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02/02/2012

Escola e Comunidade

Escola e comunidade. Ilustração Carlo Giovanni
O primeiro dia letivo é um momento privilegiado (entre outros) de contato com praticamente toda a comunidade escolar, ainda que seja de forma superficial e rápida. Para um bom observador, é possível notar as diversas posturas existentes. Não que sejamos contra a diversidade, pelo contrário, ela é inevitável, importante e necessária. Mas o que nos chama a atenção é a seguinte questão: porque alguns pais são tão receptivos, educados, acolhedores, parceiros, etc. enquanto outros se mostram tão distantes, mal humorados, impacientes, desconfiados, pouco participativos, reticentes e até hostis? Seria essa uma postura dessas pessoas com relação somente a escola ou trata-se de uma conduta diante da vida? Como trazê-los para o "nosso lado"? Até que ponto, a imagem "construída" no imaginário dos pais a respeito da escola, afeta o interesse, a participação, o respeito da criança pela escola e pelo professor? Como estabelecer uma boa parceria entre escola e comunidade? 
A parceria entre escola e comunidade é indispensável para uma Educação de qualidade e depende de uma boa relação entre familiares, gestores, professores, funcionários e estudantes. 
Tania Zagury: "É preciso dizer não"
Pesquisadora carioca diz que a escola deve mobilizar os pais para a necessidade de impor limites e, assim, auxiliar na educação moral dos filhos. 
Mas os pais aceitam participar? 
Muitos sim, mas sempre há os que resistem. Os que delegam toda a responsabilidade aos professores são os que trazem mais problemas. Costumam não aceitar críticas e apoiam os filhos em atitudes indisciplinadas. São os que pedem que não sejam aplicadas provas às segundas-feiras para viajar no fim de semana ou sugerem que se enforquem feriados para que seus filhos não corram o risco de perder matéria. Se o pai faz esse tipo de reclamação, a escola se enfraquece e o jovem sem limites se fortalece.
Por que muitos pais modernos não conseguem dizer não aos filhos? 
Eles têm o que eu chamo de visão excessivamente psicologizada da educação. Preocupam-se demais com a psiquê, com o emocional, se os filhos vão ficar com algum trauma, algum complexo ou com a auto-estima abalada cada vez que eles lhes impõem limites. Muitos tornam-se superprotetores, alegando que o tempo é escasso e que preferem curtir os filhos em vez de ficar fazendo exigências. Mas esse tempo que sobra é precioso para a formação ética dos filhos. Nessas poucas horas é preciso ter postura. É preciso fazer a criança entender que os pais se ausentam porque estão trabalhando. E que trabalham porque querem dar segurança, saúde e educação aos filhos. A criança compreende isso muito bem. Quando juntos, os pais devem dar atenção, carinho, amor e... educação aos filhos. 
Ver entrevista na íntegra: clique aqui
A escola foi criada para servir à sociedade. Por isso, ela tem a obrigação de prestar contas do seu trabalho, explicar o que faz e como conduz a aprendizagem das crianças e criar mecanismos para que a família acompanhe a vida escolar dos filhos. "Os educadores precisam deixar de lado o medo de perder a autoridade e aprender a trabalhar de forma colaborativa", (...)
Que relação deve existir entre família e escola?
Neste vídeo Heloísa Zymanski, professora de Psicologia da Educação da PUC-SP, explica qual são as relações que devem existir entre famílias e escolas. “Quando a criança percebe que seus pais estão em uma aliança com a escola, ela se sente muito mais protegida” diz a especialista.
Mas será que os pais se acham participativos? O que a escola espera como participação? O que os pais entendem por participação? Estaríamos falando da mesma coisa? São pontos de vista convergentes ou divergentes? 
Buscar uma boa relação com a comunidade é papel da escola
Ana Amélia Inoue, coordenadora do Instituto Pedagógico Acaia, em São Paulo, SP, e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10, aponta algumas medidas que os gestores podem implantar na escola para melhorar a relação com os pais e responsáveis pelos alunos.
Todos pela qualidade
A forma como a escola usa o espaço, as relações interpessoais e a interação com a comunidade também são importantes na Educação das crianças.
A maneira como diretor, professores e funcionários enxergam os alunos é outro ponto que pode determinar o funcionamento do ambiente. "É muito comum vermos equipes que parecem lidar com "alunos invisíveis", condenados a usar banheiros sujos, comer com o prato na mão, de quem se pode falar mal em sua frente, como se não estivessem lá" (...) "O que existe é uma responsabilização do aluno (que é visto como quem depreda, é mal-educado) ou da comunidade (que é carente e violenta) pelas más condições da escola." (...)
Por isso, o diretor deve estar muito atento ao que se transmite "nas entrelinhas" dos processos e das relações interpessoais que se estabelecem na escola. Seu desafio é o de coordenar diferentes gestões - equipe, espaços, parcerias, recursos - para promover a aprendizagem das turmas. "As questões burocráticas e administrativas são apenas meios para concretizar as propostas pedagógicas", diz Vitor Henriques Paro, professor titular da Faculdade de Educação da USP.
Nessa abordagem, o olhar do gestor se volta fundamentalmente para três eixos: a organização dos espaços da escola (não só o das salas de aula), a mobilização de uma equipe coesa (que trabalhe para alcançar uma proposta pedagógica definida) e o estabelecimento de um canal de comunicação com pais de alunos e a comunidade do entorno. Embora ninguém afirme que isso seja tarefa fácil, aplicar essa teoria no dia-a-dia talvez não transforme a instituição numa escola dos sonhos, mas certamente trará resultados positivos sob todos os aspectos. (...)
Ver entrevista na íntegra: clique aqui
PRIMEIRA LIÇÃO
Ledo Ivo
Na escola primária
Ivo viu a uva
e aprendeu a ler.

Ao ficar rapaz
Ivo viu a Eva
e aprendeu a amar.

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