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14/03/2012

Como lidar com a agressividade infantil?

Hoje sai da escola pensando: "Porque tanta intolerância? Violência? Agressividade? O que está acontecendo? O que mudou? A sociedade mudou? Nós mudamos? A família mudou? Como lidar com isso? O que pode ser feito? Como? Onde? Por quem"?
 
Apesar da preocupação que causa em pais e professores, a agressividade tem um importante papel na vida de todos: sem ela não haveria possibilidade de lutar pelo nosso espaço, de competir e de assegurar nosso lugar no mundo, desde a infância. Assim, o que se deve controlar é a agressão, a violência e o descontrole que prejudicam o convívio em sociedade e não a agressividade natural que impulsiona para a vida. Inibir por completo as manifestações agressivas causa retraimento e torna a pessoa geralmente apática e sem iniciativa.
 
Ao longo da vida, a agressividade adquire formas diferentes de expressão. O bebê, por exemplo, usa o choro para comunicar seu desconforto, incluindo a agressividade. Aos poucos, adquire outros recursos para se manifestar e conhecer o mundo, tais como: colocar tudo na boca e morder, dar tapas, tocar e puxar. Esses comportamentos vistos como agressivos pelos adultos nada mais são do que a forma que o bebê possui de descobrir as coisas. Mais tarde, vendo como os pais reagem frente a esses comportamentos é que as crianças aprendem que puxando o cabelo da mãe ou empurrando um coleguinha conseguirão a atenção dos cuidadores. Outra questão é o aumento da necessidade da criança de testar os adultos e as regras: “até onde posso ir?”, “eles continuarão me amando se eu desobedecer?” Com o desenvolvimento da criança, a agressividade passa a ser utilizada também para chamar a atenção e marcar o seu espaço, por exemplo, frente ao nascimento de um irmão. Quando isso acontece, a criança imagina que vá perder o amor dos pais para o bebê e pode reagir tendo crises de agressividade, sendo essa uma tentativa de chamar a atenção dos pais e de demonstrar seu descontentamento.
 
A função de ensiná-las outras formas de expressar a insatisfação (que não seja a agressão) e de controlar os sentimentos de raiva é dos adultos que a cercam. Educar uma criança significa mostrá-la maneiras eficazes de lidar com o que sente para que ela possua outros recursos tal como a fala, além das conhecidas crises de choro e de gritos. Esse ensinamento é feito com palavras, mas principalmente com exemplos práticos de comportamento (não adianta um discurso de não violência se, por exemplo, a criança vivencia constantemente o pai tendo crises de descontrole no trânsito).
 
Alguns artigos podem nos ajudar a entender e encaminhar melhor essas questões:
2.Reflexões sobre a moralidade infantil - Maria José Ferreira Ruiz
O presente trabalho pretende apresentar e discutir os pensamentos de três teóricos, que se debruçaram sobre a questão da moralidade, mais especificamente a moralidade infantil, buscando a aplicação prática intrínseca ou extrínseca em tais teorias. Poderá o adulto (pais e professores) propiciar um meio, onde a criança desenvolva seu juízo moral? Quais atitudes presentes no relacionamento da criança com os adultos que acabam por cercear o desenvolvimento da moralidade?
Pais e professores contemporâneos perderam o monopólio da educação dos filhos. Como enfrentar os desafios da diversidade da vida social na família, na escola, no trabalho?
14 de Março - Dia Nacional da Poesia
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Balada dos Casais - Affonso Romano de Sant’Anna
 
Os casais são tão iguais, 
por isto se casam 
e anunciam nos jornais. 
Os casais são tão iguais, 
por isto se beijam 
fazem filhos, se separam 
prometendo 
não se casarem jamais. 

Os casais são tão iguais, 
que além de trocar fraldas, 
tirar fotos, acabam se tornando 
avós e pais. 

Os casais são tão iguais, 
que se amam e se insultam 
e se matam na realidade 
e nos filmes policiais. 

Os casais são tão iguais, 
que embora jurem um ao outro 
amor eterno 
sempre querem mais.

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