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25/04/2012

Bem-vindo à Holanda - Emily Perl Kinsley

"No dia que descobrimos que Samuel era especial eu fiquei apavorada. Tinha medo de tudo que meu filho teria que enfrentar, ele teria que ser muito forte, pois o seu péssimo diagnóstico o remeteria para uma vida instável, cheia de incertezas e que arrebataria um pedaço de nós para sempre! Hoje, desde que acordei, estou me sentindo da mesma forma como me senti naquele dia. É um sentimento estranho, um tanto de tristeza, outro tanto de medo, um pouquinho de insegurança e um caminhão de lágrimas. Foi assim, num dia como hoje, numa sexta feira, que descobrimos que nossa vida nunca mais seria a mesma". 
Alguns dias depois, uma amiga me mandou um link de um vídeo tão lindo, tão emocionante, que ela já havia me mostrado antes, mas que eu, talvez por não ter noção do quanto aquilo significava para ela, nunca havia assistido. Nesse dia ela mandou e com um sorriso tão lindo ela disse: "Bem vinda à Holanda, Li!" (...)
Frequentemente sou solicitada a descrever a experiência de criar um filho portador de deficiência, para tentar ajudar as pessoas que nunca compartilharam dessa experiência única a entender, a imaginar como deve ser. É mais ou menos assim... 

Quando você vai ter um bebê, é como planejar uma fabulosa viagem de férias - para a Itália. Você compra uma penca de guias de viagem e faz planos maravilhosos. O Coliseu. Davi, de Michelangelo. As gôndolas de Veneza. Você pode aprender algumas frases convenientes em italiano. É tudo muito empolgante. 

Após meses de ansiosa expectativa, finalmente chega o dia. Você arruma suas malas e vai embora. Várias horas depois, o avião aterrissa. A comissária de bordo chega e diz: "Bem-vindos à Holanda". 

"Holanda?!? Você diz, "Como assim, Holanda? Eu escolhi a Itália. Toda a minha vida eu tenho sonhado em ir para a Itália." 

Mas houve uma mudança no plano de voo. Eles aterrissaram na Holanda e é lá que você deve ficar. 

O mais importante é que eles não te levaram para um lugar horrível, repulsivo, imundo, cheio de pestilências, inanição e doenças. É apenas um lugar diferente. 

Então você deve sair e comprar novos guias de viagem. E você deve aprender todo um novo idioma. E você vai conhecer todo um novo grupo de pessoas que você nunca teria conhecido. 

É apenas um lugar diferente. Tem um ritmo mais lento do que a Itália, é menos vistoso que a Itália. Mas depois de você estar lá por um tempo e respirar fundo, você olha ao redor e começa a perceber que a Holanda tem moinhos de vento, a Holanda tem tulipas, a Holanda tem até Rembrandts. 

Mas todo mundo que você conhece está ocupado indo e voltando da Itália, e todos se gabam de quão maravilhosos foram os momentos que eles tiveram lá. E toda sua vida você vai dizer "Sim, era para onde eu deveria ter ido. É o que eu tinha planejado." 

E a dor que isso causa não irá embora nunca, jamais, porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa. 

No entanto, se você passar sua vida de luto pelo fato de não ter chegado à Itália, você nunca estará livre para aproveitar as coisas muito especiais e absolutamente fascinantes da Holanda.
"Não entendi muito bem o que ela queria dizer, mandei como resposta uma interrogação. Ela sorriu e me pediu pra ver o vídeo e eu assisti... ... ... Foi o vídeo mais lindo que eu já vi na vida, tão simples, mas tão perfeito!
Ele mexe com a minha alma inteira, com o meu coração e hoje mexe com a minha saudade! Ser mãe de um bebê especial me torna tão especial quanto ele. Mesmo que ele não esteja mais comigo para me dizer isso, eu sinto como se estivesse, pois em cada passo que dou, em cada palavra que eu digo, em cada cheiro que eu sinto, eu tenho de volta um pouquinho dos momentos mais lindos que passei ao lado dele. Não é porque Samuel não está mais aqui que ele deixou de ser especial, agora ele é especial de outras formas. Especial pra mim, para muitas pessoas que oraram, que ajoelharam pra pedir por ele. Ele é especial para Deus, que o trouxe pra me dar a lição mais singela, mais sublime e mais necessária que a vida poderia me dar. Meu pequeno soube, mesmo em tão pouco tempo, o quanto ele foi amado... e pra mim isso é o bastante"!!
"Enterrar um filho foge à regra natural da vida. Um filho nunca morre em vão! Sempre deixa uma lição de vida e cabe a nós aceitá-la ou viver o luto eterno, desconsolado e incontestável de um coração para sempre partido. Pelo meu filho EU decidi ser feliz, mas isso não me torna uma mãe insensível, pelo contrário! Meu filho me ensinou o real valor da vida, me ensinou que a Felicidade está nas pequenas coisas e que as perdas nos ajudam a crescer! Sou uma mãe pela metade, mas uma mãe EM PAZ"!
Crianças com necessidades especiais precisam de pais com habilidades especiais
10% da população mundial dos países em desenvolvimento tem algum tipo de deficiência, sendo o percentual de incidência de deficiência distribuídos da seguinte forma:

Deficiência Mental : 5 %
Deficiência Física: 2 %
Deficiência Auditiva: 1,5%
Deficiência Visual: 0,5 %
Deficiência Múltipla: 1 %

Num universo de cerca de 170 milhões de brasileiros, 10 % da população é portadora de algum tipo de deficiência (mental, auditiva, múltipla ou visual)”

(OMS – censo 1990 e ONU) Fonte: Coleção Educação Especial – Federação Nacional das APAES Declaração dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência

3 comentários:

  1. A noite do dia 24 ficará para sempre na minha memória...me apaixonei pela vida e pela pessoa da Elaine...Deus, com sua misericórdia, sempre há de colocar pessoas assim em nossas vidas, para que possamos continuar nessa lida, com fé e muita esperança!!! Adorei as postagens!Bjs...Má

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    1. Obrigado....
      Penso que estamos no começo de uma grande "jornada" que renderá muitos e muitos frutos....
      Conto com todos vocês sempre ao meu lado para me ajudar, quando eu desanimar...
      Bjs.
      Rose

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