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22/01/2012

É correto deixar de ensinar a letra cursiva?

Beatriz Gouveia, coordenadora de projetos do Instituto Avisa Lá, responde à dúvida sobre o ensino da letra cursiva na alfabetização 
Neste vídeo, a especialista fala sobre o processo de alfabetização e a importância da letra cursiva, que garante agilidade para as crianças escreverem. 
Beatriz explica que o ensino inicia com a letra de forma para que a turma possa se concentrar nas questões conceituais do sistema alfabético de escrita. Depois que se apropriam disso, começam a usar a letra cursiva. "Ela passa a ser um instrumento para a vida escolar, para a vida social delas," afirma.
Sandra Bozza costuma dizer que o aluno não necessita mais da letra caixa alta quando ele entende o jogo da escrita, ou seja, quando já abstraiu estes grandes nexus sobre a linguagem escrita: 
a) Para que serve a escrita (função social); 
b) O que ela representa (relação de dependência entre a oralidade e a escrita); 
c) Como ela se organiza (os conteúdos básicos para veiculação de ideias por escrito)
ESTE É UM TEMA BASTANTE POLÊMICO:
(...) será que além de todas as dificuldades que os alunos já enfrentam no processo de alfabetização, eles têm a necessidade de aprender a ler e escrever a letra cursiva, cuja sua utilização nos tempos atuais encontra-se quase que exclusivamente na escola? Isso pode ser considerado verdade mesmo? A letra cursiva está em desuso nos dias atuais? Todos nós não registramos “praticamente tudo” que escrevemos, com letra cursiva? O aluno não deveria estar preparado para pela escola para “ler”, “compreender” e se preferir “escrever com o tipo de letra que melhor lhe convém?
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u736314.shtml 
Ensino da letra cursiva para crianças em alfabetização divide a opinião de educadores. 
Deve-se ou não exigir que as crianças escrevam com letra cursiva? A questão, que divide educadores e semeia insegurança entre pais, está --ao lado da pergunta sobre o ensino da tabuada-- entre as mais ouvidas pela consultora em educação e pesquisadora em neurociência Elvira Souza Lima. A resposta, porém, não é trivial. 
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u735158.shtml Quem tem letra feia pode ter de trocar a de mão pela de forma.
Letra feia e incompreensível tem cura. Ainda mais quando está associada a um distúrbio psicomotor, o que resulta na chamada disgrafia.
Magda Soares acrescenta que a demanda pela cursiva frequentemente parte das próprias crianças, que se mostram ansiosas para começar a escrever com esse tipo de letra. "Penso que isso se deve ao fato de que veem os adultos escrevendo com letra cursiva, nos usos quotidianos, e não com letras de imprensa".
Os Estados Unidos anunciaram o fim do ensino da letra cursiva nas escolas para que os alunos sejam alfabetizados nos computadores. Questionando se o lápis e o papel estão mesmo ultrapassados, estudiosos e críticos analisam se a cognição infantil não ficará comprometida com a novidade. Até a grafologia pode entrar para a história em um futuro não muito distante. 
O professor Lemos, doutor em Língua Portuguesa, diz que o fim do ensino da letra cursiva já era esperado pelo desuso
"O ensino da letra cursiva (de mão) será opcional em Indiana e deverá ser banido definitivamente nos próximos anos. A decisão deve ser seguida por mais de 40 estados americanos que também consideram esta forma de escrever ultrapassada. na avaliação deles é mais importante se concentrar no aprendizado das letras bastão (de forma)." [EUA abolem ensino de 'letra de mão', artigo de Gustavo Chacra para o jornal O Estado de São Paulo, publicado em 18/07/11] 
http://portal.aprendiz.uol.com.br/2011/09/29/acabar-com-letra-cursiva-faz-parte-de-movimento-de-padronizacao-da-educacao-nos-eua/ Acabar com letra cursiva faz parte de movimento de padronização da educação nos EUA
A decisão de transformar a letra cursiva em prática do passado faz parte de um movimento que tenta padronizar, avaliar e tornar os sistemas de ensino dos Estados Unidos mais competitivos internacionalmente. Isso num contexto em que o uso educacional da tecnologia virou uma verdadeira febre no país, enriquecendo desenvolvedores de softwares e impulsionando políticas voltadas à integração dos alunos ao ambiente midiático.
Como agir? É com as letras tipo imprensa que as crianças têm um maior contato desde cedo, em jornais e revistas, o que resulta em uma elaboração de hipótese sobre a escrita muito precocemente. O traçado é simples, dando à criança liberdade ao ato de escrever, favorecendo a percepção das unidades e diminuindo o esforço motor. 
A letra cursiva é mais rápida de ser traçada, porém exige da criança uma coordenação motora mais definida. De acordo com Cagliari (1999 p.41), A escrita cursiva tinha dois problemas: por ser feito com rapidez, o traçado das letras tendia a se modificar na escrita de cada um – por outro lado, a escrita cursiva produz ligaduras.
Depois de unidas as letras, o aspecto gráfico pode mascarar os limites individuais das letras, gerando confusões entre os usuários. 
É mais importante que a criança compreenda e entenda a função e as características da escrita do que se preocupe com o tipo de letra a ser utilizado. “Em primeiro lugar, é preciso ensinar a escrever e, somente depois, deve-se preocupar com os requintes da escrita” (CAGLIARI E CAGLIARI, 1999, p.79).
Para a criança em fase de alfabetização, não é tão simples entender como as letras se ligam para formar as palavras. Onde é feita a emenda entre as letras? As autoras de Construindo a Escrita apresentam uma proposta em que essa dificuldade tão comum é solucionada, o que torna o treino de caligrafia muito mais produtivo. E a criança ainda conhece um pouco da história da escrita, vê o uso real de letras maiúsculas e minúsculas, de imprensa e cursivas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
ADRIANA, Vera e Silva. Bastão X Cursiva, os prós e os contras de cada letra na alfabetização. São Paulo: Ed. Abril, n. 99, XI, p. 8-16, dez 1996. 
CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização sem o ba, be, bi, bo, bu. Pensamento e ação no magistério. São Paulo: Editora Scipione, 1999. 
Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais: Introdução aos Parâmetros curriculares Nacionais. Brasília: MEC/SEF.1997 
CAGLIARI, Gladis Massini; CAGLIARI, Luiz Carlos. Diante das Letras: a escrita na alfabetização. São Paulo: Fapesp, 1999 (Coleção Leituras do Brasil) 
FERREIRO, Emília. Com todas as letras. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2000.FISCHER, Julianne. Sugestões para o desenvolvimento do trabalho Pedagógico. Timbó: Tipotil, 1997. 
TAFNER, Malcon Anderson; FISCHER, Julianne. Manga com leite mata: reflexões sobre os paradigmas da educação. Indaial: Ed. Asselvi, 2001. 
http://www.sandrabozza.com.br/page.php?id=305 Acesso em novembro de 2010. Questão de relevância: por que caixa alta? 

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