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15/06/2012

LITERATURA E IMAGENS: A CRIANÇA E O PRAZER DE LER

O "livro de imagem" é aquele que conta histórias sem a existência de palavras. Eles são chamados também de "livros sem texto" ou "livro mudo". O primeiro livro desse gênero, publicado no Brasil, foi Ida e Volta de Juarez Machado em 1976 pela Editora Primor. Na atualidade ele está sendo publicado pela Editora Agir.

Nos últimos anos, as imagens que pretendem encantar ganham as páginas do gênero literário infantil dos livros de imagem sem texto. E esses livros ganham, por sua vez, “cada vez mais espaço na produção brasileira, gerando um ‘boom’ nas produções dessa natureza”. (Nakagawa; Reily, 2001, p.09).
Por ser um importante instrumento para desenvolver um leitor-intérprete competente, o livro de imagem é de extrema importância na formação da criança, exercendo um forte papel como mediador na formação da linguagem e na formação do leitor.
Ao ler o livro sem texto, a criança descobre sua própria voz e desenvolve o senso do que é lógico e possível na história, transformando-se em uma narradora e desenvolvendo um processo de significação por meio da linguagem visual, gerando múltiplas interpretações e estimulando a imaginação. (Nakagawa; Reily, 2001, p.12).
Apesar de o caráter do desejo e do gesto de registrar imagens poder ser espontâneo, a expressão pictórica e a consciência estética podem ser e devem ser educadas. Não em sua forma autoritária, mas democrática, isto é, proporcionando a todos as oportunidades de contato com a variedade e a qualidade dos bens culturais e artísticos.
Durante muito tempo, o trabalho com o texto escrito se restringiu aos conteúdos formais e as imagens foram vistas apenas como complemento ou adorno, mas hoje já sentimos uma mudança. Luís Camargo, autor, ilustrador e pesquisador de literatura infantil, lembra que "tem gente que faz cara feia para livro de poucas páginas, com muitas ilustrações, com pouco texto" e questiona: "Por que essa má vontade? As letras impressas no papel também têm um desenho - não são pensamentos para serem captados telepaticamente...". (CAMARGO, 1995, p.72).
(...) 
O livro, como alimento fértil e essencial para a imaginação, para o pensamento, para a criação, deve ser um objeto cultural de qualidade total, seja no aspecto textual, literário ou informativo, seja no que se refere às imagens, ilustrações e fotos. Fica, portanto, o convite ao leitor: abrir um livro e adentrar um mundo inusitado a ser descoberto.
Livro de imagem: o que há para ler
Vídeo contendo a apresentação de apoio. LIVRO-IMAGEM: O QUE HÁ PARA LER, mesa redonda proposta e organizada por Mayara Menezes Moinho e Eugênia Gabriela Souza e Silva. Realização: Com-Arte Júnior (ECA-USP). Convidados: Isabel Coelho, Luciano Guimarães e Peter O'Sagae. Em São Paulo, 5 de maio de 2011.
Apontamentos importantes:
“(...) não basta apenas a boa vontade do docente, o professor precisa receber fundamentação teórica e prática para formar o leitor de imagens, uma vez que “ninguém facilita o desenvolvimento daquilo que não domina, nem promove a aprendizagem de algo que não teve a oportunidade de conhecer”. Almeida (2003, p .9).
1.A leitura de livro sem texto é destinado a qualquer faixa etária.
2.É um estilo literário que estimula a leitura de imagens.
3.Leitores convencionais ou não, podem participar da leitura.
4.É um equívoco afirmar que são livros destinados apenas aos que ainda não dominam o código linguístico.
5.Escolha boas ilustrações.
6.Ilustrações confusas para a faixa etária dificultará a leitura.
7.O professor deve ler a história antecipadamente com atenção e pensar nas possibilidades de interpretações.
8.O momento da leitura deve ser bem planejado.
9. O professor deve ter claro quais são os objetivos da leitura de um livro sem texto dentro do trabalho que está realizando.
10.No momento da leitura a visualização das páginas é importante.
11.Organize as crianças de maneira que possam ver as ilustrações.
E o professor como participa da leitura?
Existem duas situações diferenciadas no papel do professor no momento da leitura do livro sem texto:
1ª O professor faz a leitura das imagens segundo o seu olhar;
2ª O professor mesmo tendo sua interpretação convida as crianças a contarem a histórias a partir da leitura das imagens.
Na primeira situação existe um direcionamento da leitura por parte do professor. Mesmo que as crianças participem com suas observações a leitura foi conduzida segundo o olhar do leitor (o professor).
"São muitos os fatores que influenciam na compreensão estética, dentre eles o meio familiar, o social, o acesso a imagens estéticas, etc. Contudo, a interação situa-se como fator preponderante no desenvolvimento da educação do olhar, uma vez que esta permite o desenvolvimento de ideias mais sofisticadas, as quais possibilitam uma leitura cada vez mais crítica." Rossi (2003, p.130).
Na segunda situação o professor mediará auxiliando-as na observação das imagens sem concluir no lugar da criança. A cada observação feita o professor estimulará novos olhares. A pergunta tem papel importante no convite à leitura, a escuta atenta das falas e observação da expressão fisionômica da criança são elementos reveladores de como cada um participa e deve ser considerado pelo professor no processo de leitura de imagens.
"Na medida em que o indivíduo vai conhecendo, explorando, formulando hipóteses e refletindo sobre as imagens, ele vai gradualmente refinando o olhar. A escola pode contribuir para o desenvolvimento desse processo, oferecendo desafios sob a forma de atividades abrangendo diferentes imagens existentes. Isso envolve, segundo o autor, não um treinamento, mas a participação da criança em atividades que coloquem em prática a ação de fazer perguntas às imagens e refletir sobre elas. Almeida Junior (2000, p. 20).

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