentimentos e emoções, tornando relevante o estudo das dimensões ética e estética. A prática e a teoria freiriana, fundamentam-se em uma ética inspirada na relação "homem-no-mundo", ou seja, estar no mundo, e na construção de seu "ser-no-mundo-com-os-outros", isto é, ser capaz de se relacionar com as pessoas e com a sociedade (FREIRE, 2001c).
A expressão desta ética se dá nas formas da estética, no resgate e na busca de todas as formas de expressão humana - sua beleza estética própria e o aprimoramento destas expressões. Assim, conforme nos apresenta Freire, a beleza não é privilégio de uma classe, mas uma construção compartilhada por todos, precisando ser conquistada a cada momento, a cada decisão, por meio de experiências, atitudes capazes de criar e recriar o mundo.


(...) A educação, segundo o autor, visa à libertação, à transformação radical da realidade, para melhorá-la, para torná-la mais humana, para permitir que homens e mulheres sejam reconhecidos como sujeitos de sua história e não como objetos. Freire afirma que "Assumirmo-nos como sujeitos e objetos da História nos torna seres da decisão, da ruptura. Seres éticos" (2001:40). Corroborando com essa afirmação, Paulo Freire, realça a ideia de que:
"O que, sobretudo, me move a ser ético é saber que, sendo a educação, por sua própria natureza, diretiva e política, eu devo, sem jamais negar meu sonho ou minha utopia aos educandos, respeitá-los. Defender com seriedade, rigorosamente, mas também apaixonadamente, uma tese, uma posição, uma preferência, estimulando e respeitando, ao mesmo tempo, ao discurso contrário, é a melhor forma de ensinar, de um lado, o direito de termos o dever de "brigar" por nossas ideias, por nossos sonhos e não apenas de aprender a sintaxe do verbo haver, do outro, o respeito mútuo" (FREIRE, 2002, p. 78).
Desejo - Roseana Murray
Quero asas de borboleta azul
para que eu encontre
o caminho do vento
o caminho da noite
a janela do tempo
o caminho de mim.

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