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07/03/2012

Literatura Infantil


DUAS DÚZIAS DE COISINHAS À-TOA QUE DEIXAM A GENTE FELIZ
(Otávio Roth)
Passarinho na janela,
pijama de flanela,
brigadeiro na panela.

Gato andando no telhado,
cheirinho de mato molhado,
disco antigo sem chiado.

Pão quentinho de manhã,
drops de hortelã,
grito do Tarzan.

Tirar a sorte no osso,
jogar pedrinha no poço,
um cachecol no pescoço.

Papagaio que conversa,
pisar em tapete persa,
eu te amo e vice-versa.

Vaga-lume aceso na mão,
dias quentes de verão,
descer pelo corrimão.

Almoço de domingo,
revoada de flamingo,
herói que fuma cachimbo.

Anãozinho de jardim,
lacinho de cetim,
terminar o livro assim.
Roth, Otávio (1952 - 1993) 
Biografia
Otávio Roth (São Paulo 1952 - s.l. 1993). Gravador, designer gráfico, ilustrador e professor. Em 1971, com bolsa de estudo, viaja para Israel, onde dá início a sua atividade de fotógrafo. No ano seguinte, em São Paulo, ingressa no curso de publicidade da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Vai para Londres em 1974, onde, por influência de Paul Pietch, aprende técnicas de gravura e de fabricação de papel artesanal e, com bolsa do Conselho Britânico, gradua-se em arte e design na Hornsey College of Art, em 1977. Nesse ano, muda-se para Oslo e atua como designer, ilustrador e gravador até 1979, quando, de volta a São Paulo, funda a Handmade Oficina de Papel, primeira fábrica de papel artesanal do Brasil. Ainda em 1979, um álbum com 30 linoleogravuras suas é publicado pela editora CJS Graphics, em Nova York, é eleito o melhor gravador do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e cria xilogravura para a primeira edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Na década de 1980, dá continuidade a sua pesquisa sobre fabricação de papel e ministra workshops e cursos em várias instituições, entre elas a ESPM, a Universidade de São Paulo (USP) e o Center for the Book Arts, em Nova York. Nessa cidade, em 1981, trabalha como assistente de Chuck Close e tem suas gravuras sobre os direitos humanos expostas na sede da Organização das Nações Unidas (ONU). Entre suas publicações, destaca-se a adaptação que faz, em parceria com Ruth Rocha, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, destinada ao público infantil.
Roth, Otávio 
O Ovo do Georginho , dia e mês desconhecidos 1986 
pasta de celulose sobre tela 
95 x 150 cm
Roth, Otávio 
A Caminho de Gramado , dia e mês desconhecidos 1986 
técnica mista sobre papel 
100 x 173 cm
Roth, Otávio 
O Sonho da Grade Oculta , dia e mês desconhecidos 1985 
técnica mista sobre papel 
52 x 72 cm
Críticas 
"Otávio Roth é um artista múltiplo. Professor, gravador, desenhista, fabricante de papel. Ele transformou o ato de fazer papel na própria palheta e na estrutura de sua obra. Não existe o suporte e a obra, mas um só objeto. É um dos pioneiros brasileiros da invenção do papel de artista e foi um de seus mais destacados divulgadores. As suas imagens estão próximas do humor e ele discursa sobre a estrutura da linguagem e faz, igualmente, um diário dos acontecimentos íntimos e que lhe tocaram a sensibilidade. É uma obra de marcado acento pessoal e de invenção permanente. O papel é objeto fascinante, calendário, jornal, roupa, embalagem, carta, romance, fita de computação, documento, registro, cheque, propriedade, história. E a ação de Otávio Roth centrou-se neste símbolo de época e o transformou, à sua maneira discreta, no diário de bordo de um artista intimista e alegre. Uma vivência paradoxal e bela".
Jacob Klintowitz
KLINTOWITZ, Jacob. O ofício da arte: a pintura. Abram Szajman. São Paulo, SESC, 1987.

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