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24/02/2012

Planejamento 2012 - Segundo dia

Continuação do documentário sobre distúrbios e dificuldades de aprendizagem.
celso vasconcellos planejamento
Celso dos Santos Vasconcellos fala sobre planejamento escolar
Por onde se deve começar um bom planejamento?
CELSO VASCONCELLOS Depende muito da dinâmica dos grupos. Existem três dimensões básicas que precisam ser consideradas no planejamento: a realidade, a finalidade e o plano de ação. O plano de ação pode ser fruto da tensão entre a realidade e a finalidade ou o desejo da equipe. Não importa muito se você explicitou primeiro a realidade ou o desejo. Então, por exemplo, não há problema algum em começar um planejamento sonhando, desde que depois você tenha o momento da realidade, colocando os pés no chão. Em alguns casos, se você começa o ano fazendo uma avaliação do ano anterior, o grupo pode ficar desanimado - afinal, a realidade, infelizmente, de maneira geral, é muito complicada, cheia de contradições. Às vezes, começar resgatando os sonhos, as utopias, dependendo do grupo, pode ser mais proveitoso. O importante é que não se percam essas três dimensões e, portanto, em algum momento, a avaliação, que é o instrumento que aponta de fato qual é a realidade do trabalho, vai aparecer, começando o planejamento por ela ou não.
É possível realizar um processo de ensino e aprendizagem sem planejar? 
VASCONCELLOS É impossível porque o planejamento é uma coisa inerente ao ser humano. Então, sempre temos algum plano, mesmo que não esteja sistematizado por escrito. Agora, quando falamos em processo de ensino e aprendizagem, estamos falando de algo muito sério, que precisa ser planejado, com qualidade e intencionalidade. Planejar é antecipar ações para atingir certos objetivos, que vêm de necessidades criadas por uma determinada realidade, e, sobretudo, agir de acordo com essas ideias antecipadas.
Ver entrevista na íntegra: clique aqui
Na entrevista colocada acima o professor Celso afirma: “é muito importante planejar o planejamento, reservando momentos específicos para cada assunto, e ser rigoroso no cumprimento dessa organização”. A princípio, nossa intenção era trabalhar neste dia com o tema: "Resolução de problemas". Nos preparamos antecipadamente, selecionando uma série de atividades diagnósticas que foram aplicadas pelos professores de quartos e quintos anos. Infelizmente tivemos que mudar “em cima da hora” as atividades programadas, porque vários professores não estariam presentes, por estarem participando de outro evento promovido pela SME. 
Trabalhamos então, com os professores de primeiros, segundos e terceiros anos, auxiliares de serviços gerais, auxiliares de escrita, atendentes de escola, instrutor de informática, professores coordenadores e auxiliares de direção, com o projeto de "Disciplina 2012".
Preparamos um arquivo em PowerPoint para ajudar a nortear nossas discussões. Abaixo coloco alguns pontos principais discutidos:
INDISCIPLINA - COMO SE LIVRAR DESSA AMARRA E ENSINAR MELHOR
O QUE É INDISCIPLINA?
Por trás desse problema - visto pelos professores como um dos principais entraves da boa Educação -, há a falta de conhecimento sobre o tema e de adequação das estratégias de ensino.
(...) A situação piora ainda mais se essas convenções (regras da turma) se baseiam em permissões, proibições e castigos sem nenhum tipo de negociação. Se isso funcionasse, as escolas estariam todas em paz. Esse caminho - o mais comum - é tão claramente ineficaz que se tornou um dos principais motes das tirinhas de Calvin, o personagem questionador e cheio de personalidade criado pelo cartunista norte-americano Bill Watterson. Desde 1985, ele dá um baile na professora, mesmo sendo advertido constantemente. (...)
Sem sua ajuda, a criança não aprende o valor das regras.
(...) Ensinar o tema aos alunos também é uma tarefa sua. "Esperar que os pequenos, de modo espontâneo, saibam se portar perante os colegas e educadores é um engano. É abrir mão de um dever docente" (...)
(...) é preciso enxergar o espaço escolar como propício para a vivência de relações interpessoais" (...)
(...) As questões ligadas à moral e à vida em grupo devem ser tratadas como conteúdos de ensino. (...)
O Programa da Série FILHOS, exibido pelo canal STV da rede SESC SENAC, apresenta o tema PAPEL DOS PAIS NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS. James Capelli bate um papo com o psicólogo Julio Groppa Aquino.
PAPEL DOS PAIS NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS.
Em vez de agir sobre a consequência, procurar a causa
(...) A autoridade do professor perante a classe só é conquistada quando ele domina o conteúdo e sabe lançar mão de estratégias eficientes para ensiná-los. (...) A escola é, sem dúvida, a instituição do conhecimento, mas é preciso deixar espaço para a ação mental da turma", (...)
Indisciplina como se resolve?
Não há solução fácil. Mas é essencial trabalhar - como conteúdos de ensino - as questões relacionadas à moral e ao convívio social e criar um ambiente de cooperação. (...)
Distinguir as regras morais das convencionais e discuti-las
(...) Erro comum em regimentos escolares é situar regras morais e convencionais num mesmo patamar. "As morais merecem mais atenção", afirma Telma Vinha, do GEPEM da Unicamp. Já as convencionais estão mais ligadas ao andamento do trabalho. (...)
Equilibrar de maneira justa sua reação a um problema
É sempre importante avaliar a real gravidade da transgressão. (...) Procura-se evitar os conflitos, vistos como algo antinatural, (...) "Mas, se as desavenças fazem parte da vida dos adultos, por que com crianças e jovens seria diferente?" (...)
Conquistar autoridade com o saber e o respeito ao aluno
Ficar irritado, gritar e castigar os que não se comportam como você quer - atitudes autoritárias e retrógradas - não adianta nada. Quando se tenta impor disciplina, a submissão e a revolta aparecem. "Hoje, isso não se sustenta mais. O mundo é outro" (...)
Os caminhos também não são nada que esteja fora de seu alcance. "É preciso diversificar a metodologia, (...) Pesquisas feitas mostram que os alunos querem que o professor tenha autoridade também para resolver os conflitos em sala, antes de recorrer à direção (...). Um ponto de atenção: o desrespeito do professor em relação aos alunos também alimenta a indisciplina. (...)
Ter como objetivo construir um ambiente cooperativo
(...) Um dos maiores desafios é, portanto, construir um ambiente cooperativo, no qual os alunos tenham voz, sejam respeitados e aprendam a respeitar. Isso faz com que o comportamento seja adequado naturalmente e não por medo de sanções (...)
(...) Afinal, além de conhecer os objetivos pedagógicos, é você o adulto da situação. A negociação é a palavra. E ela tem de ser justa. (...)
Agir na hora certa e sempre manter a calma
(...) em momentos conturbados na sala você tem de manifestar desagrado com relação a comportamentos inadequados.(...) É preciso chamar a atenção, mas sempre com respeito e mostrando que o grupo é que está sendo prejudicado, e não apenas você, pessoalmente. Tratar o estudante dessa forma faz com ele também perceba como agir em momentos de conflito.
Ficar alerta porque a indisciplina nunca acaba
(...) Esse trabalho não tem fim. (...)
Incentivar e respeitar a autonomia do aluno
Os problemas de comportamento podem ser um jeito de as crianças mostrarem a você que uma regra é desnecessária ou não está funcionando. Em outras situações, elas esperam chamar a atenção e solicitar que você se aproxime e se interesse pelas ideias delas. "É como se pedissem por cuidado e apreço ou ainda que se delimite o que se deseja delas com o que está sendo realizado", (...)
(...) Ele necessita de referências e de orientação. O que ele espera é ajuda para pensar. É importante que alguém - na escola, você - coloque as regras, até que, efetivamente convictos, crianças e jovens possam gerenciá-las e, de forma autônoma, viver bem em sociedade. (...)
Após a apresentação de todo o projeto os professores se reuniram por série para responder a quatro questões proposta pela direção / coordenação relacionadas ao projeto.
Após o intervalo recebemos a professora Joice Ribeiro Machado da Silva (professora efetiva da nossa escola, mas que se encontra em afastamento sem remuneração para concluir seu curso de doutorado). Ela utilizou um arquivo em PowerPoint para nortear as discussões a respeito do ensino das "Estratégias de leitura". 
Justificativa:
Ensinar a ler é um processo que envolve muito mais que simples decodificação; 
Leitura é compreensão, busca e atribuição de sentido àquilo que se lê; 
Atividades de verbalização oral do textos, cópia, ditado, redação como produto final de uma leitura, são práticas equivocadas para se ensinar a ler.
Como fazer então?
Rever o que é leitura; 
Utilizar as estratégias de leitura específicas; 
Utilizar a literatura infantil.
Leitura
(...) “o ato de ler não pode ser se caracterizar como uma atividade passiva” (BRANDÃO; MICHELETTI, 1997, p. 18), ao contrário, necessita de uma atitude ativa por parte do leitor; 
Um leitor crítico não realiza apenas a decodificação; 
Ele é cooperativo, é produtivo e sujeito no processo de ler; 
(...) “a literatura, por ser um discurso dialógico, dialoga com o leitor que lhe da vida e lhe atribui significações” (p. 26).
Como se ensina a ler?
Geralmente as atividades de leitura partem de uma “leitura silenciosa do texto, seguida de uma leitura oral, estudo do vocábulo e entendimento, e concluída com uma produção de texto” (SILVA; CARBONARI, 1997, p. 103); 
A oralização do texto é vista como garantia de compreensão, ou seja, basta o aluno ouvir para compreender; 
Ao realizar essa prática, o “professor se exime da sua responsabilidade de mediador no processo de aprendizagem, ficando este exclusivamente por conta da capacidade do aluno” (p. 107)
Literatura infantil
Por que utilizar a literatura infantil? 
Linguagem mais elaborada que permitirá um avanço no modo de pensar das crianças (aliás de todos); 
O suporte é o livro e não fragmentos de textos comum em livros didáticos; 
A literatura é um ato social; 
A literatura faz uso da arte e possuiu um mensagem implícita no texto; 
Permite um contribuição muito maior para o letramento literário.
Estratégias de leitura
O que é? 
Tudo aquilo que colocamos em jogo em jogo antes, durante e depois da leitura; 
Precisamos ensinar os alunos a ativarem as estratégias que estão ao seu alcance quando este forem ler;
Por que ensiná-las? 
Precisamos mostrar para a criança como a leitura se processa em um leitor fluente; 
Como estes leitores utilizam estas estratégias; 
O que se processa em nossa mente quando atuamos com um livro; 
O que pensamos, o que sentimos, o que imaginamos, o que enxergamos, tudo isso precisa ser ensinado para os alunos; 
É um processo de fazer a criança tomar consciência daquilo que nós leitores fazemos.
Estratégias de leitura
Quais são elas? 
Conhecimento prévio; 
Conexões; 
Inferências; 
Visualização; 
Sumarização; 
Síntese.
Sequência didática: 
Organizar o trabalho pedagógico de modo que primeiro a criança observe o que o professor irá fazer, dizer e pensar ao ler, no sentido de “moldar” aquilo que ele espera que a criança faça depois ao realizar um atividade proposta; 
Práticas guiadas: com a sala toda, em pequenos grupos e individualmente; 
Sequência didática em torno de 50 a 60ª min: 5 para moldar; 40 a 50 para prática guiada; 5 a 10 para ava
liar os novos conhecimentos adquiridos. 
Para finalizar a professora Joice indicou a leitura do livro de literatura infantil abaixo:


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