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24/02/2012

Mario Benedetti

Vida do escritor Mario Benedetti foi marcada por compromisso social
Miguel Rojo / AFP
O escritor uruguaio Mario Benedetti ao receber o título de doutor honoris causa da Universidade da República do Uruguai, em 2004.
O escritor uruguaio Mario Benedetti deixa atrás de si uma rica obra, na qual os mais de 80 romances, ensaios, contos e poemas escritos mostram o compromisso social e a coerência de alguém que acreditou "na vida e no amor, na ética e em todas essas coisas tão fora de moda". (...)
Foi também o martelo que lhe permitiu forjar uma carreira literária ligada às profissões mais diversas: empregado de uma oficina, taquígrafo, caixa, vendedor, contador, funcionário público, tradutor e jornalista, antes de se dedicar ao que mais gostava. "Quando tenho uma preocupação, uma dor ou um amor, tenho a sorte de poder transformar em poesia", afirmava. (...)
O poeta também dedicou tempo aos contos, nos quais "cada palavra tem valor por si só" e, sobretudo, "têm a ver com os sentimentos", como explicou em 1998. (...)
Quanto a prosa como a poesia de Benedetti foram reconhecidas amplamente, e isso é atestado por prêmios Ibero-americano José Martí (2001) e Internacional Menéndez Pelayo (2005).
Em sua última aparição pública, em dezembro de 2007, Benedetti recebeu a Ordem Francisco Miranda, dada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, na Universidade da República do Uruguai, aclamado pelas centenas de estudantes que reconheciam no poeta um ícone nacional.
Miguel Rojo / AFP
Em dezembro de 2007, Benedetti recebe recebe a Ordem Francisco Miranda pelo presidente venezuelano Hugo Chávez.
"A consciência é a única religião", chegou a dizer este crítico da "grande hipocrisia que rege toda a vida política" e da globalização, à qual chamou de "ditadura indiscriminada, que cada vez conduz mais ao suicídio da humanidade".
Em declarações à agência Efe em junho de 2002, Benedetti explicava que, apesar de "os poetas não terem capacidade de influir nos Governos", "atingem o cidadão comum, e, às vezes, servem para esclarecer uma dúvida, para dar uma tímida resposta a uma pergunta de alguém".
"DA GENTE QUE EU GOSTO" de Mário Benedetti
Mário Benedetti é o autor de um texto intitulado "DA GENTE QUE EU GOSTO", que deve ser lido com atenção e daí retirar as ilações devidas. Cumpre-me partilhar o texto pois vale a pena pensar nisto:
Gosto de gente que pensa e medita internamente. De gente que valoriza seus semelhantes, não por um estereótipo social, nem como se apresentam. 
Bem aventurados aqueles que já conseguiram receber com a mesma naturalidade o ganhar e o perder, o acerto e o erro, o triunfo e a derrota...
14 frase(s) de Mario Benedetti
"Que tempo bom aquele em que dizíamos 'revolução'... "
"Se o coração se cansa de querer, para que serve"? 
"Quem diria, os fracos realmente nunca se rendem". 
"Não há alegria mais alegre do que o prólogo de alegria". 
"Todo o suicídio é uma sombra de incerteza". 
"Há poucas coisas tão ensurdecedoras como o silêncio". 
"A borboleta lembrará para sempre que um dia foi um verme". 
"Os sentimentos são inocentes como as armas brancas". 
"No final a morte é apenas um sintoma de que havia vida". 
"Cinco minutos bastam para sonhar toda uma vida, tão relativo é o tempo". 
"Não sei se Deus existe, mas se existir, eu sei que Ele não vai importunar a minha dúvida". 
"Em alguns oásis o deserto é apenas uma miragem". 
"A única ilusão que permanece em mim é que possa comunicar com o leitor, com esse cidadão comum como eu. Para mim foram muito importantes, tanto na minha vida como na minha obra, as relações humanas". 
"O esquecimento está cheio de memória".
Currículo: Mario Benedetti
A história é muito simples
você nasce
contempla atribulado
o vermelho azul do céu
o pássaro que emigra
o primitivo besouro
que seu sapato esmagará
valente

você sofre
reclama por comida
e por costume
por obrigação
chora limpo de culpas
extenuado
até que o sono o desmorone

você ama
se transfigura e ama
por uma eternidade tão provisória
que até o orgulho se torna terno
e o coração profético
se converte em escombros

você aprende
e usa o aprendido
para tornar-se lentamente sábio
para saber que no fim o mundo é isto
em seu melhor momento uma nostalgia
em seu pior momento um desamparo
e sempre sempre
uma confusão

então
você morre.

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