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30/04/2012

Relações familiares no mundo contemporâneo: a educação dos filhos

Vi essa imagem no Facebook e fiquei pensando (...) Lembrei-me do vídeo que colocarei abaixo e da entrevista que postarei a seguir (...)
Vocês podem me ajudar a demolir minha escola? (Demolition call)
Relações familiares no mundo contemporâneo: a educação dos filhos
Desde os anos 60 a família tem mudado bastante.

Inicialmente, sua configuração multiplicou-se já que no lugar do clássico modelo homem e mulher que se casam, ficam juntos até que a morte os separe e têm filhos, começam a surgir outras formas de agrupamento familiar com o advento do divórcio, dos recasamentos e das uniões homossexuais. A função de cada um dos seus integrantes também tem se transformado. Se antes o homem era o único ou o maior responsável pelo sustento familiar e a mulher pela organização doméstica e a educação dos filhos, hoje essas funções são mais compartilhadas, se bem que nem sempre de modo paritário.

Essas e outras mudanças, aliadas a características sociais tais como o individualismo, a primazia do consumo, a busca da juventude permanente e da felicidade imediata têm transformado radicalmente as relações entre pais e filhos e, portanto, a educação dos mais novos e sua formação.

Cada vez mais, a educação escolar – entendida como preparação para o futuro êxito profissional – ganha destaque exagerado e isso gera um fenômeno importante: o lugar de filho vai se esvaziando e as crianças passam a ocupar, quase que exclusivamente, o lugar de aluno. Pais, professores e adultos se relacionam com as crianças tendo preferencialmente como elemento mediador a vida escolar delas.

O processo do ensinamento aos filhos da convivência com os outros, a transmissão da história, tradições, valores e costumes familiares, a construção das virtudes e da moral familiar, o ensinamento de princípios caros ao grupo, entre tantos outros atributos dos pais, perdem terreno. Trata-se, segundo alguns estudiosos, do declínio da educação familiar. Temos formado uma geração de anônimos, de órfãos de famílias vivas?

Refletir a respeito de tais fenômenos e buscar novas maneiras de encarar antigas tradições familiares nesse momento de transição e crise é o desafio deste módulo.

Rosely Sayão
É psicóloga e seu trabalho é voltado à educação, tanto familiar quanto escolar. Assessora escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental, conversa regularmente com pais, é colunista da Folha de São Paulo e da BandNews FM e mantém um blog no UOL. É autora e co-autora de diversas obras sobre Educação.

Filhos… melhor não tê-los? 
(ver postagem neste Blog do dia 03/03/12 o poema foi colocado na íntegra)
Em tempos de consumismo, para muitas famílias ter filhos transformou-se em ato de consumo. A educação das crianças tem sido terceirizada a babás, escolas, avós, profissionais das mais variadas áreas, professores particulares e de cursos específicos, entre outros. Vamos refletir a respeito das relações familiares no mundo contemporâneo e em especial das relações da família com a escola, responsável pela educação formal dos mais novos. Palestra gravada no dia 9 de abril de 2010 em Campinas.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Pontos para reflexão:
  1. Valores da atualidade: sociedade do consumo (consumo de: ideologias, estilos de vida, bens materiais, sem consciência, pode ser descartado facilmente);
  2. Ter filhos pode ser a construção se um sonho de consumo;
  3. Ter filhos é difícil e a ideia hoje de ter filhos é apresentada de uma maneira tão sedutora que parece muito simples e muito bonito ter filhos; 
  4. A gente "esquece" que filhos não é possível descartar;
  5. Tem acontecido o "descarte" dos nossos filhos de uma maneira metafórica, mas tem;
  6. Vivemos numa sociedade do espetáculo (exibir-se: ver e ser visto), ou seja, ter família mais para mostrar do que para ter (família margarina);
  7. Família "idealizada" que a gente "compra" muito mais para "exibir" do que para vivencia-la";
  8. Vivemos um tempo em que a juventude deixou de ser uma etapa da vida (a juventude transformou-se em um estilo de vida);
  9. Nós aprendemos a pensar que: "os meus filhos, não podem atrapalhar a minha vida". A gente perdeu a ideia, que ainda existia e que ganhou seu auge na década de 50, de que ter filhos nos levava a amadurecer obrigatoriamente, porque a gente tinha que abdicar de algumas coisas da nossa vida para cuidar de alguém que era absolutamente dependente de um adulto; 
  10. Na atualidade nós não temos mais a ideia do que seja uma criança dependente de um adulto (fenômeno que acontece no mundo todo: esquecimento de criança no carro sinaliza isso);
  11. Temos pensado tanto em nós, temos nos preocupado tanto conosco, que não nos sobra disponibilidade e energia para a gente ficar 24 horas por dia ocupado com um ser que precisaria disso, em tese;
  12. Consideramos mais "normal" levar a criança junto do que abdicar do passeio, porque temos filhos pequenos. Perdemos a ideia de que ter filhos significa abdicar pelo menos temporariamente de algumas coisas na vida;
  13. Hoje quem tem maturidade se envergonha disso;
  14. Ninguém mais admite envelhecer no mundo contemporâneo;
  15. Não há mais roupas de crianças e de adultos, crianças de 9 ou 10 anos já se apresenta como uma mulher;
  16. Ninguém mais "envelhece" (para a criança todo mundo é a mesma "coisa");
  17. Hoje nós perdemos a ideia do que seja uma criança, pensamos mais no futuro dessa criança do que propriamente no presente dela; 
  18. Educar quer a gente goste ou não, significa basicamente reprimir, educar é socializar, educar para a convivência;
  19. É claro que educar "desagrada" quem está sendo educado;
  20. Não é a criança que não tem limites, é o adulto que perdeu os limites para educar;
  21. Parece que o fundamental na função dos pais no mundo contemporâneo é o cuidar dos filhos, dar em assistência numa perspectiva de uma sociedade de consumo; 
  22. O filho "idealizado" os pais farão questão que ele se torne realidade, não importa se ele é diferente, os pais daquele que foi gestado no imaginário (antes do nascimento);
  23. Temos medo de aprisionar nossos filhos no "mundo de identidade de origem": a família, e com isso os deixamos aprisionar no mundo do consumo; 
  24. O que caberia a família que ela não tem cumprido? Em primeiro lugar, transmitir aos mais novos, as tradições, os hábitos, costumes de um grupo pequeno que está ligado a um grupo maior: transmissão da cultura familiar;
  25. Ensinar a socialização (estar com os outros), que ela não é a única, a primeira, e não será a última;
  26. O que acontece com essas crianças? O papel da babá, avós, que estão substituindo pai e mãe;
  27. Contingente de profissionais que cuidam dessas crianças: pediatra, fono, neuro, psicólogo, psiquiatra, professores, nicho de mercado que se abriu para colaborar com a educação e o cuidado dessas crianças que nós trouxemos ao mundo;
  28. Uma única categoria começou a reclamar disso: as escolas;
  29. Mudou em consequência de tudo isso que vimos até então, o papel de aluno (enfrentar a diversidade);
  30. Hoje o que nós temos de fato: "um batalhão de crianças entregues a própria sorte"
  31. Papel da escola: "educar a criança para a sua vida pública" e "ensinar disciplina para o conhecimento";
  32. Papel de pai e mãe é "afetivo" por excelência; 
  33. Renunciar ao papel de pais ainda é uma decisão que causa estranhamento, mas vem ganhando adeptos. O Jornal Estadão publicou uma matéria sobre o assunto em 26/08/2007. Para conferir - clique aqui

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