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11/02/2012

Poema esquisito - Adélia Prado

Hoje acordei com o coração "apertado".... Está se aproximando o dia que seria o aniversário do meu pai e se ele estivesse vivo faria 75 anos. Não tenho remorso, mágoa, ressentimento, lembranças negativas, pelo contrário, tenho mesmo é saudade!!! Nunca me imaginei sem ele... Acho que ninguém nunca imagina!
Minha paixão pela leitura, pela poesia, por uma boa conversa, obras de arte, música clássica, (....) vem dele. Há muito mais dele em mim do que eu mesma podia imaginar....
O grande Drummond escreveu certa vez: "Se procurar bem, você acaba encontrando não a explicação (duvidosa) da vida, mas a poesia (inexplicável) da vida". Por isso a poesia sempre estará presente em minha vida e em meu trabalho.
Os poetas, dizem tudo o que eu gostaria de dizer, mas não consigo.... com esta imensa maestria!!!
Poema esquisito - Adélia Prado
Dói-me a cabeça aos trinta e nove anos.
Não é hábito. É rarissimamente que ela dói.
Ninguém tem culpa. Meu pai, minha mãe descansaram seus fardos,
não existe mais o modo
de eles terem seus olhos sobre mim.
Mãe, ô mãe, ô pai, meu pai. Onde estão escondidos?
É dentro de mim que eles estão.
Não fiz mausoléu pra eles, pus os dois no chão.
Nasceu lá, porque quis, um pé de saudade roxa,
que abunda nos cemitérios.
Quem plantou foi o vento, a água da chuva.
Quem vai matar é o sol.
Passou finados não fui lá, aniversário também não.
Pra quê, se pra chorar qualquer lugar me cabe?
É de tanto lembrá-los que eu não vou.
Ôôôô pai
Ôôôô mãe
Dentro de mim eles respondem
tenazes e duros
porque o zelo do espírito é sem meiguices:
Ôôôôi fia.
Poesia é quando uma emoção encontra seu pensamento e o pensamento encontra palavras. Robert Frost

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