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24/05/2012

A VIDA NA PORTA DA GELADEIRA - Alice Kuipers


Segundo Smith (2003, p. 246):
“O papel primário dos professores de leitura é o de garantir que as crianças tenham demonstrações adequadas da leitura sendo usada para finalidades evidentemente significativas, e ajudar os alunos a satisfazerem, por si mesmos, estas finalidades. Onde as crianças veem pouca relevância na leitura, então os professores devem mostrar que esta vale a pena. Onde as crianças encontram pouco interesse na leitura, os professores devem criar situações interessantes. Ninguém jamais ensinou uma criança que não estava interessada na leitura, e o interesse não pode ser exigido”. Smith (2003, p. 246)
SMITH, F. Aprendendo a utilizar a linguagem escrita. In: _____________. Compreendendo a leitura: uma análise psicolinguística da leitura e do aprender a ler. Porto Alegre: Artmed, 2003. 
Vocês conhecem o livro abaixo?

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Estava dando continuidade a elaboração do arquivo com os livros recebidos através do Programa PNBE 2012 (comentado em postagem anterior) e me deparei com este livro. O título chamou minha atenção (...) fiquei imaginando (...) que tema será que essa autora trata? Como sempre faço busquei a sinopse na internet e encontrei o seguinte:
"Claire quase não vê sua mãe, uma obstetra muito ocupada com seu trabalho. As duas parecem habitar planetas diferentes, o intenso ritmo da vida só as deixa afastada. E lhes resta a geladeira, onde deixam bilhetes uma para a outra que vão desde "não esquece o dinheiro" até descobertas sobre a vida de cada uma.
Os bilhetes dividem mágoas, amores e recados que nunca seriam ditos pessoalmente. A porta da geladeira se torna o meio de comunicação entre mãe e filha, que mesmo morando juntas, estão sempre distantes.
A porta da geladeira confidencia momentos tristes e marcantes na vida das duas, confissões e finalmente, o entendimento que apesar de tudo se amam.
A estrutura da história é construída em forma de bilhetes, sem diálogos. Alguns bilhetes são bem simples como lista de compras, outros são mais complexos e tristes.
É um livro diferente e que ajuda a refletir até mesmo sobre nosso próprio relacionamento com os nossos pais e vice-versa.
A história é bem rápida, li em uma hora. Não é complexa, é clichê, mas ainda assim é pura e simples. Bonita. Um pouco difícil - ou muito. Mostra a falta que diálogo entre pais e filhos fazem. Em qualquer momento, sobre qualquer coisa.
A vida na porta da geladeira é um livro para todos lerem e dele tirarem suas próprias lições".
(...) "Não há narrador, não há personagens secundários e ambas são protagonistas. O set da narrativa, arrisco aqui, é o próprio relacionamento entre as duas, é a psique entremeada ao diálogo. E, o diálogo, por si, faz o papel de narrador, uma vez que a autora consegue com sutileza, imprimir ritmo, dramaticidade e tensão, às vezes numa simples mudança de enunciado do bilhete, como, ao invés de: “Claire”; para: “Pobre, Claire ”. Ou nas frases de despedida nos bilhetes da filha: “Com amor, sua filhinha”. Quando falo do diálogo, como narrador, é porque essa representação das conversas entre as duas, que não se veem, mas parecem tão perto uma da outra, nos dá a sensação de uma terceira voz na narrativa.
“A vida na porta da geladeira” surpreende na medida em que Kuipers consegue, entre listas de compras e outros avisos tão cotidianos escritos nos bilhetes à filha, alinhar uma relação de cumplicidade entre ambas, com muita intensidade, apesar da ausência. A narrativa é um jogo, com constância, e um final avassalador, em que, talvez, ninguém perca nessa relação tão distante. Afinal, depois da tragédia, a filha ainda aguarda um possível bilhete da mãe na porta da geladeira. Quem sabe"!
Não me contive. Comecei a ler durante meu horário de almoço. Fui me envolvendo tanto na leitura que não queria nem parar, se pudesse!!! Li até a página 122. Os textos são curtos, simples, fáceis, mas alguns muito profundos (...) Parei exatamente no bilhete que diz o seguinte:

"Querida Claire
Se eu ficar muito doente, quero que vá morar com seu pai. Mas eu te amo. Nunca duvide disso.
Com Amor,
Mamãe".

A filha responde:

"Mãe,
Estou tremendo. Acabei de entrar numa casa vazia - todas as luzes estavam apagadas. A cozinha estava vazia e vejo um recado na geladeira preso com aquele imã que eu te dei - aquele que tem uma foto minha quando eu era bebê. Você reparou no imã quando escreveu o bilhete?
Vi a plantinha no canto, um cacto quase chegando ao teto. Parecia maior do que eu lembrava. Então li o seu bilhete. 
As pessoas se recuperam desse tipo de coisa o tempo todo. Estou fazendo o possível para ser forte por você, mas não esqueça que você vai ficar boa. O. k.- mãe você vai ficar boa. Vai ficar tudo bem. 
Claire".
Espero que você sinta interesse em ler o livro na íntegra. Se isso acontecer, terei cumprido meu papel de educadora através desta postagem (...). Boa leitura!

Um comentário:

  1. Anônimo29.9.14

    Nossa, esse livro realmente é muito bom, li com minha mãe em uma noite, choramos e rimos, esse livro mostra uma realidade muito triste em que acontece em varias famílias!

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