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07/06/2012

A criança e a literatura

(...) Sendo a apreciação estética uma experiência pessoal e única, cada leitor tem seu jeito próprio de desfrutar a história, estabelecendo ligações entre o texto e a vida. Isso quer dizer que trabalhar com literatura na escola significa proporcionar às crianças, antes de tudo, a oportunidade de ler.
Entretanto, em algumas situações de leitura, é estimulante compartilhar os aspectos mais significativos do enredo com outras pessoas. Nesse sentido, a escola é um dos espaços ideais para que ocorra essa troca, devido às oportunidades de convivência que ela proporciona.
Além disso, o educador pode estimular o debate com questões e brincadeiras relevantes.
Assim, os objetivos das atividades propostas são:
• A fruição literária da história em si, sem transformar a literatura em um simples instrumento para abordar conteúdos de outras disciplinas.
• A criação de elos entre a literatura e outras áreas do conhecimento, respeitando a singularidade de cada área.
Os instrumentos para estabelecer essa ligação são o jogo e a linguagem, elementos presentes tanto na literatura como no desenvolvimento cognitivo da criança.
É importante também ressaltar um outro aspecto: a literatura, por ser arte, não estabelece normas nem regras de comportamento. Portanto, é fundamental que a própria criança leitora descubra nas entrelinhas do texto que valores estão implícitos nas ações dos personagens.
É claro que o adulto na sala de aula não deixa de ser um “lançador de ideias” para o grupo, ampliando os aspectos relevantes da história e apresentando questões instigantes a partir do texto. No entanto, muito mais importante é a sua força como “educador-leitor”.
Não há incentivo maior para a leitura do que conviver com pessoas que leem muito por puro prazer, pois a criança percebe de longe quando há sintonia entre o que o adulto diz e aquilo que ele faz.
Por isso, é o trabalho silencioso do “educador-leitor” que dá sentido a atividades como os “cantinhos de leitura”, as “rodas de histórias” e as “bibliotecas da turma”. Criar uma “rede de leitores” é uma tarefa diária, “miúda”, que se estende por um longo tempo. E é bom que seja assim — para ser duradouro. (E, por falar nisso, você seria a mesma pessoa se não tivesse lido os livros que marcaram sua vida?)
(...)
Anna Flora
livro
“Compreender o ato de ler como um diálogo (entre leitor, texto autor e contexto de produção do texto e da leitura) é considerar que as capacidades de leitura dos estudantes colocam limites claros ao tratamento que se pretende imprimir à prática da leitura na escola. Mas é um equívoco indicar e explorar apenas títulos possíveis ao grau de autonomia do leitor iniciante, ignorando o que é necessário que ele aprenda e que, por isso mesmo, ainda não lhe é possível.
Um projeto de leitura comprometido com a formação de leitores, além da oferta de títulos possíveis ao exercício da leitura fluente, deve proporcionar um cuidadoso cardápio que amplie o universo de expectativas ao leitor.
Conhecendo as capacidades de leitura da turma e dependendo do objetivo a ser alcançado, é possível antecipar se o texto pode ser lido de modo autônomo ou compartilhado. É necessário, entretanto, que, na rotina escolar, os estudantes vivenciem ambas as situações. Se oferecermos a eles apenas textos possíveis a seu nível de autonomia, tanto em relação à temática, como à seleção de palavras e de recursos estilísticos, não estaremos promovendo a ampliação da competência leitora. Porém, se todos os textos forem sempre lidos em situação de leitura compartilhada, os desencorajamos de tentar ler autonomamente, pois o processo estará sob o controle do professor.
Dessa forma, entendemos que a leitura integral de um texto possa ocorrer tanto como atividade pessoal, silenciosa ou em pequenos grupos, como atividade coletiva, quando um leitor lê em voz alta a um grupo e pode conversar a respeito dos conteúdos abordados no texto.”
Maria José Nóbrega
Ilan Brenman - Entrelinhas 19/06/2011
Foto
Foto: Christian Gaul
O escritor de literatura infanto-juvenil Ilan Brenam fala sobre seus livros e sobre seu trabalho como contador de histórias e formador de professores: "Eu, quando escrevo, nunca subestimo a inteligência da criança."

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