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25/01/2012

Qual a escola dos nossos sonhos?

Temos usados alguns textos muito interessantes para refletir sobre a escola que temos e a escola que "queremos". Um deles é o famoso texto da escritora Ruth Rocha intitulado "Quando a escola é de vidro".
Breve biografia da autora brasileira Ruth Rocha e a história do livro "Quando a escola é de vidro".
Outro texto não menos interessante e importante é do educador e escritor Rubem Alves intitulado "Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas".
Neste outro vídeo o educador e escritor Rubem Alves defende uma educação ligada a vida do estudante.
Mas afinal... Que tipo de escola "sonhamos" para nossos alunos?
Não será possível "conquistar"essa tão sonhada escola, sem muito estudo, reflexão, dedicação, aprofundamento, compreensão, etc. de tudo o que está por trás das aparências. 
Vale a pena ler o livro da pesquisadora e professora Maria Helena Souza Patto intitulado "A produção do fracasso escolar"
(...) "Considerando o fracasso escolar como um processo psicossocial complexo, e a fim de questionar alguns desses conhecimentos ditos "científicos", que fundamentam a teoria da carência cultural das crianças das camadas populares, Patto permanece numa escola pública de primeiro grau e num bairro da periferia da cidade de São Paulo, realizando observações em vários contextos e entrevistas formais e informais com todos os envolvidos no processo educativo que nela se desenrola, incluindo os alunos e suas famílias. 
Buscando um enquadramento teórico que tivesse como pressuposto a determinação histórico-social da ação humana, a autora encontrou no conceito sociológico de "vida cotidiana" (fundamentado pela pensadora marxista Agnès Heller), subsídios que a ajudassem a responder às seguintes perguntas: Quem são estas crianças? Como vivem na escola e fora dela? Como vivem na escola e como participam do processo que resulta na impossibilidade de se escolarizarem?
Constatando que nas pesquisas sobre a escola e sobre o fracasso escolar as crianças são reduzidas a números frios e impessoais e, consequentemente, tornam-se as grandes ausentes, Patto, convivendo com quatro alunos multi repetentes, deu voz a esses sujeitos e revelou o discurso dessas crianças, recusando-se a fazer um discurso "sobre" elas. Assim, a proposta metodológica utilizada pela autora possibilitou-lhe confrontar a leitura dos profissionais da escola com o discurso de seus alunos e de suas famílias: alguns laudos psicológicos dessas crianças com as observações feitas por ela e por suas auxiliares de pesquisa em sala de aula e nas casas das crianças, em relação ao fracasso 
escolar. 
Essa confrontação permitiu à autora elaborar algumas conclusões a respeito do tema, fazendo uma revisão crítica das teorias do déficit e da diferença cultural: 
- a inadequação da escola decorre, principalmente, de sua má qualidade, da representação negativa que os seus profissionais têm da capacidade dos alunos, consequência da desvalorização social dos seus usuários mais empobrecidos; 
- o fracasso da escola pública elementar é o resultado inevitável de um sistema educacional congenitamente gerador de obstáculos à realização de seus objetivos; 
- esse fracasso é administrado por um "discurso científico escudado em sua competência, naturaliza esse fracasso aos olhos de todos os envolvidos no processo"
-".-a rebeldia pulsa no corpo da escola e a contradição é uma constante no discurso de todos os envolvidos no processo educativo; mais que isto, sob uma aparente impessoalidade, pode-se captar a ação constante da subjetividade. A burocracia não tem o poder de eliminar o sujeito; pode, no máximo, amordaçá-lo." 
A obra de Patto configura-se como leitura imprescindível aos pesquisadores do fracasso escolar e a todos os educadores comprometidos com a democratização do ensino para as camadas populares. 
Em entrevista para o SINPRO-SP, o professor e pesquisador José Carlos Libaneo, define a função da escola tendo em vista que a escola não apresenta mais o monopólio do saber. Enfatiza também o papel do professor e as formas que o aluno percebe a escola nos dias atuais.

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