Licensa

31/05/2012

AFINIDADE - Arthur da Távola

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
O mais independente. 
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois
que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples
e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos
fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Só entra em relação rica e saudável com o outro,
quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,
não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita
o outro como ele é. Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
Questionamento de não afins, eis a guerra.
A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,
por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos,
veremos ou falaremos.
Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem
para buscar sintomas com pessoas distantes,
com amigos a quem não vemos, com amores latentes,
com irmãos do não vivido?
A afinidade é singular, discreta e independente,
porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu
o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação
exatamente do ponto em que parou.
Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas
nem pelas pessoas que as tem.
Por prescindir do tempo e ser a ele superior,
a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades
ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós,
para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau,
porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.
Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois
encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir
restituir o clima afetivo de antes,
é alguém com quem a afinidade foi temporária.
E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta,
ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas,
plantios de resultado diverso.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quantos das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou,
sem lamentar o tempo da separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,
a expressão do outro sob a forma ampliada e
refletida do eu individual aprimorado.

30/05/2012

Dia do desafio - História

Durante o rigoroso inverno canadense de 1983, quando a temperatura chegava aos 20 graus negativos, o Prefeito sugeriu uma ação que necessitava da colaboração de todos. A ideia propunha que, às 15 h, todos apagassem as luzes, saíssem de casa e caminhassem durante 15 minutos ao redor do quarteirão mais próximo. Era um convite ao exercício do corpo.
Além de estimular a realização de atividade física, a iniciativa ocasionou a economia de energia que pôde ser calculada pelo número de pessoas envolvidas na atividade. No ano seguinte, a experiência foi compartilhada com a cidade vizinha e ambas realizaram a caminhada juntas, na mesma data e horário. Estava lançado o espírito que definiria o programa do Dia do Desafio.
A ideia teve sequencia e o Dia do Desafio passou a ser realizado todos os anos na última quarta-feira do mês de maio, em todo o mundo, e cresce em número de cidades e em total de participantes. Em 2012, o evento completou 17 anos no Brasil e tem oferecido a oportunidade de mobilização coletiva em torno da atividade física para pessoas do Continente Americano.

PERÍODO DA MANHÃ

PERÍODO DA TARDE

Individualismo, ritmo estressante e sedentarismo são alguns dos males que atingem a vida moderna. Paralelamente, a manutenção da saúde, a prevenção de doenças e a prática de exercícios têm sido amplamente discutidas pela sociedade como elementos fundamentais à conquista de uma vida saudável, tanto física quanto emocionalmente.
Vale, no entanto, perguntar em que medida esses aspectos estão realmente incorporados ao cotidiano das pessoas, sem encontrar-se em um segundo plano na escala diária de prioridades. O Dia do Desafio tem o objetivo de sensibilizar crianças, jovens e adultos para que insiram a atividade física nesse rol de prioridades, como parte do tempo que cada indivíduo dedica a si mesmo e à sua saúde, em particular.
O Esporte para Todos tem esta capacidade de mobilizar sem, no entanto, deter-se a modalidades específicas. É uma atividade baseada no associativismo e pensada de forma a oferecer atividades prazerosas, alinhadas com o nível de habilidade e possibilidades individuais.
Com criatividade, a competição entre cidades promovida pelo Dia do Desafio estimula a integração de diferentes segmentos que competem construtivamente, o que pode ser
verificado pelo número de participantes inscritos para as atividades programadas. Em 2011,o evento contou com o envolvimento de 4.023 cidades, de 22 países, atingindo mais de 64 milhões de pessoas.
O SESC de São Paulo coordena as atividades do Dia do Desafio em todo o Continente Americano, fornecendo ferramentas para a realização do evento de acordo com as características de cada região. Para o SESC, mais que um desafio, é uma grande satisfação integrar e promover tal evento.
Danilo Santos de Miranda
Diretor Regional do SESC São Paulo

29/05/2012

Família... um prato difícil de preparar.

Recebi esse texto por e-mail de uma grande amiga. Não podia deixar de compartilhar (...) Agradeço pelo envio e pela grande consideração que tem por mim. A recíproca é verdadeira!

Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.

O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini; Família à Belle Meunière; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é “à Moda da Casa”. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.

Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

Do livro "O arroz de Palma", de Francisco Azevedo (Escritor Português). 

Curso de capacitação de professores - Como utilizar o filme em sala de aula

Nesta segunda-feira, dia 28 de maio de 2012, ocorreu uma reunião com os diretores de EMEF e a equipe da Secretaria Municipal da Educação com o objetivo de divulgar o curso: " Como utilizar o filme em sala de aula", que será ministrado pelo Professor Doutor Giovanni Alves docente da UNESP - Marília. 
Os encontros terão início no mês de agosto do corrente ano e destina-se a professores do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental, professores coordenadores, auxiliares de direção, diretores e Equipe Técnica da Secretaria Municipal da Educação.
Estão previstos seis encontros totalizando uma carga horária de 50 horas. Os objetivos do curso são:
1. Capacitar professores de ensino fundamental a utilizarem de modo eficaz e com sentido pedagógico - crítico o filme em sala de aula;
2. Formar os sentidos crítico pedagógico (e humano) de professores por meio do cinema como experiência crítica e da prática auto-reflexiva de imagens do Trabalho dos professores.

28/05/2012

Jornal Mural - segunda edição


O Jornal Mural é um espaço de comunicação que veicula notícias, projetos educativos, conhecimentos gerais, expressões criativas, opiniões e iniciativas da escola e da comunidade. Além disso, é um projeto que pode ser utilizado como estratégia para mobilização de alunos e educadores para ações de interesse social, como campanhas e debates.

O Jornal Mural pode veicular conteúdos no pátio escolar, em corredores de grande acesso, nas salas de aulas e até na sala dos professores. Pode–se até criar um Jornal Mural literário para promover a leitura e mostrar os talentos artísticos literários entre alunos, educadores e membros da comunidade.

A construção colaborativa e cooperativa entre alunos e professores garantirá uma identidade comunicativa que reflita fielmente a comunidade escolar, proporcionando eficiência na comunicação dos conteúdos veiculados.

Vantagens
Estímulo à circulação da informação e do conhecimento.
Ampliação das possibilidades de aprendizagem.
Reflexão critica sobre os meios de comunicação.
Articulação dos conhecimentos e temas transversais.
Oferecimento de estratégias de aprendizado enfocando a leitura, a escrita, o olhar fotográfico e a pesquisa.
Democratização comunicativa no espaço escolar.
DO JORNAL DIÁRIO AO JORNAL MURAL:
1ª aula: leve exemplares de uma mesma edição de jornal diário de grande circulação na cidade. Divida os alunos em grupos e entregue um exemplar para cada grupo. Juntamente, entregue uma folha com as seguintes perguntas:
1) como está configurada a primeira página do jornal? (observar títulos, textos, fotos e anúncios);
2) o que chama mais a atenção do leitor na página examinada?
3) o que diferencia o título do conteúdo de uma notícia?
4) existe alguma notícia encontrada em página interna que poderia ser transformada em notícia principal da primeira página? Como ficaria o título dessa nova matéria? Terminado o exercício em grupo, os alunos voltam a um círculo grande. Convide um representante de cada grupo a socializar as respostas dadas a cada pergunta. Depois, inicie um diálogo com a turma, introduzindo conceitos importantes para o jornalismo, como, por exemplo, a diferença entre um fato que ocorreu em determinado local, envolvendo determinadas pessoas e a notícia produzida para falar deste fato; a hierarquia entre as notícias (notícias mais importantes e de menor valor) e como é composta a primeira página de um jornal (o que é manchete e seu significado).
Ao fim dos debates, entregue outra folha de orientação aos alunos com as perguntas: O quê? Onde? Quem? Quando? Como? Por quê?
Proponha como tarefa da semana que cada aluno identifique no jornal uma notícia que o impressionou. Solicite que, após a leitura da notícia, o aluno decomponha o texto, encontrando nele resposta para as perguntas o quê? Onde? Quem? Quando? Como? Por quê? O trabalho será entregue na próxima aula.
2ª aula: faça a socialização dos resultados do trabalho de casa voltado para a análise das notícias. Para tanto, as folhas de sulfite com as notícias serão expostas em lugar visível enquanto os alunos apresentam o resultado de suas análises. Depois converse sobre os resultados alcançados e em seguida, fazendo uso de exemplares de vários jornais do dia, explique como os jornais costumam agrupar as notícias em seções denominadas de “editorias” (internacional, economia,cultura,educação,etc.).
Peça aos alunos que, em grupo, observem o cotidiano de sua escola e registrem, numa folha, que áreas de interesse existem na escola que poderiam gerar notícias (por exemplo: festas, a chegada de equipamentos, o esporte, a performance artística de alunos, etc.)
3ª aula: os alunos, divididos em grupos pelas áreas de interesse que foram descritas na aula anterior, são convidados a identificar fatos que aconteceram recentemente e que mereceriam virar notícias. Peça que levantem os elementos que poderiam compor tais notícias: quem fez o quê? Onde a ação foi feita? Quando aconteceu? Como ou com que detalhes o fato ocorreu? Quais razões? O trabalho iniciado em aula deve ser prosseguido durante a semana, momento em que os grupos de alunos deverão procurar saber os detalhes do fato que está descrevendo por meio de pesquisa ou entrevistas.
4ª aula: as notícias, uma vez escritas, são lidas por representantes dos grupos para toda a classe. Para tanto, simule uma brincadeira em que os leitores representariam apresentadores de um telejornal. Depois, os outros comentam o que acharam da notícia, apontando o que está bom e o que pode ser melhorado. Cabe aos colegas estarem atentos, neste momento, à coerência do texto na resposta aos elementos constitutivos da notícia jornalística. Em seguida, os grupos reescrevem seus textos,com base nas sugestões dos colegas. Lembre à classe que quase tudo que é publicado nos jornais é fruto de um trabalho coletivo, em equipe.
5ª aula: solicite que cada subgrupo sugira um nome para um jornal mural. O título deve traduzir os objetivos do jornal que está para nascer. Feitas as sugestões, passa-se para a eleição do título. Escolhido o título, os subgrupos voltam a elaborar sugestões para as seções do jornal mural, levando em conta os conteúdos que pretendem abordar. Novamente se parte para a escolha final por meio do voto.
Depois, democraticamente, se discute o papel de cada um na equipe de produção (editor, repórter, ilustrador, diagramador). Lembre os alunos da importância de trocarem entre si os textos escritos para que seja feita a revisão, inclusive contando a com a participação do professor.
6ª aula: sugerimos que a montagem seja feita com papel pardo e outras ferramentas como caneta hidrocor, cartolina, fotos e ilustrações feitas pelos alunos ou recortadas de revistas.
Os textos precisam ser apresentados em letras grandes. Se forem impressos, podem ser ampliados para que sejam lidos à boa distância, sem dificuldade. É importante levar em conta que o leitor vai ler o texto a aproximadamente uns 50 centímetros de distância do jornal.
Os títulos das notícias também devem ser feitos com letras grandes e coloridas. O corpo do mural pode contar com tarjas e separadores coloridos, títulos chamativos e curiosos. Procure usar também fundos em cor para destacar determinadas informações; preparar ilustrações especiais para datas comemorativas, cívicas, etc. Atenção para a periodicidade (uma nova edição a cada 15 dias) e para um compromisso dos alunos em receberem as críticas que advirão. 
Equipe NCE-USP: Ana Paula Ignácio, Carmen Gattas Luci Ferraz,Salete Soares.Fonte

27/05/2012

26/05/2012

Vida Que Ninguém Vê - Eliane Brum


Dando continuidade a elaboração do arquivo com os livros recebidos pelo PNBE 2012 (Programa Nacional Biblioteca da Escola) deparei-me com a obra de Eliane Brum – “Vida Que Ninguém Vê”. O título, bastante sugestivo, chamou-me a atenção. Na busca pela sinopse e algumas informações sobre a autora, percebi rapidamente que esse é um daqueles livros que a gente não pode deixar de ler (...).
Apesar do tempo “escasso”, mas imbuída de uma grande “curiosidade” e impulsionada pelo “vicio” da leitura, comecei a ler o primeiro texto. Foi o bastante para decidir (...) terei que ler essa obra também até o fim (...)
Resenha do livro "A vida que ninguém vê"
Vídeo produzido por João Luiz Guarneri para o blog do evento de Jornalismo e Literatura da UNIBRASIL no qual a autora se fez presente no dia 29 de abril de 2009.
Dez histórias sob o olhar de Eliane Brum
A premiada jornalista Eliane Brum, repórter especial de ÉPOCA, lança seu terceiro livro, O Olho da Rua, em que traz um relato ampliado de dez reportagens publicadas na revista. Além disso, oferece ao leitor um making of de cada história, com uma reflexão sobre as limitações do trabalho jornalístico.
Provocações - Programa 553 com a repórter Eliane Brum - 07/02/2012 - Bloco 1
Um bom repórter tem dois instrumentos: o olhar e a escuta. Essa é a opinião da repórter especial Eliane Brum, que atualmente tem uma coluna semanal no site da revista Época. Esta entrevista me fez lembrar do texto que colocarei abaixo:
A Janela
Certa vez, dois homens estavam seriamente doentes na mesma enfermaria de um grande hospital. O cômodo era bem pequeno e nele havia uma janela que dava para o mundo. Um dos homens tinha como parte do seu tratamento, permissão para sentar-se na cama por uma hora durante as tardes (algo que tinha a ver com a drenagem de fluido de seus pulmões). Sua cama ficava perto da janela. 

O outro, contudo, tinha de passar todo o seu tempo deitado de barriga para cima. Todas as tardes, quando o homem cuja cama ficava perto da janela era colocado em posição sentada, passava o tempo descrevendo o que via lá fora.

A janela dava para um parque onde havia um lago. Havia patos e cisnes no lago, e as crianças iam atirar-lhes pão e colocar na água barcos de brinquedo. Jovens namorados caminhavam de mãos dadas entre as árvores, e havia flores, gramados e jogos de bola. E ao fundo, por trás da fileira de árvores, avistava-se o belo contorno dos prédios da cidade.

O homem deitado ouvia o sentado descrever tudo isso, apreciando todos os minutos. Ouviu sobre como uma criança quase caiu no lago e sobre como as garotas estavam bonitas em seus vestidos de verão. As descrições do seu amigo eventualmente o fizeram sentir que quase podia ver o que estava acontecendo lá fora…

Então, em uma bela tarde, ocorreu-lhe um pensamento: Por que o homem que ficava perto da janela deveria ter todo o prazer de ver o que estava acontecendo? Por que ele não podia ter essa chance? Sentiu-se envergonhado, mas quanto mais tentava não pensar assim, mais queria uma mudança. Faria qualquer coisa!

Numa noite, enquanto olhava para o teto, o outro homem subitamente acordou tossindo e sufocando, suas mãos procurando o botão que faria a enfermeira vir correndo. Mas ele o observou sem se mover… mesmo quando o som de respiração parou. De manhã, a enfermeira encontrou o outro homem morto e, silenciosamente, levou embora o seu corpo.

Logo que pareceu apropriado, o homem perguntou se poderia ser colocado na cama perto da janela. Então o colocaram lá, aconchegaram-no sob as cobertas e fizeram com que se sentisse bastante confortável. No minuto em que saíram, ele apoiou-se sobre um cotovelo, com dificuldade e sentindo muita dor, e olhando para fora da janela viu apenas um muro...

"E a vida sempre é, sempre foi e sempre será aquilo que a tornarmos".

Esta mensagem nos convida a muitas reflexões sobre a forma como encaramos as nossas dores, as nossas alegrias, os nossos problemas e as nossas dificuldades. Vemos como duas pessoas em situações semelhantes reagiram diante das possibilidades que se apresentaram para elas. Cada um de nós vê o mundo sob a ótica dos nossos horizontes.
Provocações - Programa 553 com a repórter Eliane Brum 
- 07/02/2012 - Bloco 2
"A elite brasileira não sabe sobre a periferia e sobre a Amazônia". Eliane Bum fala muito sobre a "escuta". A autora dá voz e vez a quem nunca tinha sido ouvido até então. Isso me fez lembrar do texto que postarei a seguir:
O tamanho varia conforme o grau de envolvimento.
Uma pessoa é enorme para mim, quando fala do que leu e viveu, quando trata de mim com carinho e respeito, quando me olha nos olhos e sorri destravadamente.

É pequena quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a parceria nos sentimentos e ações.

Uma pessoa é gigante quando se interessa pela minha vida, quando procura alternativas para o meu crescimento, quando sonha junto comigo.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma. 

Uma pessoa pode apresentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas. Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade : as pessoas agigantam-se e encolhem-se aos nossos olhos.

O nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações.

Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande... É a sua sensibilidade, sem tamanho.


Provocações - Programa 553 com a repórter Eliane Brum - 07/02/2012 - Bloco 3


Ser repórter exige "humildade" (...) Eu sou "focada" no que eu faço (...) "Eu não quero perder a morte. Eu acho que a morte está sendo roubada da gente" (...) 

Morte do Leiteiro Carlos Drummond de Andrade
Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.

Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morados na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.

E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro...
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.

Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.

Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.

Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.

Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.

Para finalizar esta postagem (que acabou ficando mais longa do que eu desejava e esperava), postarei o primeiro texto do livro "Vida Que Ninguém Vê - Eliane Brum". 


O mundo é salvo todos os dias por pequenos gestos. Diminutos, invisíveis. O mundo é salvo pelo avesso da importância. Pelo antônimo da evidência. O mundo é salvo por um olhar. Que envolve e afaga. Abarca. Resgata. Reconhece. Salva.
Inclui.
Esta é a história de um olhar. Um olhar que enxerga. E por enxergar, reconhece. E por reconhecer, salva.
Esta é a história do olhar de uma professora chamada Eliane Vanti e de um andarilho chamado Israel Pires. (...) Para ler o texto na íntegra - clique aqui

25/05/2012

Parceria EMEI X EMEF um encontro possível...

Hoje realizei um grande sonho! Tive a honra e o prazer de receber em nossa escola, todos os professores e a diretora da EMEI Pingo de Gente para uma interlocução sobre leitura. Iniciamos o encontro com algumas reflexões:
Poema "Aula de leitura"
Ricardo Azevedo 
“Acho difícil um não-leitor formar leitores. Seria como um não-pescador se meter a ensinar a pescar”
Depois fizemos uma reflexão sobre a diferença de livros paradidáticos e livros de literatura infantil. 
COMPARAÇÃO PARADIDÁTICOS E LITERATURA INFANTIL 
(Apresentação das obras abaixo na íntegra realizando análises e discussões a respeito de cada uma)
Por outro lado, elucida Uchôa (1991, p. 76):
(...) leitor é aquele que, lendo um texto, é capaz de discutir ideias, expor interpretações individuais e partilhar das experiências geradas pela incursão nos textos, em suma, alcançar o adentramento crítico da leitura feita. [grifo do autor]
“A leitura visual não se restringe a decodificar os elementos narrativos, simbólicos, e o contexto em que se insere o objeto artístico. A imagem possui ritmo, contraste, dinâmica, direção e, ainda, uma série de outras características que não suportam ser traduzidas em palavras. A imagem tem lá os seus silêncios (...)”. Roger Mello
"Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação". 
Leonardo Boff 
A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana
Clarice Lispector
E grito: eu sinto, eu sofro, 
eu me alegro, eu me comovo.
Só o meu enigma me interessa.
Mais que tudo, 
me busco no meu grande vazio.
Obrigado pela visita!