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27/01/2012

“QUE TIPO DE SEMENTE VOCÊ ESTÁ PLANTANDO NA VIDA DAS CRIANÇAS?”

Ainda a pouco, lendo alguns textos me deparei com a seguinte frase: “QUE TIPO DE SEMENTE VOCÊ ESTÁ PLANTANDO NA VIDA DAS CRIANÇAS?” Tratava-se da Sinopse de um livro de orientação aos pais. No texto há um trecho que diz assim: (...) “Se você é professor ou educador, o que tem feito para influenciar positivamente os pequeninos, contribuindo para o seu desenvolvimento mental, social e, principalmente, espiritual? A autora deste livro desafia e encoraja pais, mães e educadores a observar com todo o cuidado que tipo de sementes estão semeando. Comparando o tempo da infância a um solo fértil, (...).” 
Logo pensei, e nós? Que tipo de sementes estamos plantando dentro das nossas salas de aula? 
Gabriel Chalita, professor universitário, membro da Academia Paulista de Letras e ex-secretário de Educação do Estado de São Paulo escreve o seguinte texto: 
“É comum, no período que antecede o início das aulas, as crianças terem uma certa expectativa, um certo desejo, antecipando o que será a escola. Elas têm a tendência de gostar do professor. É o gosto da novidade, do que não conhecem – é a aventura do aprendizado. 
Começam as aulas e algumas expectativas são superadas, outras frustradas. Alguns encontros se revelam marcantes, outros nem tanto. Há alunos que voltam para casa, nos primeiros dias de aula, desejosos de narrar aos pais cada detalhe de seus professores.
Em uma leve viagem ao passado, rapidamente nos lembramos de alguns professores. Por que desses e não de outros? Porque alguns marcam mais. E é desses educadores que a pessoa se lembrará ao longo da vida. 
Escolha 
Infelizmente, muitos professores se convertem em burocratas da escola. Estão exercendo a profissão de estar ali e nada mais. Sem perfume nem sabor. Sem encontro nem encanto. Apenas ali, munidos de um programa determinado e esperando o fim, já no começo. Tristes mulheres e homens que embarcam na profissão errada e lá permanecem aguardando a miúda aposentadoria. Não são maus. Apenas não são educadores.
Há aqueles que educam desde os primeiros raios da aprendizagem. Preparam-se para a celebração do saber e do sabor – palavras com a mesma origem. Lançam redes em busca de curiosidades, surpreendem e permitem surpreender; ensinam e aprendem com a mesma tenacidade. Estão ali, em uma sala de aula, desnudos de arrogância e ávidos de vida. Não temem a inquietação das crianças e dos jovens. (grifo nosso) Não negligenciam o conteúdo, mas valorizam os gestos. Gestos – é disso que mais nos lembramos dos nossos mestres que passaram. E que permaneceram.
Capítulo1 - 1.9. Ensinar Exige o RECONHECIMENTO e a assunção da IDENTIDADE CULTURAL
Exercício 
Lembro-me de alguns, como a Ana Maria, professora de História, que nos instigava a estudar antes da aula o tema que seria trabalhado. Quando chegava a aula, propositadamente, errava e nós a corrigíamos. Era um jogo, uma didática simples que empregava. Eu chegava a sonhar com aquelas aulas. Ela despertava o gosto pela pesquisa e destravava os mais tímidos. Todo mundo queria corrigir a professora. 
Talvez, um exercício interessante para o professor, seja o das lembranças. Lembrar de quando era aluno, daqueles professores que eram educadores e, de repente, ter a humildade de imitá-los ou até reinventá-los. 
E não há tempo nem idade para fazer diferente. É só ter uma característica que Paulo Freire considerava importante para toda a gente, mas essencial para quem educava: gostar de viver. 
Quem gosta de viver não tem preguiça de reinventar, nem medo de ousar. Quem gosta de viver não tem medo de ternura, da gentileza, do amor. “Quem gosta de viver, educa!”

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