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29/06/2012

Educação em Valores Humanos

Daniel Munduruku
Nasceu em Belém, PA, filho do povo indígena Munduruku. Formado em Filosofia, com licenciatura em História e Psicologia, integrou o programa de pós-graduação em Antropologia Social na USP. Lecionou durante dez anos e atuou como educador social de rua pela Pastoral do Menor de São Paulo. Esteve em vários países da Europa, participando de conferências e ministrando oficinas culturais para crianças. Autor de Histórias de índio, coisas de índio e As serpentes que roubaram a noite, os dois últimos premiados com a menção de livro Altamente Recomendável pela FNLIJ. Seu livro Meu avô Apolinário foi escolhido pela Unesco para receber menção honrosa no Prêmio Literatura para Crianças e Jovens na Questão da Tolerância. Entre outras atividades, participa ativamente de palestras e seminários destacando o papel da cultura indígena na formação da sociedade brasileira. Pela Global Editora tem publicado várias obras. fonte
“Aprendi com meu povo o verdadeiro significado da palavra educação  quando via o pai ou a mãe do menino ou da menina conduzindo-os passo a passo no aprendizado cultural: pescar, caçar, fazer arcos e flechas, limpar o peixe e cozê-lo, buscar água, subir na árvore... Em especial, minha compreensão aumentou quando, em grupo, deitávamos sob a luz das estrelas para contemplá-las, procurando imaginar o universo imenso à nossa frente, que nossos pajés tinham visitado em seus sonhos. Educação para nós se dava no silêncio. Nossos pais nos ensinavam a sonhar com aquilo que desejávamos. Compreendi, então, que educar é fazer sonhar. Aprendi a ser índio, pois aprendi a sonhar. Percebi que na sociedade indígena, educar é arrancar de dentro para fora, fazer brotar os sonhos e, às vezes, rir do mistério da vida.
Descobri depois que, na sociedade pós-moderna ocidental, educação significa a mesma coisa: tirar de dentro, jogar para fora. Mas decepcionei-me ao ver que os professores faziam o contrário: colocam de fora para dentro. Os sonhos ficavam enlatados dentro das crianças e dos jovens.
Aprender, para o ocidental, é ficar inerte, ouvindo. Não escolhi ser índio, essa é uma condição que me foi imposta pela divina mão que rege o universo. Mas escolhi ser professor, ou melhor, confessor de meus sonhos. Desejo narrá-los para inspirar outras pessoas a narrar os seus, a fim de que o aprendizado ocorra pela palavra e pelo silêncio. É assim que dou aula – com esperança e com sonhos”...
2011 OBRAS DE DANIEL MUNDURUKU
Nas escolas onde o Programa de Educação em Valores Humanos é desenvolvido, a criança aprende a desenvolver suas potencialidades naturais e o sentido da UNIDADE - somos um só corpo, uma só energia. A compaixão de uns pelos outros é o resultado natural desse modelo de Educação, que já é sucesso em países da Europa e da Ásia. A sociedade que até agora viveu do descartável e do superficial, anseia pela profundidade das coisas verdadeiras. É tempo de banir a violência de nossas vidas; de entender o próximo como a extensão de nós mesmos; de abrir o coração e de ser feliz!

2 comentários:

  1. Gostaria de fazer algum trabalho nesse sentido com a minha sala. Percebi que o momento da Giovanna foi muito marcante para eles. Todos estão envolvidos nos cuidados e no carinho para que ela esteja bem.
    No retorno das aulas, acho que seria um bom momento para isso. Você me ajuda? Podem ser textos, atividades, livros, qualquer coisa que me dê subsídios para o trabalho com as crianças

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  2. Com certeza... Pode contar comigo!!!
    Acredito muito nesse trabalho e disponibilizarei tudo o que disponho a respeito...
    Parabéns pela iniciativa!!!
    Beijos
    Rose

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